Quem acompanha quadrinhos urbanos já se perguntou para onde vão os capangas de vilões depois de levarem uma surra de Jessica Drew, do Homem-Aranha ou do Demolidor. A resposta chegou em Spider-Woman #1 (2026) e passa por hospital, enfermeiras cansadas e um benefício trabalhista nada convencional.
Do asfalto à emergência
O roteiro é de Dan Watters, com arte de Andrea Broccardo. Na abertura, a Mulher-Aranha encara os homens do Lápide e deixa vários deles inconscientes. Um tenta atacá-la pelas costas e acaba espancado de forma brutal, o que impressiona até o chefe do crime.
A cena seguinte troca a rua pelo pronto-socorro. Uma enfermeira veterana recebe o aviso de que pacientes feridos estão a caminho e prepara uma colega mais jovem. Ela descreve os recém-chegados assim:
Homens com egos feridos e braços quebrados.
A orientação é simples: não encarar os pacientes nem dar ouvidos ao que eles disserem. Em seguida, a mesma personagem solta o detalhe mais improvável:
Ótimo plano de saúde.
Reprodução/Marvel ComicsReprodução/Marvel Comics
A leitura mais provável é que os chefes do crime, como Wilson Fisk e o próprio Lápide, entre outros, ofereçam o benefício junto com o emprego. Trocando em miúdos, sim, até capangas de criminosos têm direitos trabalhistas, ao menos no universo Marvel.
O assassino que poupou o Lápide
O clima azeda quando um novo vilão começa a eliminar integrantes das famílias criminosas de Nova York. Ele ataca todos os clãs, menos o do Lápide, e por isso Jessica passa a desconfiar do próprio mafioso. Logo ela percebe que o responsável é outra pessoa.
No hospital, o assassino massacra os capangas internados, prova cruel de que nem o melhor convênio protege quem trabalha para o submundo. A vida do CLT realmente não é fácil.
Lápide, por sua vez, está em alta nas telas. Marvin Jones III interpreta o vilão em Homem-Aranha: Um Novo Dia, onde aparece pendurando o herói em um prédio, como mostraram fotos de bastidores publicadas pelo Ei Nerd. Os soldados do Tentáculo que circulam pelo filme ilustram bem o tipo de figura que a HQ resolveu humanizar. A história cita ainda Demolidor, Cavaleiro da Lua e Punho de Ferro como heróis que costumam ser responsáveis pela lentidão no atendimento do PS.
O submundo ganha rotina
Mostrar a logística do crime é uma forma esperta de dar textura ao universo. A cena pode indicar que a Marvel quer tratar os soldados de rua como trabalhadores com contas e benefícios, e não como figurantes que somem após cada luta. Para os fãs, o ganho é um humor ácido que combina com a Mulher-Aranha. O risco é o contraste, já que a piada vira tragédia quando o assassino entra no hospital.
Folha Jundiaiense
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