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Município tomba Casarão do Marquês de Três Rios como patrimônio

Um tesouro arquitetônico com quase 160 anos de história e um jardim assinado por Roberto Burle Marx acaba de ganhar uma nova e robusta camada de proteção. Em Valinhos, a sede do Clube de Campo Vale Verde, conhecida como Casarão do Marquês de Três Rios, agora está duplamente blindada contra quaisquer intervenções que ameacem sua memória.

A medida, oficializada por uma nova lei municipal, significa que cada reforma, demolição ou construção no local precisará de aprovação minuciosa. O que antes já contava com a vigilância estadual, agora ganha um reforço local, ampliando significativamente o rigor sobre um dos mais importantes patrimônios da região.

O Casarão de Valinhos: Um Legado sob Dupla Proteção

A Lei Nº 7.002, sancionada em 27 de outubro de 2026, inscreve oficialmente o imponente Casarão do Marquês de Três Rios no Livro de Tombo do Patrimônio Material de Valinhos. Esta decisão amplia o rol de instâncias que precisam dar aval para qualquer modificação no conjunto arquitetônico e paisagístico.

Desde 2004, o imóvel já figurava entre os bens protegidos pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat). A resolução estadual, SC-56, de 9 de dezembro daquele ano, já abarcava não só a edificação, mas também a área envoltória, abrangendo toda a propriedade do Clube de Campo Vale Verde.

Com a nova legislação, o município se torna um guardião direto deste legado. Agora, qualquer intervenção, seja uma nova construção ou uma simples reforma, passa a ter uma fiscalização ainda mais próxima, garantindo a integridade do espaço.

Impacto na região

A proteção ampliada do Casarão do Marquês de Três Rios transcende os limites de Valinhos, reverberando em cidades vizinhas como Jundiaí e em toda a região metropolitana. Patrimônios como este representam um elo vital com o passado da cafeicultura e a formação do interior paulista, cenários históricos que conectam a memória de diversas comunidades.

Para os moradores e empreendedores da região, a preservação de ícones como o casarão significa a manutenção de um cartão-postal histórico, com potencial de atrair turismo cultural e fomentar uma economia local mais diversificada. A valorização da história e da arquitetura de uma cidade inspira o desenvolvimento de rotas turísticas e a conscientização sobre a importância de outros bens culturais próximos.

A decisão de Valinhos pode, inclusive, servir de precedente para que outros municípios da esfera de Jundiaí e Campinas olhem com mais atenção para seus próprios tesouros esquecidos. Preservar o patrimônio é proteger a identidade de uma comunidade e seu lugar na grande tapeçaria da história paulista.

Do Café ao Jardim de Burle Marx: A Memória que será Restaurada

A construção do casarão, datada entre 1860 e 1865, testemunhou a ascensão da cafeicultura no interior do estado. Sua arquitetura imponente é um espelho de uma era de expansão econômica, carregando consigo as marcas de quase 160 anos de história.

Além da edificação principal, o conjunto histórico abriga um projeto paisagístico singular, idealizado em 1972 pelo renomado paisagista Roberto Burle Marx. É essa combinação harmoniosa de arquitetura e natureza que, agora, recebe a proteção integral do Livro de Tombo municipal.

Milhões para resgatar o esplendor

O futuro do casarão inclui um ambicioso projeto de preservação, sob a responsabilidade da Secretaria de Cultura e Turismo. Para a restauração completa, estão previstos R$ 2 milhões da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), um programa federal de apoio a iniciativas culturais.

A captação e execução desses recursos estão a cargo do proponente Brasil Restauro, Arquitetura e Cultura. Contudo, o estágio exato do montante – se já empenhado, contratado ou apenas previsto – ainda aguarda confirmação, assim como os prazos para o início das obras que prometem devolver o antigo esplendor ao local.

O Que Impulsionou a Nova Lei de Proteção?

A iniciativa para o tombamento municipal partiu dos vereadores Rafael Marques (PL) e Edison Secafim (PL), sendo aprovada por unanimidade na Câmara Municipal de Valinhos. A lei não apenas garante a inscrição do imóvel no Livro de Tombo, mas também estabelece diretrizes claras para a proteção da área envoltória, cujos critérios de uso e ocupação do solo serão definidos pelo Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Cultural de Valinhos (CONDEPAV).

Fabrício Bizarri, Secretário de Cultura e Turismo, enfatiza a relevância da nova medida. “Com o tombamento municipal, ampliamos os instrumentos legais para cuidar desse conjunto, reconhecendo sua importância histórica, arquitetônica e paisagística”, explica o secretário, reforçando o compromisso da cidade com a preservação de seu legado.

Um Olhar Ampliado sobre a Preservação Cultural

O tombamento do Casarão do Marquês de Três Rios em Valinhos se insere em um movimento mais amplo de valorização do patrimônio histórico no Brasil, uma tendência que ganhou força nas últimas décadas. Cidades por todo o país têm buscado formas de proteger seus bens culturais, reconhecendo que estes são fundamentais para a identidade e memória coletiva.

Esse esforço reflete uma mudança de percepção, onde edifícios e paisagens deixam de ser vistos apenas como estruturas físicas para se tornarem depositários de histórias, saberes e tradições. A legislação de proteção evoluiu, tornando-se mais abrangente e buscando não apenas a salvaguarda do objeto em si, mas também do seu contexto e entorno.

A importância desse assunto ressalta-se agora, pois a pressão urbana e o desenvolvimento imobiliário muitas vezes ameaçam esses vestígios do passado. Garantir a preservação, como feito em Valinhos, é assegurar que as novas gerações possam se conectar com suas raízes, entendendo a trajetória que moldou suas comunidades e o valor da arquitetura histórica para a paisagem urbana.

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