Eleições 2026: Voto para o Congresso Nacional Segue Indefinido para Mais de 80% do Eleitorado, Aponta Pesquisa CNT
A maioria dos eleitores brasileiros ainda não definiu em quem votar para o Congresso Nacional nas eleições de outubro de 2026. A pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT), divulgada nesta terça-feira (16), revela que a escolha para as cadeiras do Senado Federal e da Câmara dos Deputados permanece em aberto para grande parte do eleitorado. Este cenário indica uma alta volatilidade e um período de intensas disputas políticas nos próximos meses.
O levantamento da CNT/MDA aponta que apenas 12,1% dos entrevistados já solidificaram seus votos para deputado federal e senador. Este percentual é significativamente baixo, indicando que mais de 87% da população ainda flutua em suas escolhas para o Poder Legislativo. A maior parcela, 46,6%, pretende aguardar o início oficial da campanha eleitoral, previsto para agosto, para então tomar uma decisão, enquanto outros 36,3% devem se posicionar apenas na data próxima ao pleito.
Essa indefinição massiva sinaliza um período crítico para partidos e candidatos. Eles enfrentam o desafio de captar a atenção e a confiança de um eleitorado que demonstra cautela e espera por propostas concretas. A eleição para o Legislativo, muitas vezes ofuscada pela disputa presidencial, mostra-se crucial para a governabilidade do país, para a formação de maiorias que apoiarão ou farão oposição ao Poder Executivo e para a formulação de políticas públicas essenciais ao dia a dia do cidadão.
O Voto no Legislativo e a Busca por Renovação
No primeiro turno, em 4 de outubro de 2026, os eleitores brasileiros comparecem às urnas para escolher seus representantes em uma sequência definida. A importância de cada um desses cargos é fundamental para a representação dos interesses da população e a construção de um ambiente democrático funcional.
- deputado federal;
- deputado estadual (ou distrital, no caso do Distrito Federal);
- senador (primeira vaga);
- senador (segunda vaga);
- governador (com o respectivo vice-governador da chapa);
- presidente da República (com o respectivo vice-presidente da chapa).
A pesquisa da CNT também destaca um desejo expressivo por renovação no Congresso Nacional. Cerca de 58,4% dos eleitores manifestam preferência por novos nomes, em contrapartida aos 28,9% que optariam por candidatos que já possuem mandato. Este dado reflete uma clara insatisfação com a classe política tradicional e a busca por alternativas que possam trazer novas perspectivas e soluções para os problemas enfrentados pelo país, como a economia e a segurança.
Em relação à inclinação ideológica no Legislativo, os números revelam um eleitorado diversificado e, em grande parte, pragmático. Quase metade dos entrevistados, 41,4%, se mostram indiferentes à orientação política do candidato. Entre aqueles com preferência, 24,9% buscam candidatos de direita, enquanto 16,3% preferem nomes de esquerda e 6% optam pelo centro. Esta distribuição ideológica, somada à alta taxa de indiferença, sugere que as campanhas precisarão focar em pautas e projetos concretos, e não apenas em rótulos ideológicos, para conquistar o voto popular.
Perfil Ideológico: Jovens e Idosos Têm Preferências Distintas
O recorte da pesquisa CNT por faixas etárias revela tendências interessantes na preferência ideológica para o Legislativo. A análise detalhada mostra como diferentes gerações percebem e se posicionam frente ao espectro político, influenciando o perfil dos candidatos a serem eleitos.
- 16 a 24 anos: esquerda (22%), direita (17%), centro (6%), indiferente (44%), não soube/não respondeu (11%).
- 25 a 34 anos: direita (26%), esquerda (15%), centro (8%), indiferente (41%), não soube/não respondeu (9%).
- 35 a 44 anos: direita (26%), esquerda (16%), centro (6%), indiferente (43%), não soube/não respondeu (9%).
- 45 a 59 anos: direita (28%), esquerda (15%), centro (6%), indiferente (39%), não soube/não respondeu (12%).
