A indústria de alimentos consolidou sua posição como o maior empregador do Brasil. Dados referentes ao ano de 2022, divulgados nesta quarta-feira (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que o setor de fabricação de produtos alimentícios empregou diretamente 2,1 milhões de pessoas.
O número representa a maior fatia do contingente total de 8,7 milhões de trabalhadores registrados em 358,4 mil empresas industriais no país. As indústrias de transformação, que englobam a produção de alimentos, responderam por 97,1% desse total de pessoal ocupado.
No período analisado, a indústria injetou R$ 481,1 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações no mercado.
Emprego e Geração de Renda na Indústria
Além da fabricação de alimentos, outros segmentos se destacaram no volume de empregos. A confecção de artigos de vestuário e acessórios ocupou 551,8 mil pessoas, seguida pela fabricação de produtos de metal (517,1 mil) e pela indústria de veículos automotores, reboques e carrocerias (491,9 mil).
A receita bruta total das empresas industriais alcançou R$ 8,8 trilhões em 2022. Desse montante, R$ 7,4 trilhões vieram da venda de produtos e serviços industriais, indicando a robustez da produção nacional. A receita líquida de vendas (RLV), calculada após a dedução de impostos e vendas canceladas, somou R$ 6,8 trilhões.
O Valor de Transformação Industrial (VTI), que mede a riqueza gerada pela atividade, atingiu R$ 2,6 trilhões. Marcelo Miranda, gerente de Análise e Disseminação da pesquisa do IBGE, declarou que o VTI “representa a riqueza efetivamente gerada pela atividade industrial”. A maior parte, 88,8%, teve origem nas indústrias de transformação.
Nesses segmentos, a fabricação de produtos alimentícios também liderou a receita líquida, com 23,0% do total da RLV. Na sequência vieram as indústrias de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com 10,1%, e a fabricação de produtos químicos, que registrou 9,2%.
O gerente do IBGE pontuou a relevância do setor de alimentos: “A economia brasileira tem muita dependência da produção e fabricação de alimentos. Era de se esperar que isso fosse também no ano de 2022, dentro da atividade industrial”.
Produtividade e Disparidades Salariais
Quando se analisa a produtividade, a extração de petróleo e gás natural surge como líder isolada, gerando impressionantes R$ 13,3 milhões por pessoa ocupada. Contudo, essa alta produtividade não se traduz em volume de empregos tão expressivo quanto o setor alimentício.
O salário médio na indústria brasileira, medido em salários mínimos, ficou em 3,0. O setor extrativo pagou 5,4 salários mínimos em média, impulsionado pela extração de petróleo e gás natural, que alcançou a média de 17,5 salários mínimos. Nas indústrias de transformação, a média foi de 2,9 salários mínimos, com destaque para a fabricação de coque, produtos derivados de petróleo e biocombustíveis, com 7,9 salários mínimos.
O Impacto do Tamanho das Empresas e Concentração de Mercado
A pesquisa detalha a influência do porte das empresas na receita industrial. Companhias com 500 ou mais pessoas ocupadas foram responsáveis por 67,9% da receita líquida total da indústria, somando R$ 4,6 trilhões. Empresas de médio porte (100 a 499 empregados) contribuíram com 17,4%, enquanto pequenas e microempresas responderam por 8,7% e 6,1%, respectivamente.
O contraste é evidente: embora o Brasil tenha muitas empresas menores na indústria, a maior parte da receita está associada a grandes corporações, conforme análise do IBGE.
A concentração de mercado também foi medida pelo índice R8, que aponta o percentual do VTI correspondente às oito maiores empresas. Em 2022, 20,2% do VTI estavam concentrados nas oito maiores indústrias. Setores como a extração de carvão mineral (96,5%) mostraram altíssima concentração, enquanto a confecção de vestuário e acessórios (9,5%) apresentou menor índice.
Destaques Regionais e Estaduais
A concentração do VTI industrial no Brasil segue um padrão histórico. A Região Sudeste liderou com 60,3% do VTI, seguida pelo Sul (19,1%), Nordeste (8,4%), Norte (6,3%) e Centro-Oeste (6,0%).
São Paulo consolidou-se como a principal unidade da Federação no VTI industrial, com 34,5%. O estado se destaca pela diversidade, abrangendo alimentos, químicos, veículos, máquinas, produtos de metal e farmacêuticos.
O Rio de Janeiro atingiu 12,8%, fortemente influenciado pelo petróleo, gás e seus derivados. Minas Gerais, com 10,8%, teve na mineração, metalurgia e alimentos seus pilares.
A Região Sul, com Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, mostrou força em alimentos, máquinas, veículos e metalmecânica. No Norte, Amazonas e Pará se destacaram: o primeiro pelo polo de Manaus, com eletrônicos e equipamentos, e o segundo pela mineração. Marcelo Miranda ressaltou o Amazonas como a única unidade com fabricação de produtos de informática, eletrônicos e ópticos como atividade principal, impulsionado pela Zona Franca de Manaus.
Bahia e Pernambuco lideraram o Nordeste, com indústrias químicas, derivados de petróleo, alimentos e bebidas. Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, no Centro-Oeste, exibiram a força crescente da agroindústria, alimentos e biocombustíveis.
Contexto
A Pesquisa Industrial Anual (PIA), na edição de 2024, analisa dados referentes ao ano de 2022. O IBGE explica que o processo de coleta, crítica e análise dos dados industriais leva cerca de dois anos para ser concluído após o fechamento do ano fiscal das empresas. Essa defasagem é comum em levantamentos estruturais. O objetivo da PIA é fornecer um panorama detalhado da estrutura do segmento empresarial industrial brasileiro e suas transformações, utilizando uma amostra de empresas, mas com metodologia que impede comparações diretas com anos anteriores devido a ajustes técnicos.