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Folha Jundiaiense

Sesi celebra 80 anos e impacta Brasil com rede de 468 escolas.

O Serviço Social da Indústria (Sesi) completa 80 anos em 1º de julho de 2026, marcando uma trajetória de impacto direto na vida de milhões de brasileiros e na formação da força de trabalho nacional. Fundada no pós-Segunda Guerra Mundial, a instituição se consolidou como pilar no acesso à educação e à saúde, moldando destinos como o de Ana Carolina Gino, hoje coordenadora de suporte a sistemas em uma grande fintech de energia solar.

Aos 23 anos, Ana Carolina lembra com clareza o sexto ano do ensino fundamental. Na escola do Sesi em Taguatinga (DF), então bolsista, ela montava uma maquete móvel do sistema solar na aula de robótica. Os planetas giravam em seus eixos, reproduzindo um universo que parecia distante para uma criança da periferia.

Essa vivência, conta ela à Agência Brasil, a direcionou para a tecnologia. “Trabalho hoje como coordenadora de suporte a sistemas da maior fintech e ecossistema voltado para a energia solar do Brasil”, declara. Uma década depois, a órbita de sua carreira fechou um ciclo iniciado ali.

Impacto Direto na Educação e no Trabalho

Histórias como a de Ana Carolina ilustram a missão do Sesi, instituído logo após o fim do conflito mundial. A instituição nasceu com a premissa de assistir o trabalhador da indústria e seus dependentes, oferecendo oportunidades que muitas vezes não existiam na rede pública.

Hoje, o Sesi mantém uma rede de 468 unidades em 377 cidades do país. Desse total, 396 são escolas de ensino regular, 71 voltadas para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) e uma de ensino superior.

O presidente do Conselho Nacional do Sesi, Fausto Augusto Junior, destaca a prioridade ininterrupta: atender filhos de trabalhadores da indústria. Descontos e gratuidades garantiram acesso a muitos.

Dados recentes mostram a relevância da ação. Mais de 70% dos trabalhadores industriais hoje possuem ensino médio completo, um avanço significativo que o Sesi ajudou a construir ao longo das décadas.

No ano passado, as escolas do Sesi registraram mais de 390 mil matrículas na educação básica. Foram 9 mil alunos na educação infantil, 166 mil no fundamental, 85,2 mil no médio e 128,9 mil na EJA.

A EJA, em particular, tornou-se um pilar. O programa visava reduzir a alta taxa de analfabetismo que afligia mais da metade da população brasileira no período pós-guerra.

Nomes importantes da educação brasileira também se ligaram à história do Sesi. O professor Paulo Freire, patrono da educação, foi funcionário da instituição por 19 anos, a partir de 1947.

O Legado na Saúde e Segurança Laboral

A atuação do Sesi transcendeu a sala de aula. Na área da saúde, a instituição oferece uma estrutura de atendimento focada no trabalhador industrial. São mais de 500 unidades próprias espalhadas pelo Brasil.

Em 2025, o Sesi atendeu 76,2 mil empresas, beneficiando diretamente 4,4 milhões de pessoas com serviços de saúde.

Campanhas de vacinação massivas também marcaram a história da instituição. Mais de 881 mil vacinas foram aplicadas em trabalhadores da indústria e seus dependentes.

A instituição orgulha-se de promover políticas de prevenção e segurança laboral. Atualmente, 222 centros se dedicam a essa finalidade.

Fausto Augusto Junior lembra um período sem o Sistema Único de Saúde. “Não tinha SUS até a década de 1980. Era muito comum a atenção básica ser oferecida por profissionais do Sesi”, disse ele.

Essa lacuna, preenchida pelo Sesi, reforça seu papel de vanguarda no bem-estar social dos trabalhadores. A criação do Centro de Atendimento ao Trabalhador integra apoio em saúde e educação.

O Sesi também fomentou a cultura. Entre 2020 e 2025, manteve 296 espaços culturais em todos os estados brasileiros, oferecendo acesso a atividades artísticas e de lazer.

Origens e Evolução Institucional

O presidente do Conselho Nacional do Sesi contextualiza a criação da instituição em 1946. Naquele ano, o Brasil debatia o rumo de sua industrialização e urbanização.

“Significava mudança do perfil do trabalhador, reorganização das relações de trabalho”, explica Fausto Augusto Junior. Empresários liderados por Roberto Simonsen defenderam que cada setor da economia deveria ter um serviço social.

O objetivo era claro: garantir melhores condições de vida para o trabalhador da indústria. Fausto Augusto Junior afirma que esse momento lançou as bases para um debate efetivo sobre direitos sociais no país.

A proposta contou com apoio de sindicatos patronais e de trabalhadores. Além do analfabetismo, a precariedade das condições de vida no pós-guerra exigia respostas coordenadas.

Com a Constituição de 1988, os direitos sociais se tornaram responsabilidade do Estado. O papel do Sesi, então, adaptou-se para ações de complementaridade, tanto na educação quanto na saúde.

Celebração dos 80 Anos do Sesi

Para celebrar as oito décadas de atuação, o Sesi preparou uma programação especial.

Uma exposição no Sesi Lab, em Brasília, abrirá no próximo sábado, 4 de julho. A mostra reúne mais de 400 imagens e materiais que reconstroem a trajetória da instituição.

Visitantes poderão conhecer a Carta da Paz Social, documento fundador do Sesi. Elaborado na reconstrução democrática do pós-guerra, o texto defendia a cooperação entre trabalhadores, empregadores e poder público para o desenvolvimento nacional.

Ainda no sábado, o cantor Zeca Baleiro fará um show gratuito a partir das 18h, encerrando as celebrações de aniversário.

Contexto

Criado em um momento de profunda transformação social e econômica do Brasil, o Sesi surgiu para mitigar os impactos da industrialização acelerada e da urbanização. Ao longo de oito décadas, a instituição adaptou seu foco, inicialmente voltado à provisão de serviços básicos como saúde e educação em um cenário de ausência estatal, para um modelo de complementaridade pós-Constituição de 1988. Sua atuação histórica contribuiu para a formação de uma força de trabalho mais qualificada e para o avanço dos debates sobre direitos sociais e bem-estar do trabalhador brasileiro.

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