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Folha Jundiaiense

Feira do Bem de Jundiaí vence seminário global de Segurança Alimentar

Mais de sete toneladas de alimentos frescos e nutritivos foram distribuídas, beneficiando centenas de idosos em Jundiaí. Este impressionante volume, no entanto, é apenas um dos números que ajudam a contar a história de uma iniciativa que acaba de conquistar reconhecimento internacional, provando que é possível ir muito além do assistencialismo.

A “Feira do Bem”, criada pela Prefeitura de Jundiaí em outubro de 2025, transformou a forma como a cidade aborda a segurança alimentar, a convivência social e, principalmente, a autonomia da pessoa idosa. Essa abordagem inovadora rendeu à cidade a Menção Honrosa – 1º Lugar na categoria Relato de Experiência do 4º Seminário Internacional de Segurança Alimentar e Nutricional, realizado em Belo Horizonte (MG).

A Fórmula de Sucesso que Levou Jundiaí ao Pódio Internacional

O prêmio, concedido à apresentação “Feira do Bem: Nutrindo a Autonomia e a Dignidade na Melhor Idade”, é um testemunho da capacidade de Jundiaí de inovar. A proposta integradora da feira, que conecta a oferta de alimentação saudável com o fortalecimento da agricultura familiar e a promoção do protagonismo na terceira idade, chamou a atenção entre centenas de experiências.

O evento internacional reuniu especialistas e representantes de mais de 100 municípios brasileiros, além de diversos países. O objetivo era simples: compartilhar e celebrar iniciativas transformadoras na área da segurança alimentar e nutricional.

Desde sua implantação, a Feira do Bem já entregou aproximadamente 7,2 toneladas de frutas, verduras e legumes frescos. A cada mês, uma média de 135 idosos têm sido diretamente beneficiados por essa rede de suporte e escolhas.

Os números recentes reforçam a crescente demanda e o sucesso do programa. Somente entre janeiro e maio deste ano, foram realizados 379 atendimentos, com a entrega de 3.739,96 quilos de alimentos. No último trimestre de 2025, os participantes já haviam recebido 3.460 quilos.

Moeda Social e Dignidade: O Segredo Por Trás dos Pratos Cheios

O grande diferencial da Feira do Bem reside em sua metodologia, que subverte a lógica tradicional da doação. Em vez de simplesmente receberem cestas prontas, os idosos conquistam a “moeda social JAPI”.

Essa moeda, obtida por meio da participação ativa em oficinas e atividades oferecidas pelos equipamentos socioassistenciais do município, garante a eles o poder de escolha. Chegam à feira e selecionam os produtos que realmente desejam levar para casa, exercendo sua autonomia e dignidade.

A iniciativa vai muito além do mero abastecimento. Ela fomenta a convivência, estimula a participação comunitária e reforça a ideia de que a pessoa idosa é um agente ativo em sua própria vida e na sociedade.

Impacto para Jundiaí e a Região: Benefícios que Vão Além da Mesa

A repercussão da Feira do Bem transcende os limites dos beneficiários diretos. Ao adquirir parte dos alimentos via Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o município injeta recursos diretamente na agricultura familiar local. Isso garante renda para pequenos produtores e fortalece a economia da região de Jundiaí.

O abastecimento da feira é também complementado pelo Entreposto Central de Abastecimento de Jundiaí (ECAJ). Este mecanismo assegura que alimentos em perfeitas condições de consumo, que de outra forma poderiam ser descartados, cheguem à mesa dos idosos, reduzindo significativamente o desperdício alimentar.

Para os moradores de Jundiaí e cidades vizinhas, a Feira do Bem representa um modelo de como políticas públicas podem, simultaneamente, combater a insegurança alimentar, promover a inclusão social e impulsionar o desenvolvimento econômico de forma sustentável. A iniciativa se torna um elo vital entre o campo e a cidade, gerando valor em múltiplos níveis para toda a comunidade.

Jundiaí Repensa a Assistência: Um Modelo de Articulação que Inspira

Apresentada no seminário pela secretária de Desenvolvimento e Assistência Social, Luciane Aparecida dos Santos Mosca, e pelo nutricionista Anderson Luis Porto de Brito, a experiência de Jundiaí evidenciou a força da integração. Assistência social, segurança alimentar, agricultura familiar e sustentabilidade funcionam como engrenagens de um mesmo sistema.

Luciane Mosca destacou que o reconhecimento internacional valida a premissa de que a inovação em políticas públicas reside na capacidade de transformar vidas de forma integrada. “A Feira do Bem cria oportunidades para que os idosos convivam, participem, façam escolhas e mantenham sua autonomia”, pontuou a secretária.

Ela complementou, reforçando o orgulho em ver uma iniciativa jundiaiense “inspirando outras cidades”, ao demonstrar que a articulação entre diferentes setores resulta em soluções mais humanas, eficientes e perenes para a população.

A premiação solidifica a posição de Jundiaí como um centro de referência. A cidade agora é vista como um farol para políticas públicas voltadas ao envelhecimento ativo, à segurança alimentar robusta e ao fortalecimento essencial da agricultura familiar, elevando sua experiência para um patamar global.

O Futuro da Segurança Alimentar: Por Que a Autonomia é a Chave

A discussão sobre segurança alimentar, ao longo das décadas, passou por transformações significativas. Inicialmente focada na mera distribuição de alimentos para combater a fome, o conceito evoluiu para abranger o direito à alimentação adequada e permanente, em quantidade e qualidade.

Nesse cenário de evolução, o protagonismo do indivíduo e a promoção da autonomia surgem como pilares fundamentais. A simples oferta de alimentos, embora necessária em emergências, revela-se insuficiente para erradicar a vulnerabilidade e garantir a dignidade a longo prazo.

A Feira do Bem de Jundiaí é um exemplo vivo dessa transição. Ela não apenas entrega comida, mas empodera. Ao permitir que os idosos escolham seus alimentos e participem ativamente para isso, a iniciativa os coloca no centro de suas próprias decisões, contrastando com modelos puramente assistencialistas.

Essa abordagem é vital na atualidade, pois reconhece que a segurança alimentar vai além da nutrição física. Ela impacta a saúde mental, o bem-estar social e a autoestima, especialmente entre os mais velhos, que muitas vezes sentem sua autonomia diminuir. Iniciativas como a de Jundiaí pavimentam o caminho para um futuro onde o acesso ao alimento se traduz em liberdade e dignidade plena para todos.

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