Em um cenário que parecia saído de um centro de pesquisas espaciais, dezenas de foguetes, feitos de materiais simples, rasgaram o céu de Jundiaí. A cena, vibrante e ruidosa, marcou o auge de um projeto que transformou salas de aula em verdadeiros laboratórios de engenharia na EMEB Luzia Francisca de Souza Martins, localizada no bairro Ivoturucaia.
O que para muitos poderia ser apenas uma brincadeira, revelou-se um método inovador de aprendizado, mobilizando 64 estudantes do 3º ano. Eles construíram, testaram e lançaram protótipos em uma atividade que mescla ciência, criatividade e competição, integrando o programa Escola da Gente.
Foguetes que Decolaram do Caderno para o Campo
A iniciativa, que culminou nos lançamentos em campo aberto, é parte de um torneio de foguetes. Seus resultados não ficarão restritos aos muros da escola, pois serão considerados na prestigiada Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), abrindo portas para o universo científico desde cedo.
Antes de verem suas criações singrarem os ares, os pequenos cientistas mergulharam em um processo intenso. Aprenderam a confeccionar os foguetes artesanais, realizaram testes preliminares e participaram de diversas atividades que aprofundaram conceitos de matemática, raciocínio lógico e ciências.
A proposta inicial partiu da professora Alone, que contou com o apoio essencial de toda a equipe escolar para expandir a ideia e torná-la uma experiência memorável para as crianças envolvidas.
Mãos na Massa: O Caminho para Despertar a Curiosidade Científica
Colocar a mão na massa faz toda a diferença no processo de ensino. Para a diretora da EMEB, Camila Vendramin Lagger, esta abordagem eleva significativamente o engajamento dos alunos com o conteúdo programático.
“Quando eles colocam a mão na massa e depois veem a execução, é bem diferente. As crianças se envolvem muito mais. Hoje eles estavam empolgados, contando como foi o lançamento dos amigos, comemorando os resultados”, destacou Camila. Ela ressaltou que a atividade mostra como o aprendizado pode ir muito além da lousa e do papel.

Impacto na região
Para os moradores de Jundiaí e, de forma mais direta, do bairro Ivoturucaia, a iniciativa da EMEB Luzia Francisca de Souza Martins vai além de um simples torneio escolar. Ela representa um investimento visível na educação pública local, oferecendo aos jovens uma oportunidade única de contato prático e instigante com as áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).
Este tipo de projeto reforça a qualidade do ensino na cidade, inspirando futuras gerações e mostrando o potencial de transformação que uma escola pode ter na comunidade. Ações assim preparam os estudantes para os desafios do futuro, estimulando o pensamento crítico e a resolução de problemas.
Parceria Estratégica: Tecnologia e Criatividade em Sintonia
Os foguetes utilizados, de nível 1, foram construídos com canudos e outros materiais simples, evidenciando que a inventividade pode superar a complexidade dos recursos. A necessidade de espaço aberto para os lançamentos, visando distâncias maiores, transformou o ambiente em um verdadeiro palco de experimentação.
A atividade buscou aproximar as crianças de campos como a engenharia, a astronomia e as ciências em geral. A diretora Camila Lagger expressou sua esperança: “Quem sabe estamos despertando aqui futuros astronautas?”, conjecturou, indicando o potencial inspirador da experiência.
O projeto contou com o apoio valioso do FabLab, um laboratório de fabricação digital criativa. A colaboração do FabLab foi fundamental, concretizando o esforço dos alunos na forma de medalhas e troféus entregues aos participantes.
O espaço, conhecido por incentivar projetos educacionais focados em tecnologia e ciência, reforça a importância da multidisciplinaridade. Para Alan Alves Meira, coordenador do FabLab, a atividade é crucial para estimular a curiosidade infantil.
“É importante porque desperta a curiosidade das crianças sobre temas como foguetes e sistema solar. Elas têm muito interesse pelo assunto e nós estamos aqui para apoiar tanto os alunos quanto os professores”, afirmou Alan, destacando o valor da parceria entre instituições.

Talentos em Órbita: Destaques do Lançamento
O torneio de foguetes revelou talentos precoces e momentos de pura emoção. Entre os destaques, o jovem Nicolas André da Silva conseguiu um feito impressionante, alcançando mais de 100 metros com o foguete que ele mesmo construiu.
“Foi muito legal. Eu sempre quis ver um foguete. Quem sabe quando eu crescer eu possa ser um astronauta?”, comentou Nicolas, com o brilho nos olhos de quem sonha alto.
A estudante Helena Maria Santos também se sobressaiu, lançando seu foguete artesanal a uma distância notável de 90 metros. Sua performance demonstrou a dedicação e o cuidado investidos no projeto.
“Eu me senti orgulhosa. Foi muito legal participar”, relatou Helena, expressando a satisfação de ver o próprio trabalho culminar em um resultado tão positivo.
Além da emoção da competição, a atividade incentivou valores fundamentais, como o trabalho em equipe, a criatividade e, principalmente, o interesse genuíno pelo conhecimento científico. Tudo isso foi apresentado de uma forma prática, envolvente e divertida para as crianças.

A Trajetória do Aprendizado: Por Que a Ciência Decola na Escola
A experiência vivida pelos alunos de Jundiaí não é um evento isolado, mas parte de uma tendência global de valorização do ensino prático e experiencial. Há décadas, educadores buscam formas de conectar o currículo escolar à realidade dos estudantes, tornando o conhecimento mais significativo e menos abstrato.
A evolução desse pensamento pedagógico transformou a escola de um ambiente meramente transmissor de informações para um espaço de descoberta e criação. Programas como a Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) e iniciativas como o FabLab surgem para preencher essa lacuna, incentivando a participação ativa e o desenvolvimento de habilidades do século XXI.
A importância de projetos como o dos foguetes vai além do aprendizado de física ou matemática. Ele estimula a resiliência diante de falhas, a capacidade de trabalhar em equipe e o pensamento inovador. Em um mundo cada vez mais movido por tecnologia e dados, a formação de mentes curiosas e capazes de solucionar problemas é um ativo inestimável para o futuro da sociedade.