O Hospital Graacc, referência nacional no tratamento do câncer infantil, ativou um novo acelerador linear, equipamento de radioterapia de última geração. A máquina permite à instituição ampliar a capacidade de atendimento, saltando de 150 para 250 pacientes pediátricos com câncer por mês, um aumento de quase 67%.
O aparelho, modelo Versa HD da fabricante Elekta, custou cerca de R$ 9 milhões. Ele substitui um equipamento antigo, já obsoleto, trazendo ganhos expressivos em precisão, qualidade e agilidade no tratamento oncológico. As sessões agora são mais breves, focadas e com menor exposição à radiação.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visitou a unidade nesta quinta-feira (16) para detalhar as vantagens desta aquisição e sua relação com o programa de financiamento do Ministério para terapias de alto custo no Sistema Único de Saúde (SUS).
Padilha afirmou que o Brasil terá, pela primeira vez este ano, ao menos um desses equipamentos em cada estado da federação. “O último que falta é em Roraima, mas os equipamentos já estão lá e a gente vai inaugurar esse ano”, declarou o ministro, destacando um avanço significativo na descentralização da tecnologia oncológica.
Ministério Acelera Financiamento e Tratamento
Em paralelo à instalação de novos aparelhos, o Ministério da Saúde anunciou o aumento do custeio de equipamentos e o valor pago por sessão de radioterapia. Unidades que realizam atendimentos de alto custo ou tratamentos oncológicos terão um acréscimo de 30% no valor por sessão, medida inserida no programa federal “Agora Tem Especialistas”. Este reajuste busca garantir a sustentabilidade financeira das instituições e incentivar a modernização tecnológica, um passo importante para a oncologia no SUS.
Para o Graacc e, sobretudo, para os pequenos pacientes e suas famílias, o impacto é direto. André Negrão, CEO do hospital, explicou à Agência Brasil o significado prático da tecnologia: “Para nós, o maior impacto é na qualidade do atendimento. Além de ser mais moderna, é uma máquina mais rápida e mais precisa. A quantidade de radiação que a criança acaba recebendo é bem menor, assim como os efeitos colaterais. A precisão do feixe radioativo é da ordem de milímetros, o que é decisivo quando você pensa numa criança com um tumor próximo a órgãos sensíveis. Significa menor risco de danos aos tecidos sadios e uma recuperação mais rápida, com melhor qualidade de vida durante e após o tratamento”.
O hospital já atende cerca de 15 pacientes com o novo acelerador linear, iniciando a fase de adaptação e calibração. A projeção é de rapidamente retomar o atendimento a 150 crianças e, em plena operação, alcançar os 250 pacientes mensais, reduzindo filas e o tempo de espera pelo tratamento essencial.
A chegada de aparelhos modernos ao SUS não beneficia apenas o Graacc. Outras unidades hospitalares são contempladas, liberando a rede para aumentar seus atendimentos. O Hospital São Paulo, ligado à Unifesp, por exemplo, também inaugurou hoje um equipamento similar pelo programa “Agora Tem Especialistas”, ampliando a cobertura na capital paulista e região.
O programa federal já entregou 13 aceleradores lineares, de um total de 20 aparelhos avançados destinados ao tratamento de câncer no país. Este investimento expressivo projeta uma maior demanda e, consequentemente, a formação de quadros técnicos especializados para operar e manter essas tecnologias complexas, um desafio persistente na saúde brasileira.
Padilha detalhou que a iniciativa reforça a capacitação de diversos profissionais de saúde. “São profissionais como médicos residentes, fisioterapeutas, enfermeiros e radiologistas, que aprendem cada vez mais em centros especializados como esse, garantindo que a tecnologia seja acompanhada por excelência humana e conhecimento técnico”, pontuou o ministro.
Diagnóstico Acelerado Reduz Tempo de Espera
Além dos avanços na radioterapia, Padilha ressaltou a aceleração na capacidade de diagnósticos de câncer. Um convênio de telemedicina firmado com o renomado Hospital A.C. Camargo, também em São Paulo, transformou drasticamente o tempo de espera por laudos anatomopatológicos.
Ele destacou a mudança em regiões onde o fechamento de um diagnóstico demorava até seis meses, um período crítico para doenças agressivas. “Hoje, os dados são enviados digitalmente, analisados por um anatomopatologista, que é um médico especializado que faz a leitura da biópsia, com experiência no diagnóstico do câncer, e esse resultado demora cerca de duas semanas”, comemorou o ministro.
Um diagnóstico rápido, frisou Padilha, significa também mais chances de sobrevivência para os pacientes, permitindo que o tratamento comece em estágios menos avançados da doença e com prognósticos mais favoráveis.
Contexto
O tratamento oncológico pediátrico no Brasil enfrenta desafios estruturais e geográficos significativos, desde a detecção precoce até o acesso a terapias de alta complexidade. A disponibilidade de equipamentos como o acelerador linear é um fator determinante para a eficácia do tratamento, especialmente em um país de dimensões continentais, onde a concentração de tecnologias avançadas em poucos centros agrava a disparidade regional. Historicamente, pacientes de regiões mais afastadas enfrentavam longas esperas e a necessidade de deslocamento para grandes centros, impactando a sobrevida e a qualidade de vida. Investimentos recentes, como os do programa “Agora Tem Especialistas” e a ampliação da telemedicina, buscam não apenas modernizar a infraestrutura do SUS, mas também descentralizar o acesso, alinhando a rede pública de saúde às mais recentes tecnologias para combater o câncer. A doença ainda representa uma das principais causas de mortalidade infantil e adolescente no país, ressaltando a urgência e a importância desses avanços para a saúde pública.