A Seleção Brasileira avançou às oitavas de final da Copa do Mundo na liderança do Grupo C, após vencer a Escócia por 3 a 0 nesta quarta-feira (24), em Miami. O resultado garante ao time de Carlo Ancelotti a melhor campanha da chave, somando sete pontos e um saldo de gols superior ao de Marrocos, que também se classificou.
A partida, disputada no Miami Stadium, marcou a melhor exibição do Brasil até agora no torneio, e confirmou a ascensão de Vinícius Júnior como peça central do ataque, com dois gols. Também foi o retorno de Neymar aos gramados após mais de um mês de afastamento por lesão.
Vinícius Júnior assume protagonismo na Copa
O ataque brasileiro orbitou em torno de Vinícius Júnior. O camisa 7 balançou as redes duas vezes contra a Escócia, atingindo a marca de quatro gols na competição. Com isso, ele entra de vez na disputa pela artilharia, atrás apenas de Lionel Messi, da Argentina, com cinco.
Vini Jr. marcou pelo terceiro jogo consecutivo no Mundial, feito que apenas Jairzinho (1970), Romário (1994), Ronaldo e Rivaldo (ambos em 2002) alcançaram na história da seleção. Todos esses jogadores ergueram o troféu no final.
Ele participou diretamente de seis dos sete gols do Brasil na Copa, demonstrando não apenas poder de finalização, mas também sua capacidade de criar oportunidades. A ascensão do atacante, já consolidado no Real Madrid, se reflete agora na Seleção, onde sua velocidade e drible se tornam armas letais.
Retorno de Neymar e impacto no esquema
A partida em Miami também significou a volta de Neymar aos gramados. O camisa 10, recuperado de uma lesão de grau dois na panturrilha direita, entrou no segundo tempo e jogou por cerca de 20 minutos. Foi sua primeira aparição pela seleção canarinho desde 17 de outubro de 2023, um alívio para a comissão técnica e para os torcedores.
Ancelotti, que acompanhou de perto o processo de recuperação, avaliou a reentrada gradual do atacante. A presença de Neymar, mesmo por um tempo limitado, reanima o setor ofensivo e oferece mais uma opção tática para os duelos eliminatórios.
O Brasil, com ele em campo, ganhou outra dimensão na transição e na capacidade de quebrar linhas defensivas. A ausência de Neymar nos primeiros jogos pesou, mas a boa atuação coletiva, combinada ao brilho de Vini Jr., minimizou os danos.
Logística estratégica para as oitavas de final
Terminar na liderança do Grupo C é uma vantagem tática clara. A equipe brasileira, se chegar à final, jogará todas as suas partidas eliminatórias em território norte-americano. Isso permite à delegação manter a base de treinamento em Nova Jersey, evitando longas viagens.
Menos deslocamentos significam mais tempo para recuperação física dos atletas e menos desgaste logístico. Esta estabilidade é um trunfo em um torneio de curta duração e alta intensidade.
O próximo adversário será o segundo colocado do Grupo F, que pode ser Holanda, Japão ou Suécia. A definição ocorre nesta quinta-feira (25). O jogo das oitavas de final está marcado para a próxima segunda-feira (29), às 14h (horário de Brasília), em Houston.
O jogo: eficiência e controle
O Brasil foi a campo com Rayan na ponta direita, substituindo Raphinha, afastado por lesão na coxa. A Escócia, por sua vez, fez quatro mudanças na escalação, buscando renovar a equipe após a derrota para Marrocos.
A Seleção Brasileira não demorou para abrir o placar. Aos seis minutos, Rayan desarmou McKenna na pequena área, e a bola sobrou para Vinícius Júnior. Ele driblou o goleiro Angus Gunn e marcou.
O Brasil dominava, mesmo com menor posse de bola. Aos 21, um segundo gol de Vinícius Júnior foi anulado. O árbitro César Ramos, após revisão no vídeo, entendeu que houve falta do atacante em Jack Hendry, uma decisão que gerou controvérsia.
A pressão brasileira se intensificou. Nos acréscimos do primeiro tempo, aos 47 minutos, após desarme de Matheus Cunha, a bola chegou a Bruno Guimarães, que cruzou na medida para Vinícius Júnior cabecear livre, marcando seu segundo gol no jogo.
Na volta do intervalo, a Escócia tentou reagir, forçando a primeira intervenção de Alisson em uma cabeçada de Scott McTominay. Contudo, o Brasil manteve a superioridade e ampliou aos 14 minutos da segunda etapa. Casemiro lançou Bruno Guimarães, que rolou para Matheus Cunha. O atacante chutou no canto esquerdo de Gunn, fechando o placar em 3 a 0.
Com a vantagem confortável, Ancelotti promoveu as substituições, incluindo a tão aguardada entrada de Neymar. O astro mostrou alguns lampejos, quase dando uma assistência para Vinícius Júnior, que parou no goleiro escocês. A Escócia, mesmo buscando diminuir o prejuízo no saldo de gols, não conseguiu superar a defesa brasileira, mantendo a tensão sobre sua possível classificação como um dos melhores terceiros colocados.
Marrocos em segundo e Haiti eliminado
No outro confronto do Grupo C, Marrocos venceu o Haiti por 4 a 2, de virada, em Atlanta. O resultado garantiu a classificação dos “Leões do Atlas” às oitavas de final. Eles terminaram em segundo lugar, também com sete pontos, mas com um saldo de gols inferior ao do Brasil (seis a três a favor dos brasileiros).
Marrocos enfrentará o líder do Grupo F na próxima fase. O Haiti, por sua vez, se despediu da Copa do Mundo sem pontuar.
Contexto
A fase de grupos da Copa do Mundo é um estágio crucial para as seleções. A busca pela liderança da chave não se limita apenas à classificação, mas também à garantia de um caminho potencialmente menos complexo nos duelos eliminatórios e vantagens logísticas, como a manutenção da base de operações. O desempenho do Brasil, oscilante nos primeiros jogos, mas culminando em uma atuação mais sólida contra a Escócia, reflete a necessidade de ajustes e o amadurecimento tático sob o comando de Carlo Ancelotti, enquanto os holofotes se voltam para o impacto de jogadores como Vinícius Júnior e o retorno de Neymar na ambição do hexacampeonato.