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Folha Jundiaiense

Ibovespa DESPENCA 2,25% e atinge mínima: o que ABALA o mercado?

Ibovespa Despenca 2,25% em Meio a Temores Globais e Tensão no Oriente Médio

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), registra forte queda de 2,25% nesta sexta-feira, fechando aos 176.219,40 pontos. A performance negativa é atribuída à crescente aversão ao risco no cenário global, impulsionada pelas incertezas em torno do conflito no Oriente Médio e seus impactos na economia mundial. O mercado acionário brasileiro acompanha o movimento de queda em Wall Street, onde o S&P 500 também recua.

O pregão, marcado pelo vencimento de opções sobre ações na B3, atinge sua mínima do dia em 175.039,34 pontos, o menor patamar intradia desde 22 de janeiro. O volume financeiro totaliza R$49,45 bilhões. Na semana, o Ibovespa acumula perda de 0,81%, ampliando a queda no mês para 6,66%, embora ainda apresente alta de 9,37% no acumulado do ano.

Petróleo Dispara Impulsionado por Conflito no Oriente Médio

O preço do petróleo Brent dispara, com alta de mais de 3%, fechando a US$112,19 o barril. Este é o maior valor desde julho de 2022. A escalada nos preços é reflexo direto das tensões geopolíticas no Oriente Médio, com a intensificação do conflito envolvendo os Estados Unidos, Israel e Irã. Há três semanas, a região vive sob a sombra da guerra, sem perspectivas de arrefecimento a curto prazo. Em comparação, na última sexta-feira de fevereiro, antes dos primeiros ataques, o Brent fechou a US$72,48.

O aumento do preço do petróleo impacta diretamente a inflação global, gerando preocupações nos mercados financeiros. Analistas alertam que cada semana de conflito no Oriente Médio funciona como um “tic tac” na inflação, intensificando os receios sobre o movimento das taxas de juros, especialmente nos Estados Unidos.

Fontes da Reuters informam que os Estados Unidos estão enviando milhares de fuzileiros navais e marinheiros adicionais para o Oriente Médio, intensificando a presença militar na região e elevando o nível de alerta.

Impacto no Mercado de Juros e Câmbio

O cenário de incerteza global impacta diretamente o mercado de juros. Operadores de contratos de juros de curto prazo passam a precificar uma chance acima de 50% de o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, elevar a taxa de juros em dezembro. Essa mudança drástica nas expectativas, em comparação com o início da semana, quando se esperava um corte, reflete a crescente preocupação com a inflação.

Simultaneamente, o rendimento do título de 10 anos do Tesouro dos EUA atinge 4,3796%, ante 4,283% no dia anterior. O dólar se valoriza frente a outras divisas, incluindo o real, que fecha em alta de 1,84%, cotado a R$5,3125.

Fluxo Cambial e o Desempenho da Bolsa

O cenário global adverso desacelera o fluxo de estrangeiros para a bolsa paulista em março. No entanto, a B3 ainda registra um saldo positivo de quase R$4,6 bilhões até o dia 17. Em fevereiro, a entrada líquida foi de R$15,4 bilhões, enquanto em janeiro atingiu R$26,3 bilhões.

Destaques do Ibovespa: Desempenho Individual das Ações

Em meio ao cenário de queda generalizada, algumas empresas se destacam, enquanto outras sofrem perdas significativas. Veja o desempenho individual de algumas ações:

Cemig PN (CMIG4) Apresenta Lucro Sólido

CEMIG PN (CMIG4) registra avanço de 0,41% após divulgar lucro líquido de R$ 1,88 bilhão no quarto trimestre de 2025, representando um aumento de 88% em relação ao ano anterior. A companhia cita um efeito positivo de R$ 788,1 milhões no lucro, decorrente do acordo para encerramento da obrigação pós-emprego do plano de saúde e odontológico. A receita líquida do quarto trimestre cresce 2,9%.

Petrobras PN (PETR4) Cede Diante das Incertezas

PETROBRAS PN (PETR4) recua 2,37%, em dia de correção, com investidores buscando entender os potenciais reflexos para a companhia de medidas recentes do governo para atenuar os efeitos da disparada do petróleo na economia brasileira. Até o dia anterior, a ação acumulava alta de quase 19% desde o começo da guerra no Irã. No ano, a valorização chegava a quase 52%. No setor, PETRORECONCAVO ON (RECV3) recua 5,29% e BRAVA ON (BRAV3) perde 3,32%. Na contramão, PRIO ON (PRIO3) sobe 3,14%, com analistas do UBS BB elevando o preço-alvo para R$ 75 ante R$ 56 e reiterando compra.

