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Folha Jundiaiense

Boulos critica lobbies poderosos por manter escala 6×1 e Move Brasil

Bancos Freiam Move Brasil e Senado Trava Fim da Jornada 6×1, Denuncia Boulos

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, elevou o tom contra grandes grupos econômicos. Ele acusou bancos de criar entraves ao programa Move Brasil Aplicativos e criticou a atuação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, por barrar a tramitação da proposta que encerra a jornada 6 por 1.

As declarações, feitas durante o programa Bom Dia, Ministro da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), apontam para uma resistência empresarial que afeta diretamente trabalhadores e a expansão de oportunidades.

Para Boulos, há um esforço coordenado para dificultar medidas que visam beneficiar a população de baixa renda e garantir direitos básicos.

Obstáculos ao Move Brasil: Crédito Negado e Taxas Indevidas

O programa Move Brasil Aplicativos foi desenhado para facilitar a compra de veículos por taxistas e motoristas de aplicativos, um segmento crucial para a mobilidade urbana e a economia de muitos lares. Contudo, sua implementação esbarra em resistências bancárias.

Boulos afirmou que a maioria dos pedidos de financiamento é rejeitada sem justificativa clara. Mesmo solicitantes com “nome limpo” enfrentam negativa.

“Estamos tendo três tipos de problemas principais na implementação do Move Brasil. O primeiro problema é que a maioria dos que entram com pedido de crédito têm tido o seu cadastro rejeitado, mesmo tendo o nome limpo”, disse o ministro.

Bancos usam termos como “score”, “rating” e “taxa de risco”, ignorando o fundo garantidor que o governo oferece para estes empréstimos.

“Isso é inadmissível, porque a diferença do Move Brasil para uma linha de crédito normal de um banco é que o governo está entrando com o fundo garantidor. Se a pessoa tem nome limpo, o governo está entrando com o fundo garantidor, e esse crédito tem que ser aprovado”, declarou.

O segundo entrave são as taxas. Boulos denunciou a cobrança indevida de entrada para acesso às linhas especiais de crédito do programa.

“Novamente os bancos desrespeitam. Começaram a cobrar entrada quando, na verdade, ninguém é obrigado a pagar a entrada. Se uma instituição bancária cobrar isso, motorista, não aceite. Procure outra instituição”, alertou.

A falta de comunicação entre as instituições também compromete o programa. O ministro citou problemas no link automático que deveria ligar os bancos ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsável por operacionalizar a linha de crédito de R$ 30 bilhões do Move Brasil.

Mesmo com crédito aprovado, a conclusão da contratação se torna um gargalo, penalizando motoristas que precisam renovar seus veículos ou iniciar na profissão.

Boulos anunciou que o governo trabalha para corrigir os desvios. A intenção é convocar as instituições financeiras, “especialmente os bancos privados”, para alinhar a execução do programa.

Jornada 6 por 1: A Luta por Descanso

Outra frente de atrito, segundo Boulos, está no Senado. A proposta que visa acabar com a jornada 6 por 1 – regime de trabalho com um dia de folga para seis trabalhados – encontra resistência.

A pauta, que interessa a milhões de brasileiros, está paralisada, acusou o ministro.

“Não tem justificativa para um mês uma pauta que interessa o povo brasileiro, uma pauta aprovada por mais de 70% da população brasileira, está parada numa gaveta. Ao que parece, por interesses menores”, avaliou.

A paralisação da proposta implica na manutenção de um modelo de trabalho exaustivo.

“Nós estamos falando de dar tempo de descanso para as pessoas. Estamos falando de tirar milhões de brasileiros da exaustão, de garantir que possam ter mais tempo com a sua família. Não foi por acaso que essa pauta ganhou força. Ela significa um grito de liberdade para o trabalhador brasileiro”, acrescentou.

O ministro criticou diretamente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Boulos declarou que Alcolumbre “está errando feio” e “brincando com fogo”. Ele apontou a influência de associações empresariais na movimentação contrária ao projeto.

Essas entidades, conforme Boulos, praticam “terrorismo patronal”, alegando que a redução da jornada elevaria preços ou desestabilizaria a economia.

“Gente, isso não cola mais. Isso não cola para ninguém. Temos estudos demonstrando que o fim da escala 6 por 1 tem efeitos [positivos] no varejo, comércio, serviços, como foi com os aumentos reais do salário mínimo”, argumentou o ministro. A redução da jornada de trabalho, nesse sentido, poderia dinamizar setores da economia ao aumentar o poder de compra e o tempo de lazer dos trabalhadores.

Contexto

O debate em torno do programa Move Brasil e da jornada 6 por 1 reflete tensões antigas entre políticas de inclusão social, direitos trabalhistas e os interesses do setor financeiro e grandes conglomerados empresariais no Brasil. Enquanto o Move Brasil busca democratizar o acesso a ferramentas de trabalho para uma categoria em crescimento, a discussão sobre a jornada de trabalho se alinha a um movimento global por mais qualidade de vida e remuneração justa, questões frequentemente postergadas em momentos de pressão econômica.

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