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Folha Jundiaiense

Árbitro suspenso comanda Bélgica x Egito após polêmica no Brasil

A escalação para a Copa do Mundo é o sonho de todo árbitro, o coroamento de uma carreira. Mas para Ramon Abatti Abel, o caminho até o gramado de Seattle, onde comandará Bélgica e Egito no Mundial de 2026, foi pavimentado não só por uma ascensão meteórica, mas também por um rastro de decisões que incendiaram o futebol brasileiro e o colocaram no olho do furacão.

O catarinense, que já fez história ao apitar a final olímpica em Paris 2024, carrega nos ombros a responsabilidade de representar o Brasil em um dos maiores palcos do esporte. Os ecos de seus lances capitais, contudo, ainda reverberam nas discussões de torcedores e especialistas por aqui.




Ramon Abatti Abel, árbitro brasileiro do jogo Bélgica e Egito da Copa de 2026.

Ramon Abatti Abel, árbitro brasileiro do jogo Bélgica e Egito da Copa de 2026.

Foto: Getty Images

Do gramado nacional ao palco da Copa: a ascensão sob pressão

A notícia de que o árbitro catarinense comandaria um embate da primeira fase da Copa do Mundo de 2026, com os assistentes também brasileiros Danilo Manis e Rafael Alves, foi recebida com orgulho e expectativa. É a consagração de um trabalho que o levou ao quadro da FIFA em 2022.

Aos 33 anos, o promissor juiz consolidou-se rapidamente entre os principais nomes do apito nacional, com a notável marca de ser o primeiro do país a arbitrar a final do torneio masculino de futebol dos Jogos Olímpicos de Paris em 2024. Uma trajetória de sucesso, sem dúvida.



Árbitro brasileiro escalado para o jogo da Copa do Mundo de 2026.

Árbitro brasileiro escalado para o jogo da Copa do Mundo de 2026.

Foto: Reprodução/ Fifa

O Brasil, aliás, tem forte representação no quadro de árbitros para o Mundial, com o paulista Raphael Claus e o goiano Wilton Pereira Sampaio também escalados. Juntos, eles formam a base de uma delegação que carrega a bandeira brasileira no complexo universo da arbitragem internacional.

Impacto na região

A cada fim de semana, nos campos de várzea de Jundiaí, nos clássicos regionais ou nas rodas de conversa dos bares locais, o debate sobre a arbitragem é uma paixão nacional. Quando um nome como Ramon Abatti Abel ascende ao cenário global, mas com um histórico de decisões polêmicas, essa discussão ganha ainda mais força.

Para os árbitros em formação na região, sua trajetória é um espelho. Mostra o ápice que se pode alcançar, mas também a implacável cobrança e o escrutínio constante que acompanham cada apito, cada cartão, ecoando a realidade de que a paixão do futebol não perdoa equívocos, seja em um jogo da Copa ou em uma partida de bairro.

O rastro de polêmicas nos gigantes do Brasil

A jornada de Ramon Abatti Abel no futebol brasileiro, especialmente nas últimas temporadas do Brasileirão e Copa do Brasil, foi marcada por lances de grande repercussão que geraram debates acalorados entre clubes, torcedores e imprensa.

Em 2022, no empate por 1 a 1 entre Palmeiras e Flamengo, o apito do catarinense foi alvo de intensas críticas. Um pênalti controverso envolvendo Arturo Vidal e Gustavo Gómez, não assinalado, e a confusão na súmula sobre o autor do gol palmeirense, são lembranças amargas para os envolvidos.

Ainda em 2022, na Copa do Brasil, o confronto entre Fluminense e Corinthians teve um momento decisivo. Após uma entrada forte de Fágner em Arias dentro da área, o árbitro inicialmente ignorou, mas reviu a jogada com o VAR e assinalou a penalidade máxima para o Tricolor. A grande questão, porém, foi a manutenção do cartão amarelo para o lateral corintiano, quando muitos pediam a expulsão.

O Brasileirão de 2023 também trouxe lances para o currículo do juiz. Na estreia, em Botafogo e São Paulo, uma entrada dura de Jhegson Méndez em Eduardo, do Glorioso, resultou apenas em amarelo, apesar dos fortes pedidos por um vermelho direto. O lance foi duramente contestado pelos jogadores do Alvinegro.

Em mais um Palmeiras x Flamengo pelo campeonato nacional, ocorrido no mesmo ano, o Rubro-Negro protestou veementemente contra a arbitragem. Um possível pênalti sobre Everton Ribeiro, em disputa com Richard Ríos, não foi marcado, mesmo com o palmeirense já amarelado. Além disso, uma polêmica revisão de impedimento após a paralisação do jogo levantou dúvidas sobre o protocolo do VAR.

