polícia federal é acionada para apurar divulgação de itens do exame

MEC anula três questões do Enem após estudante antecipar itens em live. PF investiga o caso.
MEC anula questões do Enem após live de estudante
O Ministério da Educação (MEC) anunciou a anulação de três questões do Enem 2025 após a circulação de uma live em que o estudante Edcley Teixeira, do curso de Medicina, corrigiu itens que apresentavam semelhanças com os aplicados no exame. A transmissão ocorreu no dia 11 de novembro, apenas cinco dias antes da realização das provas, levantando sérias questões sobre a segurança do processo de avaliação.
Ação do MEC e investigações da PF
Em comunicado oficial, o MEC esclareceu que sua equipe técnica analisou a situação e encontrou similaridades pontuais entre as questões pré-testadas e aquelas que foram utilizadas no exame. Contudo, a pasta enfatizou que nenhuma questão foi apresentada de forma idêntica ao que foi aplicado no Enem deste ano. O MEC decidiu então acionar a Polícia Federal para investigar a possível quebra de confidencialidade das questões e a responsabilidade pela divulgação indevida.
Detalhes da live e conteúdo revelado
Na live, Edcley Teixeira fez menção a questões de Biologia cujas alternativas eram idênticas às que constaram no Enem, incluindo a resposta correta. Outro exemplo mencionado envolveu uma questão sobre ruído sonoro que replicou todas as opções e a estrutura matemática da prova. Nas redes sociais, o estudante listou perguntas que havia trabalhado com seus alunos antes do exame, alegando ter acessado itens semelhantes em edições anteriores de pré-testes realizados em 2023 e 2024.
O papel do Inep e segurança das provas
O Inep, responsável pela organização do Enem, explicou que as questões do exame são submetidas à Teoria da Resposta ao Item (TRI), um método que exige a realização de pré-testes. Durante esses testes, os participantes podem ter contato com questões que podem ou não fazer parte das provas futuras. O instituto assegurou que mantém protocolos rígidos de segurança e que todas as etapas do exame foram cumpridas adequadamente.
Defesa do estudante e suas alegações
Apesar da polêmica, Edcley Teixeira defendeu publicamente que lembrar conteúdos vistos em avaliações preliminares não constitui uma irregularidade. Ele se apresenta como especialista em antecipar temas e estilos do exame, comercializando cursos baseados nessa estratégia. Em 2022, ele já havia feito declarações sobre como cursinhos utilizavam avaliações para tentar prever questões futuras do Enem. Em materiais de 2023, ele chegou a afirmar que se lembrou de até 90 itens inéditos com a ajuda de amigos após participar dos pré-testes.
Consequências e próximos passos
A investigação da Polícia Federal deverá apurar se houve má-fé na divulgação de itens relacionados ao banco de questões do Enem. O caso levanta preocupações sobre a integridade e a segurança do exame, especialmente em um momento em que a transparência e a confiança no sistema educacional são fundamentais. A comunidade educacional aguarda os desdobramentos dessa situação, que pode impactar a credibilidade do Enem nos próximos anos.