O juiz Leonardo Delfino, da 2ª Vara Criminal do Fórum de Sumaré, decretou a prisão preventiva de Hélio Pereira da Silva (Cidadania), de 55 anos, conhecido como “Mister M”. A pedido do MP-SP (Ministério Público de São Paulo), o magistrado também determinou o afastamento do vereador dos cargos de parlamentar e presidente da Câmara Municipal por 180 dias.
O MP-SP apresentou a denúncia à Justiça em 28 de outubro, e ela foi aceita no dia 3. Com isso, Hélio Silva se tornou réu em uma ação criminal por tráfico de drogas, associação para o tráfico e posse ilegal de arma de fogo.
Hélio Silva nega as acusações desde setembro, tanto por meio de seus advogados de defesa quanto em interrogatório. A decisão também converteu em preventiva a prisão temporária de outros dois réus, Maikon Baptista da Costa e Admilson da Silva, apontados como integrantes do suposto esquema.
Ação criminal resulta da Operação Archimagus
A ação é resultado do avanço das investigações da “Operação Archimagus”, conduzida pela PF (Polícia Federal) e pela Ficco (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado), com apoio do Núcleo Campinas do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e do 10º Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia).
Hélio Silva e Maikon Baptista da Costa estavam presos temporariamente desde 9 de setembro. Na ocasião, o vereador foi localizado e preso em casa, em um condomínio de Paulínia. Durante esse período, pediu por duas vezes afastamento não remunerado das funções na Câmara Municipal.
Juiz aponta materialidade dos crimes
Para o juiz Leonardo Delfino, as provas reunidas na Operação Archimagus e os laudos periciais dos materiais apreendidos — entre eles drogas, armas e celulares — demonstram a materialidade dos crimes atribuídos aos três réus, supostamente praticados entre novembro de 2021 e junho de 2026.
Na avaliação preliminar do magistrado, as investigações “evidenciaram” a existência de uma “estrutura estável voltada ao abastecimento e à venda de drogas em pontos determinados” de Sumaré, que seria chefiada e financiada por Hélio Silva.
Entre os indícios considerados para decretar as prisões preventivas estão encontros entre os réus registrados pela polícia em uma panificadora da cidade e nas proximidades de dois pontos de venda de drogas, conhecidos como “biqueiras”. Os locais ficam no Condomínio Serra Negra e no cruzamento da Rua Um com a Rua Onze. “Na maioria desses deslocamentos, Hélio usou o veículo oficial da Câmara Municipal, um Toyota Corolla”, apontou o juiz. No mesmo carro, durante a “Operação Archimagus”, foram apreendidos R$ 6.760,00 em dinheiro escondidos em uma sacola.
Celulares registravam negociações de produtos químicos
Segundo a decisão, a perícia nos celulares identificou dezenas de negociações de valores altos envolvendo produtos supostamente usados “na adulteração e no preparo de cocaína”.
O juiz também considerou dois áudios atribuídos a Hélio Júnior, filho do denunciado. Neles, ele repreende um homem por ter procurado “irmãos lá na biqueira do meu pai”, na Região do Matão, para tratar de uma dívida entre os dois.
Para o magistrado, “esse conjunto (…) revela indícios suficientes de que Hélio Pereira da Silva financia e coordena a aquisição de drogas e de insumos de refino, há vários anos, e controla pontos de venda (em) Sumaré por intermédio de prepostos, entre eles Maikon Baptista da Costa e Admilson da Silva”.
Juiz considera que liberdade poderia prejudicar investigação
Delfino afirma que “a (eventual) liberdade do acusado poria em risco a ordem pública, a instrução criminal ou a aplicação da lei penal”. O magistrado cita a “posição de comando e financiamento” de Hélio no suposto esquema e a “instrumentalização do cargo público”, com a estrutura do Poder Legislativo colocada “a serviço da atividade (criminosa)”.
Isso porque, segundo o juiz, “Hélio não é apontado como integrante subalterno, mas como quem adquire os carregamentos, paga por eles, compra os insumos de refino e coordena os prepostos que abastecem e vendem” as drogas.
Outro lado: advogados não se manifestaram ainda
Até o fechamento desta reportagem, a defesa de Helio Silva não havia se manifestado sobre a decretação de sua prisão preventiva nem sobre seu afastamento do cargo, determinados pela Justiça.
As defesas dos outros dois réus não foram localizadas. O espaço permanece à disposição para a manifestação dos advogados dos três indiciados.
Vereador é suplente de deputado
Mesmo preso, Hélio Silva recebeu 1.981 votos na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026. Com o resultado, ficou como suplente do partido.



