O presidente Luiz Inácio Lula da Silva entregou hoje (23) um acelerador linear de radioterapia no Hospital Santa Marcelina, na zona leste de São Paulo. A cerimônia marca a chegada de um equipamento moderno que promete revolucionar o atendimento a pacientes com câncer na região, reduzindo o tempo de espera para início do tratamento de 45 para 10 dias e ampliando a capacidade em 30%.
Lula, que recentemente passou por sessões de radioterapia, destacou o simbolismo da entrega.
“O que está acontecendo hoje é um sonho que acalentamos há muito tempo, que o povo trabalhador tivesse acesso as coisas que todo mundo tem”, disse o presidente, em seu discurso. Ele comparou o novo aparelho com o usado em seu próprio tratamento: “A máquina que farão radioterapia aqui na zona leste é mais moderna do que aquela que eu fiz minhas 15 sessões em Brasília, que terminei agora pouco.”
O evento também serviu para o presidente detalhar outras iniciativas de saúde, como o programa “Aqui Tem Mais Especialistas”, que leva atendimento médico e odontológico gratuito, com vans e carretas, para perto da população. “O que a gente quer fazer de verdade é dar ao povo brasileiro o respeito que ele tem de ter”, completou.
O acelerador linear, um dos mais avançados para o tratamento oncológico, integra um pacote nacional de 105 aparelhos contratados nos últimos três anos e distribuídos para todos os estados. Sua instalação no Santa Marcelina significa um salto significativo na infraestrutura de saúde da metrópole.
A instituição já operava com três aceleradores de modelos mais antigos. O novo aparelho desafoga a demanda.
Além do equipamento, o Hospital Santa Marcelina firmou novos convênios com o Ministério da Saúde, garantindo um aporte de R$ 166,7 milhões. Os recursos são destinados principalmente ao atendimento de pacientes em tratamento de câncer. Na mesma ocasião, o hospital recebeu a certificação como Hospital de Ensino Nível 1, reconhecimento de seu papel na pesquisa e formação de profissionais de saúde.
Ampliação Nacional da Radioterapia
O ato em São Paulo reverberou em outras capitais, com entregas simultâneas de aceleradores em Fortaleza (CE) e Sinop (MT). O governo também anunciou a assinatura para compra de 20 tomógrafos, equipamentos essenciais para o diagnóstico do câncer, a serem distribuídos para hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS).
Em Sinop (MT), o Hospital Santo Antônio passará a operar com a nova tecnologia. A iniciativa se alinha à estratégia nacional de descentralização da radioterapia, visando combater os “vazios assistenciais” e reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes para grandes centros. A unidade de Sinop se consolidou como polo regional de saúde, evidenciado pelo recente atendimento ao cacique Raoni.
No Ceará, o equipamento chegou ao Instituto do Câncer do Ceará (ICC) – Hospital Haroldo Juaçaba, em Fortaleza. A instituição já se destaca como referência estadual no diagnóstico, tratamento e cuidados paliativos do câncer, e o novo acelerador fortalecerá ainda mais essa capacidade.
O panorama geral do programa de modernização é ambicioso. Desde 2023, o Ministério da Saúde contratou 155 aceleradores lineares. Há previsão de entregar 70 equipamentos até 2026, dos quais 44 já foram inaugurados. Essa expansão visa cobrir lacunas históricas e garantir acesso equitativo ao tratamento oncológico de alta complexidade em diversas regiões do Brasil.
Contexto
O câncer representa a segunda principal causa de morte no Brasil, e o acesso a tratamento adequado é um desafio contínuo para o Sistema Único de Saúde (SUS). A radioterapia, essencial para mais da metade dos pacientes oncológicos, enfrenta problemas como filas de espera e concentração de serviços em grandes centros urbanos, o que obriga muitos pacientes a longos e custosos deslocamentos. O investimento em aceleradores lineares e a descentralização de sua distribuição buscam mitigar essas barreiras, oferecendo tecnologia avançada para reduzir o sofrimento dos pacientes e melhorar as taxas de sucesso no tratamento da doença. A estratégia nacional de ampliação da infraestrutura de radioterapia, somada ao investimento em equipamentos de diagnóstico como os tomógrafos, visa modernizar o parque tecnológico do SUS e fortalecer a capacidade de resposta do país ao crescente número de casos de câncer.