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Folha Jundiaiense

Kape exalta evolução e se diz lado A na rivalidade com Horiguchi

Manel Kape mira redenção contra Kyoji Horiguchi no UFC Vegas 119 e projeta desfecho por nocaute

O palco está montado para uma das revanches mais aguardadas na categoria peso-mosca (até 57 kg) do UFC. Manel Kape, conhecido como ‘Starboy’, enfrenta Kyoji Horiguchi neste sábado (20) no evento principal do UFC Vegas 119. Para o angolano, a luta representa mais do que uma simples disputa; é a chance de reescrever um capítulo de sua carreira, nove anos após a única derrota por via rápida que sofreu no MMA profissional. Confiante em uma evolução substancial desde o primeiro encontro, Kape projeta um final diferente para o duelo, buscando o nocaute.

A última vez que Manel Kape experimentou um revés por nocaute ou finalização foi em dezembro de 2017, durante sua passagem pelo evento japonês Rizin Fighting Federation, justamente contra Kyoji Horiguchi. Este histórico serve de catalisador para a motivação de Kape, que, aos 32 anos, declara viver um momento de maturidade e aprimoramento técnico inquestionável. A expectativa de ‘Starboy’ é clara: dominar e finalizar o combate, aproveitando sua atual fase de destaque no Ultimate Fighting Championship.

Kape se posiciona como “lado A” em revanche decisiva

Em entrevista exclusiva, Kape detalhou as razões de sua confiança, apontando para sua trajetória recente no UFC como prova de sua ascensão. Segundo o lutador angolano, a evolução técnica e mental o coloca em uma posição superior em relação ao adversário japonês. A argumentação encontra respaldo no ranking oficial da categoria peso-mosca, onde Manel Kape ocupa a segunda colocação, enquanto Kyoji Horiguchi figura na quinta posição.

“Sempre pensei: ‘Posso vencer esse cara se eu estiver em condições similares’. E hoje em dia tenho essa estrutura. Posso me gabar que sou o lado A e ele é o lado B”, afirmou Kape, destacando a inversão de papéis desde o primeiro confronto. Esta percepção de superioridade, reforçada pela sua posição no ranking, demonstra a mentalidade de um atleta que se vê no auge da carreira e pronto para desafiar o topo da divisão.

O termo “lado A” no jargão do MMA refere-se ao lutador que atrai mais público, gera mais receita e é percebido como a principal estrela de um combate. Ao se autodenominar o “lado A”, Kape não apenas expressa confiança em suas habilidades, mas também reivindica uma posição de destaque e liderança dentro da categoria peso-mosca, indicando que sua performance e trajetória recente o credenciam para tal status no cenário global do esporte.

Análise tática e poder de nocaute

A análise tática de Kape sobre Kyoji Horiguchi aponta para uma diminuição na principal arma do japonês: a velocidade e o timing. “Creio que ele não tem a mesma velocidade de antigamente, que era sua maior arma: velocidade e timing”, observou Kape. Em contrapartida, o angolano destaca uma de suas próprias vantagens cruciais. “Uma coisa que possuo e ele não é o poder de nocaute. Então é algo que vou procurar”, enfatizou, deixando clara sua intenção de buscar a interrupção da luta.

Esta perspectiva de Manel Kape sugere uma estratégia ofensiva, focada em capitalizar a força de seus golpes. O poder de nocaute é um atributo que tem sido fundamental em suas vitórias recentes, consolidando sua reputação como um finalizador perigoso. “Todo o respeito por ele, que é um bom lutador. Sem subestimá-lo, mas estou muito otimista e preparado para vencer”, concluiu Kape, ressaltando o profissionalismo, mas sem esconder a determinação de sair vitorioso.

Transformação: Da “garagem errada” à elite do MMA

A mudança de patamar na carreira de Manel Kape ao longo de quase uma década é o alicerce de sua confiança. Ele atribui a sua atual fase a um processo de profissionalização que redefiniu suas condições de treinamento e desenvolvimento. Kape relembra que, no primeiro encontro com Horiguchi, suas condições eram significativamente diferentes, carecendo da estrutura ideal para lapidar suas habilidades a fundo.

