A seleção do Irã vive a angústia da espera por uma vaga na fase eliminatória da Copa do Mundo, após empatar em 1 a 1 com o Egito. O drama no campo escalou nos acréscimos, quando um gol que parecia selar a vitória iraniana foi anulado por impedimento. O resultado garante a classificação egípcia de forma inédita, mas coloca os iranianos à mercê de outros placares para avançar como um dos melhores terceiros colocados.
O confronto, disputado em campo com a torcida pulsante, teve um início eletrizante. Logo aos cinco minutos, o Egito abriu o placar com Mahmoud Saber. O gol veio de um chute fraco que escapou das mãos do goleiro iraniano Alireza Beiranvand, após jogada de Mohamed Salah. A resposta iraniana foi rápida: aos 14 minutos, Ramin Rezaeian empatou com um chute quase sem ângulo, aproveitando o rebote de um pênalti defendido.
O ritmo frenético diminuiu à medida que o jogo se tornou desorganizado. Ambas as equipes mostraram sinais de cansaço sob pressão. A emoção retornou no fim da partida, que se desenhava para um empate morno.
Mehdi Taremi, que perdera o pênalti no primeiro tempo, ainda acertou a trave em uma cabeçada. Aos 48 minutos, a explosão de alegria tomou conta do banco iraniano e das arquibancadas: Shoja Khalilzadeh balançou as redes, celebrando o que parecia ser um gol histórico da vitória.
A intervenção do VAR mudou o cenário. Khalilzadeh estava ligeiramente impedido. A anulação do gol devolveu o empate ao placar e jogou o destino iraniano para a incerteza da tabela.
Amir Ghalenoei, técnico do Irã, não escondeu a frustração. “Em três partidas, não fomos recompensados pelos nossos esforços”, declarou, segundo a mídia estatal. “A justiça do futebol não esteve do nosso lado.” A equipe acumulou seu terceiro empate consecutivo no torneio.
Enquanto isso, o Egito celebra. A seleção terminou em segundo lugar no grupo, com cinco pontos, atrás da Bélgica no saldo de gols. Agora, enfrentará a Austrália em 3 de julho, em Dallas, na primeira vez que avança para a fase eliminatória de um Mundial.
“É algo inacreditável, acho que é histórico”, afirmou o goleiro egípcio Mostafa Shobeir, herói ao defender o pênalti de Taremi. “Vamos comemorar hoje à noite e, a partir de amanhã, começaremos a analisar a Austrália.”
O Irã, com três pontos, ocupa o terceiro lugar no grupo. A equipe depende de resultados de outras chaves para ser um dos oito melhores terceiros colocados e seguir na competição.
Apesar da esperança, Taremi criticou duramente as condições da Copa do Mundo para sua equipe. “Estou triste, mas temos esperança – os seres humanos sempre têm esperança”, disse aos repórteres. Mas logo depois, desabafou sobre as restrições de viagem impostas à seleção iraniana nos Estados Unidos.
“É um desastre esta Copa do Mundo. É um desastre”, declarou Taremi. “Agora temos que viajar de novo, voltar para Tijuana, sem recuperação, sem nada – não é justo.” A equipe tinha permissão para viajar apenas dois dias antes da partida contra o Egito, após flexibilização das regras americanas. Agora, precisa retornar à base no México.
Divisão nas Arquibancadas e Jogo do Orgulho
A partida teve uma significativa presença de torcedores egípcios e iranianos. O apoio aos “Faraós” era numeroso e ruidoso. Do lado iraniano, a divisão era visível: parte dos presentes agitava bandeiras pré-revolucionárias, enquanto vaias acompanhavam o hino nacional do Irã. A cena reflete tensões internas do país.
O confronto foi batizado de “Jogo do Orgulho” pelos organizadores locais. Bandeiras arco-íris podiam ser vistas dentro do estádio, num aceno à comunidade LGBTQIA+. A postura do atacante Taremi, um dos principais nomes da seleção, foi de respeito, mas ressalva. “Nossa religião não aceita isso, mas respeitamos todas as pessoas LGBT”, disse. “Estamos aqui para jogar futebol, respeitamos a todos.”
Após o intervalo para hidratação no primeiro tempo, as oportunidades claras diminuíram. O Egito, já com a classificação assegurada, mostrou-se mais cauteloso. O Irã ganhou confiança, buscando o gol que o livraria da dependência de outros resultados. A sequência de rebotes na área, que culminou no gol anulado de Khalilzadeh, selou um destino incerto para os iranianos e a festa inédita para os egípcios.
Contexto
O formato atual da Copa do Mundo permite a classificação de alguns dos melhores terceiros colocados da fase de grupos para as oitavas de final. Esta regra, introduzida em competições com um número ímpar de grupos, como o torneio em questão, visa aumentar a competitividade e manter a esperança de mais seleções até o último momento. Para o Irã, a dependência desse sistema expõe a fragilidade de não ter garantido sua vaga diretamente. Ao mesmo tempo, a disputa entre as seleções, como a polêmica sobre as restrições de viagem enfrentadas pelos iranianos nos Estados Unidos, evidencia como fatores geopolíticos podem impactar diretamente o desempenho e o moral dos atletas em um evento de alcance global, adicionando uma camada extra de complexidade e drama ao espetáculo esportivo.