Pesquisar
Folha Jundiaiense

Ministério da Saúde suspende vacina do Butantan para dengue

O Ministério da Saúde suspendeu, nesta segunda-feira, a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo **Instituto Butantan**. A decisão temporária ocorre após 42 pessoas apresentarem sintomas graves depois da imunização, com três necessitando de internação e dois óbitos registrados.

A pasta informou que a medida é de precaução. Não há, até o momento, conclusão sobre a relação direta entre os eventos adversos e o imunizante.

Uma comissão de especialistas vai investigar os casos.

O ministro da Saúde, **Alexandre Padilha**, declarou em coletiva de imprensa que a interrupção visa permitir que o Ministério, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e o Butantan aprofundem as investigações. Buscam-se fatores de risco específicos nos pacientes afetados, com um estudo detalhado de cada ocorrência.

Padilha ressaltou a confiança do Ministério na capacidade institucional do **Butantan**, enfatizando o papel da vacinação no controle de doenças no país.

É **importante destacar**: a suspensão atinge apenas a vacina do **Butantan**. O imunizante **Qdenga**, fabricado pelo laboratório **Takeda** e já distribuído pelo Sistema Único de Saúde (SUS), segue com sua aplicação normal.

Vacina do Butantan: Aplicação e Casos Suspensos

Pouco mais de 500 mil doses da vacina do **Butantan** foram aplicadas em todo o Brasil até o dia 30 de maio. A inclusão do imunizante no SUS ocorreu em janeiro deste ano, como parte de uma estratégia para avaliar seu impacto na dinâmica populacional da dengue.

O programa de vacinação-piloto concentrou-se em três municípios: **Botucatu** (SP), **Maranguape** (CE) e **Nova Lima** (MG). O público-alvo inicial eram adolescentes e adultos de 15 a 59 anos, conforme a indicação aprovada para o Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Em março, a região de **Araguaína** (TO) também recebeu doses da vacina. Em fevereiro, profissionais de saúde da atenção primária, como os de unidades básicas, começaram a ser imunizados, com previsão de alcançar 1,2 milhão de trabalhadores.

A decisão de interromper a estratégia de vacinação do **Butantan** não invalida a eficácia do imunizante, segundo o Ministério da Saúde. Pessoas já vacinadas continuam protegidas contra a dengue.

A medida, recomendada pelo sistema de farmacovigilância, busca tempo para estudos adicionais, identificando eventuais fatores de risco associados aos eventos adversos.

Qdenga no SUS: Diferenças na Estratégia

A manutenção da vacina **Qdenga**, da **Takeda**, no calendário do SUS evita uma interrupção total na campanha de imunização contra a dengue. Este imunizante possui um esquema diferente de aplicação e público-alvo, voltado primariamente para crianças e adolescentes entre 6 e 16 anos, em regiões específicas de maior incidência da doença.

A distinção é crucial para evitar confusão entre a população e garantir a continuidade da vacinação onde o **Qdenga** já está em uso, dado o cenário epidemiológico da dengue no Brasil.

A transparência sobre as duas vacinas é fundamental para a adesão pública aos programas de saúde.

Contexto

O Brasil enfrenta um dos piores cenários de dengue de sua história, com recorde de casos e óbitos em 2024. A incorporação de duas vacinas ao SUS – a **Qdenga** e o imunizante do **Butantan** – representou um avanço estratégico na contenção da doença. A suspensão temporária de um dos imunizantes, por precaução, reflete a seriedade dos sistemas de farmacovigilância, que monitoram a segurança de medicamentos e vacinas após a aprovação e durante o uso em larga escala. Esse processo é padrão em saúde pública e visa garantir a máxima segurança à população, independentemente da urgência sanitária. A investigação dos eventos adversos é vital para manter a confiança nos programas de vacinação e para aprimorar as estratégias de saúde a longo prazo.

Leia mais

Destaques

plugins premium WordPress