Mudanças na B3 e Impacto nos Bancos

SANTANDER BRASIL UNIT (SANB11) recua 2,47%, em pregão marcado pela repercussão da decisão do presidente-executivo do banco, Mário Leão, de deixar o cargo. Ele permanece até julho, quando o novo CEO, Gilson Finkelsztain, atualmente comandando a B3, assume a função. B3 ON (B3SA3) recua 4,31%. A B3 informa que comunicará oportunamente o nome do sucessor de Finkelsztain. Entre os bancos do Ibovespa, ITAÚ UNIBANCO PN (ITUB4) cai 1,75%, BRADESCO PN (BBDC4) perde 1,66%, BANCO DO BRASIL ON (BBAS3) cede 1,02%. BTG PACTUAL UNIT (BPAC11) perde 4,3%.

Vale ON (VALE3) Acompanha Correção do Mercado

VALE ON (VALE3) recua 1,41%, acompanhando a correção negativa no mercado como um todo, mesmo com o avanço dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na bolsa de Dalian sobe 1,05%.

Braskem PNA (BRKM5) Sofre Forte Queda

BRASKEM PNA (BRKM5) desaba 14,21%, devolvendo boa parte da alta de março, que agora soma 6,36%. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sanciona lei que amplia os benefícios do regime especial de tributação para a indústria química nacional (Reiq), tanto em valores como em itens elegíveis para redução de impostos. Analistas do BTG Pactual estimam que o programa possa adicionar aproximadamente US$ 250 milhões a US$ 350 milhões por ano ao Ebitda da Braskem.

Cyrela ON (CYRE3) Apresenta Resultados Positivos, Mas Cede

CYRELA ON (CYRE3) perde 2,06%, mesmo após resultado acima das expectativas no quarto trimestre, com lucro líquido de R$ 682 milhões e receita líquida de R$ 3,2 bilhões. A companhia, porém, divulga queima de caixa de R$ 38 milhões e queda na margem bruta na base trimestral. A companhia também firma acordo para potencial aquisição de participação em controlada da Helbor, que inclui a compra de Cepacs. HELBOR ON (HBOR3), que não está no Ibovespa, sobe 1,53%.

Hapvida ON (HAPV3) Retoma Tendência Negativa

HAPVIDA ON (HAPV3) cai 5,08%, retomando a tendência negativa após forte volatilidade no dia anterior, quando a ação chegou a recuar quase 15% nos primeiros negócios antes de fechar com um salto também de quase 15%, em meio à repercussão do balanço no último trimestre do ano passado e sinalizações sobre o começo de 2026. Analistas do Citi avaliam que a Hapvida está nos “estágios iniciais de um processo de ‘turnaround’ complexo — e certamente não existem ‘soluções da noite para o dia’”.

Yduqs ON (YDUQ3) Tem Leve Alta Após Programa de Recompra

YDUQS ON (YDUQ3) sobe 1,38%, entre as poucas altas do dia, após o conselho de administração do grupo de educação aprovar programa de recompra de ações de até R$ 100 milhões, com prazo de 18 meses. As ações registram perda de 9,5% em fevereiro e somam um declínio de quase 24% em março até o dia anterior, em um movimento que se acentua após a divulgação do balanço, revertendo um começo de ano mais positivo com alta de 20,5% acumulada em janeiro.

O Que Está em Jogo: Impacto do Cenário Global no Brasil

O que está em jogo é a vulnerabilidade da economia brasileira frente às tensões geopolíticas e às decisões de política monetária nos Estados Unidos. A alta do petróleo, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio, pressiona a inflação, enquanto a perspectiva de aumento das taxas de juros nos EUA pode reduzir o fluxo de investimentos para o Brasil. O Banco Central do Brasil (BCB) monitora de perto a situação para calibrar suas decisões de política monetária e garantir a estabilidade da economia.

Contexto

A Bolsa de Valores brasileira, historicamente, demonstra sensibilidade a eventos geopolíticos e mudanças no cenário econômico global. O conflito no Oriente Médio, em particular, tem o potencial de desestabilizar os mercados devido ao seu impacto direto nos preços do petróleo e, consequentemente, na inflação mundial. As decisões do Federal Reserve sobre as taxas de juros também exercem influência significativa, afetando o fluxo de capitais e as expectativas de crescimento econômico em países emergentes como o Brasil.

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