Pesquisar
Folha Jundiaiense

Lula busca avanços regionais em 68ª Cúpula do Mercosul no Paraguai

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta terça-feira, em Assunção, da 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados. O encontro busca aprofundar a integração regional, fortalecer o comércio e a agenda social entre os membros do bloco.

Líderes de Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai, Uruguai e os Estados associados, como Chile e Colômbia, reúnem-se na capital paraguaia para definir novos rumos. A pauta inclui desde a facilitação do trânsito de pessoas até o combate ao crime organizado e o fomento ao desenvolvimento.

O Mercosul representa uma fatia significativa da América do Sul. Cerca de 73% do território regional está sob sua abrangência. Também concentra 65% da população da região, e responde por aproximadamente 70% do Produto Interno Bruto (PIB) sul-americano.

Dados recentes do Palácio do Planalto apontam a importância econômica do bloco. Em 2025, as exportações brasileiras para países do Mercosul somaram quase US$ 26 bilhões, montante que representou 7,5% do total exportado pelo Brasil. Essa movimentação é um termômetro do vigor das trocas comerciais intrabloco.

O comércio total do bloco com o restante do mundo demonstra sua relevância, atingindo US$ 757 bilhões. No primeiro quadrimestre de 2026, a corrente extrazona alcançou US$ 247,3 bilhões, uma alta de 8% na comparação com o mesmo período de 2025. Esses números sublinham o papel do Mercosul nas cadeias globais.

Nova Carteira de Identidade e Digitalização de Documentos

Um dos avanços práticos previstos é a assinatura de um acordo para o reconhecimento da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN). O documento passará a ser aceito para ingresso nos países do Mercosul e Estados associados.

A medida simplifica a vida de milhões de cidadãos. Elimina a necessidade de passaporte para viagens de turismo ou negócios entre os países do bloco, reduzindo burocracia e custos. A integração do documento facilita a circulação de pessoas, impulsionando o turismo e as relações pessoais e comerciais na região.

Outro protocolo que será firmado trata do reconhecimento mútuo de meios de identificação e autenticação eletrônica. Este avanço aproxima sistemas digitais como o brasileiro Gov.br de mecanismos adotados pelos demais países.

A interoperabilidade digital pode agilizar serviços públicos e transações online, alinhando a região às tendências globais de governo digital. Permite, por exemplo, que um cidadão brasileiro autenticado pelo Gov.br possa acessar serviços digitais na Argentina ou no Paraguai, ou vice-versa, com a mesma segurança e validade jurídica. Isso pavimenta o caminho para um mercado digital regional mais coeso.

Combate à Violência contra a Mulher e Segurança Regional

Na área da segurança, o Brasil apresentará uma proposta de pacto regional de combate ao feminicídio e à violência contra as mulheres. A iniciativa reflete uma preocupação crescente com a criminalidade de gênero na América do Sul.

O pacto busca alinhar políticas e estratégias entre os países para prevenção, investigação e punição desses crimes. A proposta soma-se aos esforços já em andamento para a implementação da Estratégia Mercosul contra o Crime Organizado Transnacional. Esta é considerada uma prioridade para os países da região.

A violência contra as mulheres muitas vezes cruza fronteiras, exigindo uma resposta conjunta. O tráfico de pessoas, por exemplo, expõe mulheres a situações de vulnerabilidade. O pacto reforça a necessidade de cooperação policial e jurídica para enfrentar redes criminosas que exploram essa fragilidade.

Focem: Menos Desigualdades, Mais Infraestrutura

A reunião também terá o anúncio do aumento da contribuição brasileira ao Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem). O Focem é um instrumento para reduzir desigualdades entre os membros do bloco.

O fundo financia obras de infraestrutura, saneamento, habitação, energia e projetos sociais. Ele distribui recursos de forma menos desigual entre os membros, promovendo o desenvolvimento em regiões mais carentes do Mercosul.

O aporte adicional do Brasil reforça seu compromisso com a coesão interna. Projetos financiados pelo Focem já levaram melhorias significativas em áreas fronteiriças e em nações de menor porte econômico, solidificando a integração regional além das trocas comerciais.

São Estados-membros do Mercosul: Argentina, Bolívia (em processo de adesão), Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela (suspensa). Como Estados associados figuram Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Panamá, Peru e Suriname.

Contexto

O Mercosul, criado em 1991 pelo Tratado de Assunção, buscou inicialmente a formação de um mercado comum entre Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Ao longo de mais de três décadas, o bloco expandiu sua agenda para além do comércio, incorporando temas como cidadania, segurança e desenvolvimento social. Embora enfrente desafios internos, como a suspensão da Venezuela e ritmos diferentes de abertura econômica entre os membros, o Mercosul permanece como o principal mecanismo de integração econômica e política da América do Sul, influenciando o cenário regional e a posição conjunta dos países em fóruns internacionais. A retomada de encontros de cúpula com maior frequência reflete um novo ímpeto para fortalecer o agrupamento em face de um cenário global complexo.

Leia mais

Destaques

plugins premium WordPress