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Folha Jundiaiense

Neymar repete exames e continua sem treinar com a seleção brasileira

O atacante Neymar realizou um novo exame de controle na segunda-feira (15), aprofundando as dúvidas sobre sua recuperação de uma lesão grau dois na panturrilha direita. Sua participação na Copa do Mundo nos Estados Unidos, México e Canadá, especialmente no próximo jogo contra o Haiti, se mostra cada vez mais improvável. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) confirmou o procedimento.

O camisa 10, com 32 anos, segue fora dos treinos de campo com a seleção brasileira.

Desde a convocação para o torneio, o atacante não pôde pisar na grama para participar de atividades táticas ou com bola. Sua rotina tem sido estritamente de fisioterapia e fortalecimento muscular.

No Columbia Park, centro de treinamento do New York Red Bulls, em Morristown, ele novamente não participou das atividades com o grupo principal. A cena do jogador afastado do campo já se tornou familiar aos torcedores e à imprensa.

A ausência prolongada desfez a expectativa do técnico Carlo Ancelotti. Na última semana, o comandante ainda esperava poder contar com o atacante para os primeiros compromissos da seleção.

Agora, o cenário para o jogo de sexta-feira (19), às 21h30 (horário de Brasília), contra o Haiti, na Filadélfia, é de quase certeza de nova ausência de Neymar no gramado.

Recuperação Contraditória e o Cronograma Médico

Desde sua apresentação à seleção brasileira, em 27 de maio, na Granja Comary, em Teresópolis (RJ), Neymar cumpre apenas sessões de fisioterapia e atividades de fortalecimento e preparação física. Ele não participou de nenhum trabalho de campo.

CBF e Ancelotti mantêm a comunicação de que o atleta “está evoluindo bem”. A evolução, no entanto, não se traduziu em um retorno aos trabalhos com o grupo.

Um exame de ressonância magnética, realizado ainda em Teresópolis, confirmou a gravidade da lesão na panturrilha direita, estabelecendo um panorama mais claro sobre a necessidade de tempo para sua recuperação.

Antes disso, o Santos, ex-clube do jogador, havia emitido informações distintas. Em 17 de maio, dez dias antes da apresentação à seleção, o clube paulista comunicou apenas um “edema” por uma “leve pancada”.

O diagnóstico foi dado após derrota por 3 a 0 para o Coritiba, pelo Campeonato Brasileiro, na Neo Química Arena, em São Paulo.

O Santos chegou a afirmar que Neymar estaria “apto a voltar às atividades” até 31 de maio, criando uma expectativa diferente da realidade clínica.

O médico da CBF, Rodrigo Lasmar, corrigiu o prazo e trouxe uma avaliação mais precisa. Ele informou que o camisa 10 precisaria de um período de recuperação entre duas e três semanas.

Esse prazo mais conservador, estabelecido pelo departamento médico da seleção, se encerra nesta quarta-feira (17), tornando a situação do atacante mais delicada diante do calendário apertado da Copa do Mundo.

O Peso da Ausência e os Próximos Passos na Copa

A seleção brasileira estreou na Copa do Mundo com um empate em 1 a 1 com o Marrocos no sábado (13), em Nova Jersey. Neymar assistiu à partida do banco de reservas, apoiando os companheiros.

Sua imagem no banco, impossibilitado de entrar em campo em um momento de empate, ressalta a impotência do astro diante de mais uma lesão em um momento decisivo da carreira e da seleção. A expectativa da torcida por seu retorno é um fator constante.

Brasil e Marrocos somam um ponto cada no Grupo C. A liderança provisória é da Escócia, que, no mesmo dia, venceu o Haiti por 1 a 0 em Boston, acumulando três pontos. Os caribenhos permanecem zerados.

A ausência de Neymar muda a dinâmica tática da equipe comandada por Carlo Ancelotti. O ataque perde seu principal articulador de jogadas e artilheiro, exigindo adaptações.

Ancelotti precisa encontrar soluções para a criação, com jogadores como Rodrygo e Vini Jr. assumindo ainda mais protagonismo e responsabilidade na frente do gol.

A preocupação da comissão técnica vai além do jogo contra o Haiti, teoricamente um adversário mais acessível. A Copa do Mundo é longa, e a recuperação completa do atacante é essencial, especialmente para as fases eliminatórias, onde o Brasil precisará de todo seu poderio ofensivo.

Contexto

A saúde de Neymar e sua disponibilidade para a seleção brasileira tornaram-se um tema recorrente em grandes competições. Desde a Copa do Mundo de 2014, quando sofreu uma fratura vertebral, o atacante acumulou uma série de lesões que impactaram sua participação em torneios importantes. Esse histórico alimenta um debate constante sobre a dependência do Brasil em relação ao seu principal jogador e a capacidade da equipe de render em alto nível sem ele. A gestão de atletas com o histórico de Neymar envolve não apenas o tratamento físico, mas também o psicológico, em meio à pressão de milhões de torcedores e a responsabilidade de ser o rosto do futebol nacional. A busca pela primeira vitória na Copa, sem sua maior estrela, coloca a equipe sob um escrutínio intenso, reativando discussões sobre a profundidade do elenco e a estratégia de Carlo Ancelotti para superar os desafios sem o camisa 10.

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