Novo plano de 28 pontos gera tensões entre EUA e Ucrânia, levantando questões sobre concessões territoriais.

Trump pressiona Zelenski a aceitar um plano que favorece Moscou, levantando tensões entre EUA e Ucrânia.
Com seu novo plano de 28 pontos para acabar com a guerra da Rússia na Ucrânia, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ressurgiu com o argumento de que o presidente ucraniano Volodmir Zelenski não “tem as cartas” para continuar no campo de batalha e deve chegar a um acordo que favoreça fortemente Moscou. O plano foi anunciado em um contexto de crescente pressão sobre Zelenski, que deve responder até a próxima quinta-feira, 27.
Trump, que demonstrou desprezo por Zelenski em seu primeiro mandato, afirmou que o líder ucraniano precisa aprovar o novo plano. Contudo, um dia depois, ele adotou um tom mais conciliador, expressando seu desejo de alcançar a paz. “Estamos tentando acabar com isso. De uma forma ou de outra, temos de acabar com isso”, declarou Trump a repórteres fora da Casa Branca.
Entretanto, senadores críticos à abordagem de Trump expressaram preocupações sobre o conteúdo do plano. Eles se reuniram com o secretário de Estado, Marco Rubio, que defendeu a proposta como uma “lista de desejos” dos russos, em vez de uma solução realista. O Departamento de Estado rapidamente desmentiu essa afirmação, reiterando que o plano foi elaborado pelos EUA.
Zelenski, por sua vez, enfrenta uma situação complicada, marcada por um escândalo de corrupção em seu governo e reveses no campo de batalha, além da iminência de um inverno rigoroso. Ele declarou que a Ucrânia pode estar diante de uma das decisões mais difíceis da sua história, uma vez que as opções disponíveis incluem a perda de dignidade ou o risco de perder um parceiro chave.
A relação entre Trump e Zelenski tem sido tensa desde a primeira ligação entre os dois, em 2019, quando Trump tentou pressionar o líder ucraniano a investigar Joe Biden, o que resultou no seu primeiro impeachment. Agora, a proposta de Trump inclui a pressão para que a Ucrânia ceda território à Rússia, reduza o tamanho de seu exército e aceite que não fará parte da OTAN.
“Agora a Ucrânia pode se ver diante de uma escolha muito difícil: ou perda de dignidade, ou o risco de perder um parceiro chave”, afirmou Zelenski em um vídeo recente. O plano de Trump pede a cessão da região de Donbas, embora essa área ainda esteja sob domínio ucraniano. Analistas indicam que levaria anos para a Rússia conquistar completamente essa região.
Trump, no entanto, insiste que a perda do território é inevitável. “Eles vão perder em um curto período de tempo. Você sabe disso”, declarou durante uma entrevista. A situação permanece tensa, com a Ucrânia navegando por um dilema complexo enquanto lida com as exigências dos Estados Unidos e a agressão contínua da Rússia.