

Mais de cem famílias desabrigadas e bairros inteiros debaixo d’água. Este foi o cenário devastador deixado pelos alagamentos do Ribeirão Quilombo em Sumaré, entre os dias 11 e 13 de setembro, um evento que colocou em xeque a capacidade de resposta municipal.
Diante da urgência e da fragilidade revelada pelas cheias, a Prefeitura de Sumaré agiu: criou e nomeou os integrantes da Comissão Gestora do Fumdec, o Fundo Municipal da Defesa Civil.
Um fundo para tempos de crise: Como Sumaré busca se reerguer
A medida, apesar de parecer tardia — o Fumdec foi previsto em 2012 e só criado em 2025 —, estabelece finalmente uma estrutura dedicada à gestão de recursos para situações de emergência.
Essa comissão, cuja criação era aguardada desde dezembro de 2025, chega em um momento crucial para o município. O objetivo é fortalecer a atuação da Defesa Civil diante de fenômenos climáticos cada vez mais extremos.
O Fundo Municipal da Defesa Civil, vinculado diretamente à Diretoria Municipal da Defesa Civil, terá gestão própria. Ele será alimentado por verbas do Orçamento Municipal, repasses estaduais e federais, além de doações.
Com esses recursos, o Fumdec financiará uma série de ações vitais, que vão da prevenção de desastres à preparação, mitigação, resposta e recuperação pós-eventos críticos.
A prefeitura destaca que a nova comissão “estabelece uma estrutura específica para a administração do Fundo”. Isso promete mais organização e agilidade nos procedimentos relacionados aos recursos destinados à proteção civil.
Os membros da Comissão Gestora foram nomeados por ato oficial do prefeito Henrique do Paraíso (Republicanos), e os serviços prestados por eles serão gratuitos, reconhecidos como relevantes para a cidade.
Ação imediata: Suporte às famílias e reconstrução
Em meio à calamidade, a primeira grande frente de trabalho envolveu o acolhimento das famílias. O prefeito Henrique do Paraíso se reuniu com representantes da Defesa Civil do Estado de São Paulo.
O encontro, realizado no Palácio dos Bandeirantes, teve como pauta principal as demandas urgentes provocadas pelos alagamentos e enchentes.
Cerca de 100 famílias de bairros cortados pelo Ribeirão Quilombo tiveram suas residências tomadas pela água. Muitas delas enfrentaram a dolorosa perda de todos os seus bens.
Os bairros mais afetados pelas cheias recentes incluem Vila Diva, ocupação Três Pontes, e os jardins Primavera, São Domingos, Manchester, Dulce, Picerno e Jatobá. A Rua Crenac, no Jardim Basilicata, também sofreu as consequências.
A prioridade da administração municipal tem sido clara: oferecer suporte imediato aos desabrigados e atender às necessidades mais básicas antes de qualquer outra etapa.
“Neste momento, nossa prioridade é cuidar das pessoas”, declarou o prefeito. Ele reforçou a busca por apoio do Governo do Estado para a recuperação das estruturas danificadas pelas fortes chuvas.
Impacto na região
As inundações em Sumaré, embora localizadas, ressoam em toda a Região Metropolitana de Campinas e cidades próximas como Jundiaí. A vulnerabilidade a eventos climáticos extremos é uma realidade compartilhada, exigindo atenção conjunta.
A gestão de bacias hidrográficas como a do Ribeirão Quilombo, que se conecta a rios maiores, ultrapassa os limites administrativos de um único município. Isso levanta questões sobre a necessidade de planejamento regional integrado contra enchentes.
Moradores de Jundiaí e outras cidades da região, embora não diretamente atingidos por este episódio específico, compreendem o temor dos alagamentos. Eles acompanham as notícias, cientes de que problemas de drenagem e ocupação de áreas de risco são desafios comuns.
O reforço da Defesa Civil em Sumaré, com a criação do Fumdec, pode servir de modelo ou inspiração para que outras administrações locais fortaleçam suas próprias estruturas de proteção e resposta a desastres.


Além do apoio humano, a reunião com o Estado abordou os danos na infraestrutura de Sumaré. Pontes e estradas vicinais foram comprometidas, algumas exigindo interdição imediata.
O que muda com o Fumdec: planejamento e resiliência
A criação do Fumdec não é apenas uma resposta emergencial, mas um passo em direção a um planejamento de longo prazo. Isso representa uma mudança na forma como o município lida com as ameaças climáticas.
Ter um fundo com gestão dedicada significa mais agilidade na alocação de verbas para obras de macrodrenagem e programas de conscientização.
Para os moradores de Sumaré, especialmente os que residem em áreas de risco, a expectativa é de mais segurança e um suporte mais robusto em futuras situações de crise. É a concretização de um esforço por uma cidade mais resiliente.
Enchentes: Uma luta que vai além da emergência
A situação de Sumaré com o Ribeirão Quilombo não é um caso isolado, mas reflete uma questão complexa e recorrente em muitas cidades brasileiras. A urbanização acelerada, muitas vezes desordenada, contribui para a impermeabilização do solo, sobrecarregando os sistemas de drenagem existentes.
Historicamente, a resposta a alagamentos tem sido pontual, focada no pós-desastre. No entanto, o aumento da frequência e intensidade das chuvas, um efeito das mudanças climáticas globais, exige uma abordagem mais proativa e estrutural.
A discussão sobre o Fumdec e a Comissão Gestora em Sumaré, embora provocada por um evento trágico, ilumina a urgência de repensar o planejamento urbano e a infraestrutura. É crucial integrar soluções que considerem a bacia hidrográfica como um todo, não apenas os trechos que cortam uma cidade.
O que está por trás desta decisão em Sumaré é a crescente compreensão de que a resiliência urbana depende de investimentos contínuos em prevenção e de uma gestão coordenada dos recursos. Não basta reagir; é preciso antecipar e mitigar os impactos de fenômenos que, infelizmente, tendem a se tornar mais comuns.



