Pesquisar
Folha Jundiaiense

Moraes solicita parecer da PGR sobre inclusão de Jair e Flávio

Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR). Ele deu cinco dias para o órgão se manifestar sobre a inclusão do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no inquérito que apura a atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

A decisão de Moraes, proferida nesta terça-feira, surge após pedido do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ). O parlamentar solicita uma apuração específica sobre a hipótese de desvio de valores originalmente destinados ao filme sobre a vida de Jair Bolsonaro.

A suspeita é grave: esses recursos teriam financiado uma campanha internacional de sanções, restrições de vistos, imposição de tarifas e coação contra autoridades brasileiras. Tal estratégia, se confirmada, representaria um movimento inédito de descredibilização de instituições nacionais por figuras políticas internas no cenário global.

Hoje, Eduardo Bolsonaro já é alvo da investigação por coação e tentativa de interferência no julgamento do pai por tentativa de golpe de Estado. A ampliação do inquérito para incluir o ex-presidente e o senador indicaria uma possível ramificação ainda maior do esquema.

Lindbergh Farias, em sua petição, detalha uma série de crimes que deveriam ser investigados. Ele citou lavagem de dinheiro, financiamento eleitoral irregular e propaganda eleitoral dissimulada, crimes que se conectam diretamente ao fluxo de recursos ilícitos.

O deputado elencou ainda caixa paralelo, organização criminosa, coação no curso do processo e atentado à soberania nacional. A lista mostra a complexidade e a amplitude das acusações que pesam sobre os envolvidos.

Verbas do Banco Master no foco

A demanda para incluir Jair e Flávio Bolsonaro no inquérito ganhou força após reportagem do portal The Intercept Brasil. A publicação trouxe à tona mensagens de áudio do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, pedindo dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

O objetivo do pedido, segundo os áudios, era cobrir parte dos custos de produção da cinebiografia do pai. As gravações indicam que Vorcaro teria concordado em destinar R$ 134 milhões ao filme, com ao menos R$ 61 milhões efetivamente liberados.

Antes da reportagem, Flávio Bolsonaro negava qualquer relação com o banqueiro. A postura mudou drasticamente após a divulgação dos áudios. Ele passou a admitir o contato com Vorcaro, alegando que a aproximação ocorreu em 2024, já após o fim do governo Bolsonaro e antes de o banqueiro se tornar réu em investigações.

Essa versão, contudo, se desfez em parte. O senador admitiu ter se reunido com Daniel Vorcaro mesmo depois da primeira prisão do dono do Banco Master, ocorrida em novembro de 2025, no âmbito da Operação Compliance Zero. Tal encontro, posterior à detenção de um investigado por grave esquema financeiro, levanta sérios questionamentos sobre a natureza das relações.

Daniel Vorcaro está preso, acusado de liderar uma complexa e vultosa fraude contra o sistema financeiro nacional. A Operação Compliance Zero revelou um esquema que envolvia a emissão de títulos fraudulentos e a criação de empresas de fachada, gerando perdas bilionárias e abalando a confiança no mercado bancário.

O suposto papel de Eduardo Bolsonaro na administração desses valores, repassados por Vorcaro, o coloca no centro da articulação financeira da família. Ele seria a peça-chave na gestão dos recursos que, segundo a acusação, teriam seu destino original alterado.

A ligação entre dinheiro de um banqueiro envolvido em fraudes e o financiamento de uma produção audiovisual de cunho político é um ponto nevrálgico da investigação. A origem e o fluxo desses fundos são cruciais para determinar a legalidade das operações e a extensão do envolvimento dos membros da família.

Bolsonaros encontram Trump em Washington

Em um desdobramento que adiciona um novo elemento ao cenário político e judicial, Flávio e Eduardo Bolsonaro se reuniram nesta quarta-feira com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington. As fotos do encontro, que também contou com a presença do blogueiro Paulo Figueiredo, foram amplamente divulgadas nas redes sociais.

A aparição ao lado de Trump, figura influente na direita global, ocorre em um momento de intensa pressão jurídica sobre a família. O encontro pode ser interpretado como uma busca por apoio internacional ou uma tentativa de projetar força e alinhamento político em meio às crescentes acusações no Brasil.

A alegada campanha internacional de sanções e coação contra autoridades brasileiras, se provada, teria impactos profundos na política externa do país. Restrições de vistos, tarifas comerciais e pressões diplomáticas poderiam isolar o Brasil e prejudicar sua imagem perante a comunidade internacional. A suspeita é de que parlamentares brasileiros estariam, neste cenário, minando a própria soberania nacional em favor de interesses particulares.

Contexto

O inquérito que agora mira a possível inclusão dos irmãos Bolsonaro se insere em um quadro mais amplo de investigações que envolvem a família. Desde o fim do mandato presidencial de Jair Bolsonaro, diversas frentes de apuração, conduzidas por diferentes instâncias do Judiciário e da Polícia Federal, vêm abordando temas como a tentativa de golpe de Estado, joias desviadas, fraude em cartões de vacina e milícias digitais. A atuação de congressistas brasileiros no exterior, como a suposta campanha de sanções, adiciona uma dimensão transnacional a esses processos, testando os limites da influência política e da legalidade.

Leia mais

Destaques

plugins premium WordPress