Pesquisar
Folha Jundiaiense

Venezuela intensifica resgates e supera 6 mil vidas salvas na crise atual

Seis dias após os terremotos devastadores atingirem a Venezuela, equipes de resgate continuam a desafiar as chances, retirando sobreviventes dos escombros. Mais de 6.640 pessoas foram resgatadas com vida até agora, conforme o último balanço divulgado pelo governo venezuelano via Telesur, mesmo com o tempo correndo contra.

A tragédia, desencadeada por dois sismos de alta magnitude na última quarta-feira, dia 24, já soma 1.943 mortos e 10.571 feridos. As cidades de Caracas e La Guaira sofreram a maior parte da destruição.

Milagres Sob os Escombros: As Histórias de Klieber e Marbelis

A esperança surge em meio ao caos. Nesta madrugada, um menino identificado como Klieber Morán, com idade entre 2 e 3 anos, foi salvo dos restos de um prédio em La Guaira. Equipes de resgate da Jordânia o retiraram do edifício Los Corales Garden 1. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, confirmou o resgate via Telegram, destacando o feito após seis dias do desastre.

O caso de Klieber ecoa o de Marbelis Mijares, uma menina de 2 anos. Ela também escapou da morte em Catia La Mar, resgatada após passar quatro dias sob os escombros.

O pai de Marbelis, Manuel Mijares, expressou sua gratidão em vídeo divulgado pelo Ministério da Defesa venezuelano. “Agradeço aos profissionais pelo apoio e a Deus, por ter condições de ver novamente a minha filha”, declarou Mijares, confirmando a estabilidade da filha no hospital.

Outros sobreviventes também trazem à tona a resiliência humana. Aaron Cantillo, um jovem de 21 anos, passou mais de 100 horas soterrado. “Não sou nada. Sou um simples rapaz que passou cinco dias embaixo de um edifício, mas estou aqui, estou presente, graças ao meu Deus”, afirmou.

Um vigilante em La Guaira é alvo de um esforço contínuo. Equipes de salvamento trabalham há mais de 40 horas para retirá-lo dos escombros de um centro comercial onde trabalhava. Sua esposa, em entrevista à RTP, falou da angústia da espera. “É realmente um milagre, porque não nos tinham dado esperança de vida. Tinham dito que não havia qualquer pessoa viva naquele local, até que os socorristas lá entraram e encontraram o meu marido com vida”, contou, há três dias no local.

Esforço Maciço em Meio à Destruição

O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, detalhou o balanço da resposta aos terremotos Venezuela. Um contingente de 26.121 bombeiros, policiais e militares trabalha incansavelmente.

Cincoenta e uma delegações internacionais se juntaram aos esforços, adicionando 3.660 profissionais ao quadro. Voluntários somam outros 15.467.

Um exército de quase 45 mil pessoas vasculha os destroços.

Ainda assim, o tempo impõe sua lógica cruel. Nos dois primeiros dias, socorristas salvavam mais de 2 mil pessoas diariamente. No terceiro, o número caiu para 731. No quarto, 345. Ontem, apenas quatro foram localizadas com vida.

O Cenário Pós-Terremoto e os Desafios da Recuperação

Os sismos, de magnitudes 7.2 e 7.5, ocorreram a 200 quilômetros de Caracas. Menos de um minuto separou os dois abalos principais, seguidos por mais de 20 réplicas, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos. A força dos tremores pulverizou estruturas, desabando edifícios e deixando cicatrizes profundas em metrópoles e áreas costeiras.

A destruição vai além das cifras. Centenas de milhares de pessoas perderam suas casas e seus pertences. Famílias inteiras estão desabrigadas, dependendo da ajuda humanitária. O impacto na infraestrutura de serviços básicos, como água, eletricidade e saneamento, é imenso. Hospitais lutam para atender a demanda crescente de feridos.

A economia venezuelana, já fragilizada por anos de crise, enfrenta agora o custo exorbitante da reconstrução. Cidades como La Guaira, um importante porto e destino turístico, terão sua recuperação dificultada. As operações comerciais foram paralisadas. O acesso a áreas isoladas permanece um desafio logístico, complicando a distribuição de suprimentos essenciais.

A mobilização internacional é um alívio, mas a escala do desastre exige um esforço sustentado por meses, talvez anos. A resiliência da população venezuelana será testada diariamente diante da escassez e da lentidão inevitável na resposta de longo prazo.

Contexto

A Venezuela está localizada em uma região de alta atividade sísmica, próxima à fronteira de placas tectônicas, o que a torna suscetível a terremotos. Historicamente, o país registrou outros eventos sísmicos significativos, como o terremoto de 1812 que devastou Caracas, e o de 1967, que causou centenas de mortes na capital. A construção civil em muitas áreas urbanas, especialmente em bairros mais antigos ou informais, nem sempre segue normas antissísmicas rigorosas. Isso agrava os riscos em caso de tremores intensos. Este desastre ocorre em um momento em que a Venezuela já lida com profundos desafios econômicos e sociais, incluindo hiperinflação, escassez de produtos e um grande êxodo populacional, fatores que complicam ainda mais a capacidade do país de gerenciar e se recuperar de uma catástrofe dessa magnitude. A comunidade internacional, embora presente no resgate imediato, enfrentará o dilema de como apoiar a reconstrução em um cenário político e econômico complexo.

Leia mais

Destaques

plugins premium WordPress