- 60 anos ou mais: direita (24%), esquerda (16%), centro (5%), indiferente (41%), não soube/não respondeu (14%).
Observa-se que a faixa etária mais jovem, entre 16 e 24 anos, apresenta a maior preferência por candidatos de esquerda, com 22%, superando a direita em 5 pontos percentuais. No entanto, o grupo mais numeroso ainda se declara indiferente, com 44%. Já nas faixas de 25 a 59 anos, a preferência pela direita é consistentemente maior que pela esquerda, com destaque para o grupo de 45 a 59 anos, que registra a maior inclinação à direita (28%). Os eleitores mais idosos (60 anos ou mais) retornam a uma distribuição mais equilibrada, embora com ligeira vantagem para a direita e um alto índice de indiferença, similar ao dos mais jovens. Essas nuances geracionais podem moldar as estratégias de comunicação das campanhas.
Violência Pauta Eleições: Quase Metade dos Brasileiros Altera Rotina por Insegurança
Além das preferências eleitorais, a pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) investigou o sentimento de insegurança do brasileiro, um tema que se consolida como pilar das discussões pré-eleitorais e da agenda governamental. Os resultados são alarmantes: nos últimos 12 meses, 45,9% dos entrevistados perceberam um aumento na violência em suas cidades.
Dentre os que sentiram o aumento, 32,7% afirmam que a violência “aumentou muito”, enquanto 13,2% consideram que “aumentou um pouco”. Apenas 17,6% notaram alguma redução, e para 35,3%, a situação permaneceu inalterada. Este cenário de insegurança generalizada tem consequências diretas na vida dos cidadãos, impactando o fluxo de pessoas nas ruas, o comércio local e até mesmo o bem-estar psicológico da população. A violência urbana, incluindo a “epidemia” de roubo de celulares, torna-se um desafio primordial para os futuros governantes.
O medo da violência já provoca mudanças significativas na rotina de milhões de brasileiros. A pesquisa revela que 42,7% dos cidadãos modificaram seus hábitos diários: 25,0% alteraram “muito” e 17,7% “um pouco”. Comportamentos como evitar sair à noite, deixar de usar o celular em locais públicos, ou até mesmo alterar percursos, tornam-se comuns. Essas adaptações impostas pela criminalidade limitam a liberdade individual e o direito de ir e vir, transformando a segurança pública em uma demanda urgente e central para qualquer governo eleito.
Maioridade Penal: Amplo Apoio Popular à Redução
Em um claro indicativo da profunda preocupação com a criminalidade no país, a proposta de reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos conta com ampla aceitação popular. A pesquisa da CNT/MDA demonstra que 84,3% dos eleitores aprovam a medida, defendendo que jovens que cometem crimes graves devem responder criminalmente como adultos.
O apoio maciço à redução da maioridade penal, uma das pautas mais debatidas no Congresso Nacional, reflete o anseio da sociedade por respostas mais rigorosas contra a criminalidade juvenil. Para os que aprovam a medida, a legislação atual oferece brechas que fomentam a impunidade. Em contraste, apenas 12,5% desaprovam a proposta, argumentando que a prisão pode agravar a vida criminal de jovens em formação, sem oferecer a reabilitação necessária. Os 3,2% restantes não souberam opinar ou não responderam, demonstrando a polarização, mas com uma clara inclinação majoritária.
A aprovação da medida é consistente em todas as faixas etárias e entre gêneros, com 85% dos homens e 84% das mulheres se posicionando favoravelmente. Essa uniformidade no apoio político pode exercer uma pressão considerável sobre os candidatos e legisladores para que avancem com a discussão e possível aprovação da reforma. A tabela abaixo detalha a taxa de aprovação por idade do eleitor:
Taxa de aprovação à proposta de redução da maioridade penal por idade do eleitor:
- 16 a 24 anos: 78% aprovam
- 25 a 34 anos: 85% aprovam
- 35 a 44 anos: 86% aprovam
- 45 a 59 anos: 87% aprovam
- 60 anos ou mais: 82% aprovam.
