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Folha Jundiaiense

Alívio da guerra faz Petrobras baixar preço do querosene de aviação

A Petrobras reduziu o preço de venda do querosene de aviação (QAV) em 14,5% a partir de 1º de julho, informou a companhia nesta quarta-feira. É o segundo corte consecutivo no valor do combustível, essencial para o setor aéreo. A estatal justificou a medida pela atenuação dos efeitos impostos ao mercado internacional de derivados de petróleo pelo conflito no Oriente Médio.

A diminuição representa um alívio de R$ 0,81 por litro. Nas refinarias da empresa, o preço do QAV varia agora entre R$ 4,67 e R$ 4,93 por litro.

Apesar da sequência de baixas, o combustível acumula uma alta substancial no ano. O QAV está 40,5% mais caro do que em dezembro do ano passado, um acréscimo de R$ 1,39 por litro nesse período.

Essa disparada de preços teve origem nas tensões geopolíticas. A eclosão do conflito no Oriente Médio, com reflexos diretos na cadeia logística do petróleo, perturbou severamente o suprimento global.

O bloqueio do Estreito de Ormuz, ao sul do Irã, tornou-se um ponto crítico. Antes da crise, cerca de 20% da produção internacional de óleo e gás transitava por essa passagem.

Menos oferta no mercado elevou os preços. Embora o Brasil seja um produtor de petróleo, o produto e seus derivados são commodities, com cotação atrelada ao cenário global.

Impacto Direto no Setor Aéreo

A variação do QAV atinge diretamente as companhias aéreas e o custo das passagens. O combustível representa uma das maiores parcelas dos gastos operacionais das empresas do setor. Períodos de alta encarecem voos e o transporte de cargas.

O setor aéreo brasileiro sente os efeitos de cada ajuste. Voos domésticos e internacionais ficam mais caros ou as margens de lucro das empresas diminuem, limitando investimentos e expansão.

No auge da crise de preços, algumas empresas operaram com custos espremidos, pressionando por repasses aos consumidores ou buscando alternativas para otimizar o uso do combustível.

A redução atual, mesmo que parcial diante do acumulado anual, traz um fôlego bem-vindo para as aéreas, permitindo algum alívio nos caixas ou a contenção de aumentos futuros.

Flutuações Recentes e Medidas de Contenção

Os últimos meses foram marcados por intensa volatilidade nos preços do QAV. Em abril, a Petrobras aplicou um reajuste de 55%. Em maio, houve outra alta, de 18%.

Naquela ocasião, para mitigar o impacto no caixa das companhias distribuidoras, a estatal permitiu o parcelamento do reajuste. Foi uma tentativa de suavizar o choque da alta repentina.

Em junho, a empresa já havia reduzido o QAV em 14,2%, sinalizando uma tendência de estabilização que se confirma agora em julho.

A atenuação dos efeitos da guerra levou o governo federal a agir. Iniciou o processo de retirada gradual de subsídios concedidos a empresas produtoras e importadoras de combustíveis. A medida visava impedir um choque de preços para o consumidor final, mas agora é reavaliada conforme o mercado se estabiliza.

A Cadeia de Distribuição do QAV no Brasil

A Petrobras atua como principal fornecedora do QAV no país. Comercializa o combustível, produzido em suas refinarias ou importado, para as distribuidoras.

Estas empresas são responsáveis por transportar o QAV até os aeroportos. Lá, vendem o combustível diretamente às companhias de transporte aéreo e outros consumidores finais, ou a revendedores autorizados.

A estatal detém cerca de 85% da produção de QAV no Brasil. Contudo, o mercado é aberto à livre concorrência, permitindo que outras empresas atuem tanto na produção quanto na importação do combustível.

Essa dinâmica de mercado, embora com a Petrobras como protagonista, expõe o setor aéreo e, consequentemente, o consumidor final, às oscilações internacionais e à capacidade de competição entre os diferentes players.

Contexto

O preço do querosene de aviação no Brasil está intrinsecamente ligado à cotação internacional do petróleo e derivados. Eventos geopolíticos, como conflitos e embargos, impactam diretamente a oferta e, consequentemente, o valor do combustível. Essa dependência externa expõe o setor aéreo e a economia nacional a flutuações constantes, exigindo das empresas e do governo adaptações estratégicas para mitigar os impactos na logística e nos custos de transporte.

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