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Folha Jundiaiense

São Paulo decide a vaga na Sul-Americana buscando encerrar jejum de vitórias

Um mês sem sentir o sabor da vitória. É com esse peso nos ombros que o São Paulo entra em campo nesta terça-feira, às 19h, no Morumbi, para um confronto que pode definir seu destino na Copa Sul-Americana. Uma simples vitória contra o Boston River, do Uruguai, confirmaria a classificação para as oitavas de final, mas o caminho para esse “simples” triunfo tem sido tortuoso.

A equipe do Morumbi não sabe o que é vencer desde 25 de abril, quando superou o Mirassol por 1 a 0 no Brasileirão. De lá para cá, foram oito partidas sem sucesso: cinco empates e três derrotas, um jejum que cobra um preço alto em um momento crucial da temporada. A pressão é palpável e o torcedor espera uma resposta em casa, onde a força tricolor costuma ser implacável.

O Grito Engasgado: O Jejum que Assombra o Morumbi

A fase atual do São Paulo coloca em xeque a confiança do elenco. Em um campeonato continental, a regularidade é fundamental, e o time paulista tem sido uma montanha-russa de emoções. A classificação, que parecia encaminhada, virou um verdadeiro teste de nervos para a torcida e para o técnico Dorival Júnior.

Com nove pontos, o Tricolor lidera o Grupo C, seguido de perto por Millonarios (oito) e O’Higgins (sete). O Boston River, com apenas três, já não tem chances. Isso significa que, mesmo com a derrota, a vaga direta pode vir, mas dependerá de uma combinação de resultados no jogo paralelo entre colombianos e chilenos – um cenário que ninguém deseja.

O perigo maior é terminar em segundo, o que forçaria a equipe a disputar os playoffs contra um terceiro colocado da Libertadores, sobrecarregando ainda mais o já apertado calendário. A vitória no Morumbi, portanto, é mais do que três pontos; é um respiro e a reafirmação de um projeto.

A Muralha Vazia e o Drama dos Gols no Apagar das Luzes

A fragilidade defensiva tem sido um calcanhar de Aquiles para o São Paulo. A média de 1,11 gols sofridos por partida na temporada (38 em 34 jogos) ilustra bem o problema. Somente na sequência de oito jogos sem vencer, a rede tricolor balançou 12 vezes, evidenciando a urgência de ajustes no setor.

O que mais preocupa são os gols sofridos nos minutos finais, que custaram pontos importantes e até uma eliminação. Aconteceu nos empates contra Bahia (2 a 2), Millonarios (1 a 1) e Botafogo (1 a 1), e na dolorosa derrota para o Juventude (3 a 1) que selou a saída da Copa do Brasil.

O que falta para manter o resultado?

A saída de jogadores importantes como Arboleda e a rescisão com Matheus Dória, por diferentes situações extracampo, desfalcaram a zaga. Restam Alan Franco, Sabino, Rafael Tolói e o jovem Osório, de apenas 19 anos, que vive seu primeiro ano no profissional. Para tentar suprir a carência, a comissão técnica deve integrar Igão (18 anos) e Isac (20) ao grupo principal, apostando na base em um momento de alta pressão.

“O que eu sinto é que ainda falta um pouco de confiança para sustentar um resultado, e não apenas construí-lo. Aos poucos, vamos ganhando tudo isso. É natural, todos queremos o resultado, mas é um processo e vai acontecer no momento adequado”, declarou o técnico Dorival Júnior após o empate contra o Botafogo, traduzindo o sentimento do vestiário.

Impacto na região

O desempenho de um clube de grande porte como o São Paulo em competições continentais reverbera muito além da capital. Em cidades como Jundiaí e arredores, onde a paixão pelo futebol é enorme e a torcida tricolor numerosa, cada resultado positivo ou negativo é sentido intensamente. A expectativa por uma campanha vitoriosa na Sul-Americana não só anima os torcedores locais, mas também serve de inspiração para atletas do esporte amador e das categorias de base da região, que sonham em um dia vestir a camisa de um gigante.

Desfalques e o Enigma da Escalação

A lista de problemas no elenco se estende para além da defesa. A partida contra o Botafogo, no Brasileirão, deixou mais baixas: Sabino sofreu uma lesão muscular e ficará dois meses afastado, um golpe duro para a já fragilizada zaga. O camisa 10 Luciano, com dores e suspenso no campeonato nacional, também é preocupação e só voltará após a Copa do Mundo.

No departamento médico, a equipe ainda conta com Cauly e Marcos Antônio. Uma boa notícia é o retorno de Rafael Tolói, que voltará a ser relacionado e pode trazer experiência para o setor. Outra ausência sentida será a de Damián Bobadilla, autor do gol são-paulino no Uruguai, que se recupera de uma pancada no joelho e foi liberado para tratar-se no Paraguai, onde possivelmente será convocado para a seleção de seu país.

Com tantas peças fora, Dorival Júnior terá que quebrar a cabeça para montar o time ideal. A provável escalação para o duelo decisivo contra o Boston River deve ter Rafael; Lucas Ramon, Alan Franco, Rafael Tolói e Wendell; Pablo Maia e Danielzinho e Pedro Ferreira; Artur, Calleri e Ferreirinha, buscando a formação que traga a tão necessária vitória.

Boston River: Um Adversário que Busca Honra

Do outro lado do campo estará o Boston River, uma equipe que, apesar de eliminada da Sul-Americana, não deve ser subestimada. Os uruguaios, que eram considerados o “saco de pancadas” do Grupo C, surpreenderam na última rodada ao vencer o O’Higgins, um resultado que indiretamente ajudou o próprio São Paulo na tabela.

A temporada do clube uruguaio também não é das melhores em seu país, terminando o Apertura na 13ª posição entre 16 times. Apesar de ter estreado no Intermedio com uma goleada sobre o Cerro por 4 a 1, a equipe vem de uma derrota por 3 a 0 para o Cerro Largo, mostrando sua inconstância. Para o jogo no Morumbi, o técnico Ignacio Ithurralde deve escalar Bruno Antúnez; Lautaro Vázquez, Mateo Rivero, Martín González e Ignacio Fernández e Jairo O’Neil; Francisco Barrios, Federico Dafonte, Agustín Amado e Gastón Ramírez; Francisco Bonfiglio.

A Sula: Mais que um Troféu, um Respiro

A Copa Sul-Americana, para o São Paulo, transcende a busca por um simples título. Após anos de uma seca incômoda de grandes conquistas, a competição continental representa uma das poucas chances de coroar a temporada com um troféu expressivo, o que é fundamental para a moral do elenco e para a pacificação de uma torcida que anseia por glórias. É um caminho mais palpável em comparação ao Brasileirão, onde a disputa é mais longa e acirrada.

O clube, que já viveu eras de hegemonia nacional e internacional, busca na “Sula” um trampolim para reencontrar seu protagonismo. A evolução da equipe sob o comando de Dorival Júnior tem sido marcada por altos e baixos, e a classificação para as oitavas seria um passo crucial para solidificar o trabalho, dar confiança aos jovens talentos e provar a resiliência do grupo, mesmo diante de tantas adversidades.

Por que este momento importa tanto agora? A classificação é vital para manter o calendário cheio, atrair investimentos e, principalmente, reverter o clima de desconfiança. É a oportunidade de virar a chave, deixar o jejum para trás e mostrar que, apesar das dificuldades, o São Paulo ainda tem a força e a tradição para lutar por um título continental, reenergizando todo o ambiente no Morumbi e entre seus milhões de torcedores.

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