Nota-se que o pico de aprovação ocorre entre os adultos de meia-idade (45 a 59 anos), com 87%, enquanto a faixa mais jovem (16 a 24 anos), embora tenha a menor taxa, ainda demonstra um suporte substancial de 78%. Este cenário coloca a pauta como um tema de peso nas agendas políticas, capaz de influenciar votos e alianças.
Crime Organizado Divide Opiniões: Impacto da Percepção na Soberania Nacional
A pesquisa CNT também lança luz sobre a complexa percepção dos brasileiros acerca do crime organizado e das relações internacionais de combate a essas facções. A opinião pública se divide sobre a classificação de grupos criminosos, bem como sobre a cooperação com potências estrangeiras, como os Estados Unidos.
Metade dos eleitores, 50%, concorda com a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas, com 39,2% concordando totalmente. Esta visão os alinha à perspectiva de que esses grupos representam uma ameaça à segurança global. No entanto, uma parcela significativa, 38,8% dos brasileiros, argumenta que PCC e CV deveriam ser vistos primariamente como facções criminosas que visam o lucro, focando no aspecto econômico e não ideológico de suas operações.
A atuação do governo Lula no combate ao crime organizado é avaliada negativamente por uma expressiva parcela da população: 45,9% dos entrevistados consideram que o governo petista está atuando mal e sem resultados perceptíveis. Outros 32,8% classificam a atuação como mediana, somando uma desaprovação ou avaliação morna de 78,7%. Apenas 17,2% aprovam a gestão. Este índice de desaprovação pode influenciar a avaliação geral do governo e se tornar um ponto crítico na campanha eleitoral, exigindo que os candidatos apresentem planos de segurança robustos.
A possibilidade de interferência dos Estados Unidos no Brasil e a atuação direta de forças de segurança norte-americanas no combate a facções geram forte polarização. Quase metade dos entrevistados, 49,5%, são contra (sendo 41,5% totalmente contra), defendendo a autonomia nacional. Por outro lado, 40,1% se mostram favoráveis a essa cooperação mais aprofundada, possivelmente na expectativa de resultados mais eficazes no combate à criminalidade organizada e ao tráfico internacional.
Um dos pontos mais sensíveis é o receio sobre a soberania nacional. A pesquisa aponta que 61,7% dos brasileiros consideram que a interferência dos EUA pode prejudicar a soberania do Brasil em questões estratégicas, como a Amazônia e os minerais raros. Essa preocupação ressalta a importância da gestão territorial e dos recursos naturais, temas de debate contínuo na política externa e interna brasileira, e que podem ser explorados por diferentes candidaturas. Por sua vez, 26,4% dos entrevistados acreditam que a medida não afetaria a soberania, e 11,9% não souberam opinar.
Metodologia da Pesquisa CNT/MDA
A pesquisa CNT/MDA entrevistou 2.002 pessoas presencialmente entre os dias 11 e 15 de junho de 2026, com abrangência nacional. A metodologia garante uma amostra representativa da população brasileira. A margem de erro estimada é de 2,2 pontos percentuais, com um nível de confiança de 95%. O levantamento está devidamente registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04256/2026, conferindo-lhe legitimidade e transparência para o debate público.
Contexto
A pesquisa CNT/MDA de junho de 2026 desenha um cenário eleitoral ainda fluido para o Congresso Nacional, com um eleitorado majoritariamente indeciso, mas ávido por renovação. Simultaneamente, revela uma profunda preocupação com a violência urbana, endossando majoritariamente a redução da maioridade penal, e um debate polarizado sobre a natureza do crime organizado e a soberania nacional frente a possíveis intervenções estrangeiras. Esses temas, interligados e de grande impacto social, prometem dominar as discussões e as estratégias das campanhas para as próximas eleições, influenciando diretamente a agenda política e as expectativas da sociedade brasileira por mudanças efetivas.