“Muda muita coisa. O ambiente, a estrutura. Há dez anos eu era apenas um menino treinando na África com o meu primo”, explicou Kape. Essa descrição pinta um quadro de um atleta talentoso, porém com recursos limitados, operando em um ambiente amador, em contraste com a profissionalização de seu adversário da época. A falta de acesso a equipamentos de ponta, treinadores especializados e uma equipe multidisciplinar pode fazer uma diferença abissal na preparação de um lutador de alto rendimento.

Hoje, a realidade é outra. Manel Kape integra a prestigiada equipe ‘Xtreme Couture MMA’, localizada nos Estados Unidos, um dos centros de treinamento mais renomados do mundo. Essa mudança estratégica permitiu que o atleta angolano atingisse seu potencial máximo, beneficiando-se de uma infraestrutura de ponta e da troca de experiências com outros lutadores de elite e treinadores experientes. “Fomos até a semifinal do Rizin e lutamos com o Horiguchi, alguém que já estava em seu auge, vindo do UFC, com uma grande estrutura e uma equipe à volta dele. E eu era apenas um garoto com bastante vontade, sem medo e com talento. Mas estava na garagem errada. Era uma Ferrari na garagem de um carro popular”, metaforizou o vice-líder do ranking até 57 kg do UFC, ilustrando a disparidade de recursos.

O que está em jogo: Caminho para o cinturão peso-mosca

A revanche entre Manel Kape e Kyoji Horiguchi no UFC Vegas 119 não é apenas uma questão de honra pessoal; ela tem implicações diretas na corrida pelo cinturão da categoria peso-mosca. Para Kape, a vitória pode consolidá-lo, de forma inquestionável, como o próximo desafiante ao título. Vindo de uma sequência impressionante de três vitórias consecutivas no UFC, todas por nocaute, o angolano demonstra um ímpeto avassalador que o aproxima cada vez mais da chance de disputar o título.

Essas três vitórias por nocaute não apenas elevam o moral de Manel Kape, mas também enviam um recado claro aos seus adversários e à direção do UFC sobre sua capacidade de finalizar lutas de maneira convincente. A consistência em resultados de alto impacto é um fator determinante para escalar os rankings e garantir uma oportunidade de title shot.

Por outro lado, Kyoji Horiguchi também possui um histórico recente invejável. O japonês acumula uma sequência invicta de cinco rodadas, sendo duas delas desde seu retorno ao Ultimate Fighting Championship. Para Horiguchi, conter o ímpeto de ‘Starboy’ pela segunda vez na carreira não só reafirmaria sua relevância na divisão, mas também o colocaria firmemente na disputa pelo “title shot”. Uma vitória sobre o atual número dois do ranking representaria um salto significativo em suas pretensões.

Este confronto direto entre o segundo e o quinto colocados do ranking da divisão até 57 kg é um daqueles embates que têm o potencial de redefinir o cenário da categoria. O vencedor emergerá com um argumento fortíssimo para ser o próximo a desafiar o campeão, enquanto o perdedor terá que reconstruir seu caminho, possivelmente enfrentando um período mais longo para alcançar o topo da divisão. É uma luta de alto risco e alta recompensa, onde o futuro imediato de ambos os lutadores na organização está em jogo.

Contexto

A rivalidade entre Manel Kape e Kyoji Horiguchi é um marco na divisão peso-mosca, remetendo a um período crucial na carreira de Kape. A derrota em 2017, na Rizin Fighting Federation, moldou a determinação do angolano para sua trajetória no UFC. Este reencontro representa não apenas uma busca por redenção, mas também um confronto estratégico que pode definir o próximo desafiante ao cinturão, impactando diretamente a dinâmica competitiva da categoria nos próximos meses.

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