Na sequência do Brasileirão de 2023, o Botafogo, em sua derrota para o Atlético-MG por 1 a 0, viu um gol de Diego Costa ser anulado por impedimento. A argumentação alvinegra era de que a bola havia desviado em Maurício Lemos, o que anularia a infração, adicionando mais um capítulo à lista de reclamações contra o apito do catarinense.

Entre o VAR e o apito: decisões que viraram debate nacional

O ano de 2024 manteve a rota de controvérsias para a equipe de arbitragem. Em um clássico entre Vasco e Botafogo em São Januário, uma entrada forte de Hugo Moura em Tchê Tchê, nos primeiros minutos, não foi sequer advertida com cartão amarelo. A ausência de interferência do VAR na jogada causou grande indignação entre os botafoguenses e nos comentários pós-jogo.

No Atlético-MG x Flamengo, mesmo com a vitória rubro-negra por 4 a 2, a atuação do juiz foi pauta. O time carioca reclamou de dois pênaltis sobre Pedro e Erick Pulgar que não foram assinalados. Já o Galo teve uma penalidade marcada a seu favor após revisão do VAR em um lance envolvendo Allan e Eduardo Vargas, exemplificando a complexidade das interpretações.

No empate de 2 a 2 entre Palmeiras e Fortaleza em 2024, o apito de Ramon novamente esteve sob os holofotes. Dois pênaltis foram marcados para o Alviverde, e uma agressão de Emmanuel Martínez em Richard Ríos, que passou impune, geraram forte indignação. O mais grave, porém, foi a falta de revisão em um lance em que Weverton empurrou Yago Pikachu, que resultou no afastamento do árbitro pela CBF após a partida. Uma sanção que demonstra a gravidade da situação.

O ano de 2025 começou com outro Palmeiras x Flamengo sob o olhar de Ramon Abatti Abel. Novamente, polêmicas sobre pênaltis e possíveis expulsões pautaram o debate. Um pênalti para o Alviverde foi defendido por Rossi, e depois um para o Rubro-Negro, convertido por Arrascaeta, inflamaram o jogo. As discussões sobre um possível segundo cartão para Gustavo Gómez e um pênalti não marcado em Léo Ortiz demonstraram que o histórico de controvérsias do árbitro segue em pauta.

Ainda em 2025, no clássico paulista entre São Paulo e Palmeiras no MorumBIS, Ramon Abatti Abel viu seu nome novamente em evidência. O Tricolor reclamou de um pênalti não marcado sobre Tapia e da não expulsão de Andreas Pereira após uma dura entrada. A derrota são-paulina por 3 a 2, depois de abrir dois gols de vantagem, amplificou os protestos e culminou em uma suspensão de 40 dias imposta pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) ao árbitro.

O Xadrez da Arbitragem Brasileira: Entre o Erro Humano e a Pressão Tecnológica

A trajetória de Ramon Abatti Abel, marcada por uma ascensão meteórica ao cenário internacional e, ao mesmo tempo, por um rosário de lances contestados no Brasil, é um reflexo das complexidades da arbitragem contemporânea. Em um esporte onde a paixão move multidões, a figura do árbitro vive sob um escrutínio sem precedentes, amplificado pela tecnologia e pelas redes sociais.

A chegada do VAR prometeu mais justiça, mas também trouxe novas camadas de debate, transformando a “interpretação” em um campo minado onde cada decisão é dissecada em pixels. O que antes era erro humano de campo, agora se soma à discussão sobre protocolos, pontos de vista e o tempo de revisão, gerando uma pressão colossal sobre os profissionais do apito.

A experiência do árbitro catarinense, com suspensões e notas baixas por parte das comissões, mostra que o caminho para o topo é árduo e que o nível de exigência no cenário nacional, especialmente em jogos de alta rivalidade, serve como um verdadeiro teste de fogo. Sua presença na Copa do Mundo, apesar das polêmicas, é um indicativo de que a FIFA vê potencial e qualificação, mesmo com as tempestades que ele enfrentou por aqui.

Entender a jornada de árbitros como Ramon é compreender a evolução do esporte. É ver como o histórico em competições de altíssimo nível, onde cada lance pode definir um campeonato, prepara (ou não) o profissional para os palcos globais. A capacidade de gerenciar o jogo, as emoções dos atletas e a repercussão externa são habilidades tão cruciais quanto o conhecimento da regra.

Assim, o futuro da arbitragem brasileira, com seus desafios e suas promessas, continua a ser escrito a cada apito, cada decisão e, invariavelmente, a cada polêmica. O caso de Ramon Abatti Abel serve como um lembrete vívido de que a linha entre a glória e a crítica severa é tênue, tanto no futebol nacional quanto nos grandes torneios internacionais.

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