A Marinha do Brasil lançou, nesta sexta-feira (26), a Fragata Cunha Moreira em Itajaí (SC). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da cerimônia e reforçou a prioridade do país em fortalecer sua defesa nacional. Navios de guerra velozes, fragatas são projetadas para operações de proteção e escolta, pilares da soberania marítima brasileira.
Lula discursou sobre a necessidade de autoproteção do país em um cenário global de instabilidade. “Eu não quero guerra. Mas eu também não quero ser pego de surpresa. Eu tenho que me cuidar. Tá cheio de maluco no mundo”, declarou o presidente.
Ele citou pretensões territoriais de outras nações, como a busca americana pela Groenlândia e o Canadá, ou a influência sobre o Canal do Panamá, para ilustrar a volatilidade geopolítica. “Aonde que nós estamos?”, questionou.
O presidente classificou a fragata como um símbolo. Representa “o começo de um país que vai assumir, de fato e de direito, o direito de ser soberano, de tomar conta do seu nariz e estar preparado. É isso que temos que fazer daqui pra frente”, afirmou.
A cerimônia marcou um passo na estratégia de defesa. Lula defendeu a criação de um projeto estratégico robusto.
Ele descreveu o momento atual como de “maior concentração de conflito da história da humanidade depois da 2ª Guerra Mundial”.
O preparo visa proteger os 8,5 milhões de quilômetros quadrados do território nacional e seus 215 milhões de habitantes, sem intenção de hostilidade. “Para as pessoas saberem que não queremos briga com ninguém, mas que estaremos preparados para defender”, acrescentou.
Programa Fragata Classe Tamandaré avança com produção nacional
A Fragata Cunha Moreira é a terceira embarcação de uma série de quatro navios da Classe Tamandaré, construída integralmente no Brasil. A produção, concentrada em Itajaí, emprega mão de obra nacional e inclui um processo de transferência de tecnologia.
Antes da Cunha Moreira, as fragatas Tamandaré e Jerônimo de Albuquerque já foram lançadas. A quarta embarcação da classe, a Mariz e Barros, está atualmente em construção.
O programa representa um investimento estratégico na capacidade industrial e tecnológica do país. A transferência de tecnologia, parte do acordo, fortalece o parque naval brasileiro, garantindo autonomia na manutenção e futura modernização desses ativos.
Esses navios atingem velocidade de 25 nós, equivalentes a cerca de 47 km/h. Possuem 107 metros de comprimento, com um deslocamento de até 3.465 toneladas.
A capacidade operacional das fragatas é ampliada por seu convôo e hangar, permitindo a operação de helicópteros a bordo. O arsenal inclui radares avançados, sensores e armamentos diversificados, aptos a múltiplas missões de defesa marítima e patrulha da vasta costa brasileira.
O Programa Fragata Classe Tamandaré é resultado de uma parceria estratégica. A Marinha do Brasil atua em conjunto com a Sociedade de Propósito Específico Águas Azuis, um consórcio formado pelas empresas TKMS, Embraer e Atech. A gestão do projeto é da Emgepron, empresa estatal ligada à Marinha.
O Comandante da Marinha, Marcos Olsen, reforçou a importância do investimento naval. “O poder naval, pilar à proteção de recursos, fluxos logísticos e instrumento de tempestiva resposta do Estado, adquire centralidade ao se analisar disputas atuais na conjuntura internacional e crescentes inclinações de atores soberanos em mobilizar vetores navais visando intimidar nações”, disse Olsen.
A construção em Itajaí, além do aspecto militar, gera empregos e movimenta a economia local e nacional. O projeto fomenta uma cadeia produtiva complexa, envolvendo diversos setores da indústria.
Impacto e Capacidade Estratégica
A aquisição das fragatas da Classe Tamandaré marca uma virada na capacidade de defesa brasileira. Historicamente, a Marinha do Brasil dependia da compra de navios de segunda mão ou de projetos estrangeiros com menor grau de nacionalização. A produção local das fragatas assegura não só a atualização da frota, mas a soberania tecnológica sobre sistemas críticos. Elas são projetadas para proteger a chamada “Amazônia Azul”, a vasta área marítima de aproximadamente 5,7 milhões de km² sob jurisdição brasileira, rica em recursos naturais como o pré-sal e rotas comerciais vitais. A capacidade de construir navios complexos no país reduz a dependência externa e impulsiona a Base Industrial de Defesa, gerando conhecimento e empregos de alta qualificação. Em um cenário global cada vez mais imprevisível, a modernização naval permite ao Brasil projetar poder e proteger seus interesses geopolíticos e econômicos na região, afirmando sua posição como ator relevante no Atlântico Sul.