Pesquisar
Folha Jundiaiense

Itaú BBA rebaixa Hapvida e aponta riscos para margens operacionais

Análise revela deterioração nas expectativas e queda acentuada das ações da operadora de saúde

Itaú BBA rebaixa Hapvida e aponta riscos para margens operacionais
(Foto: Divulgação/Hapvida)

Hapvida sofre rebaixamento do Itaú BBA após resultados fracos e queda acentuada das ações.

Rebaixamento das ações da Hapvida pelo Itaú BBA

Em um cenário de forte deterioração, as ações da Hapvida (HAPV3) enfrentaram uma queda significativa de 42,21% no dia 13 de novembro, após a divulgação do balanço do terceiro trimestre de 2025. Em resposta, o Itaú BBA rebaixou a recomendação para a companhia, alterando-a de “outperform” (compra) para “market perform” (neutro). A performance das ações já acumulava uma baixa de 44% em novembro e 59,4% em 12 meses, refletindo um ambiente desafiador para a operadora de saúde.

Expectativas de resultados e impactos no preço-alvo

Segundo informações do banco, os resultados decepcionantes remodelaram a tese de investimento para a Hapvida no curto prazo. O preço-alvo das ações foi drasticamente reduzido, caindo de R$ 66 para R$ 22, em razão do aumento das incertezas operacionais e da rentabilidade da empresa. Os analistas apontam que o lucro apresentado ficou abaixo do esperado, além de os principais indicadores não refletirem mais um cenário realista.

Desafios operacionais e competitividade

Às 10h36, as ações da Hapvida estavam cotadas a R$ 17,06, apresentando uma queda de 1,61%. A análise do Itaú BBA destaca que a visibilidade das projeções de curto prazo está limitada, principalmente devido a investimentos contínuos para melhorar a percepção de qualidade dos serviços, aumento dos custos fixos e um ambiente competitivo mais desafiador. O BBA também mencionou os riscos persistentes de litígios, que impactam ainda mais a operação da empresa.

Os investimentos da Hapvida em qualidade, visando reduzir a taxa de churn e fortalecer a marca, elevaram o custo por cliente. A expectativa de que a migração para o NDI e um novo ciclo de reajustes compensariam o aumento nos custos não se concretizou, resultando em uma piora da rentabilidade.

Expansão e custos fixos

A Hapvida acelerou sua expansão no Sudeste, abrindo novos hospitais e clínicas ao longo do ano, o que, segundo o Itaú BBA, elevou os custos fixos. Esse aumento deveria ser diluído por um crescimento mais forte nas adições líquidas de beneficiários, o que não ocorreu. O cenário de concorrência se intensificou, especialmente com a Amil ganhando espaço nos mercados centrais da Hapvida, principalmente em são paulo.

Prognóstico financeiro

O novo cenário torna o curto prazo ainda mais incerto para a Hapvida. Após investir em capacidade, a empresa enfrenta o desafio de não perder beneficiários sem arriscar desalavancagem operacional. Embora exista espaço para reajustes de preços, especialmente em grandes contas corporativas, o movimento é limitado no atual ambiente de mercado.

Para o Itaú BBA, os dados do 3T25 mostraram fraqueza em várias linhas, com poucos sinais de melhora no curto prazo. Projeções indicam que a Hapvida deve registrar uma receita líquida de R$ 30,8 bilhões em 2025, avançando para R$ 33,0 bilhões em 2026 e R$ 35,3 bilhões em 2027. O índice de sinistralidade deve se manter elevado, em torno de 73,7% em 2025. O EBITDA ajustado deve crescer de R$ 3,2 bilhões em 2025 para R$ 3,9 bilhões em 2027, com uma margem em expansão gradual.

Em termos de valuation, a expectativa é que o P/L projetado caia de 13,6 vezes em 2025 para 7,0 vezes em 2027. Essa trajetória reflete as dificuldades enfrentadas pela Hapvida e a necessidade de ajustes em sua estratégia para recuperar a confiança do mercado.

Leia mais

Destaques

plugins premium WordPress