Retratos que desafiam séculos de invisibilidade agora ocupam um espaço central em Jundiaí, convidando à reflexão e celebração. Uma exposição fotográfica inédita traz à luz a força e a história de mulheres negras, prometendo transformar a percepção de quem passa pelo Fundo Social de Solidariedade.
A iniciativa faz parte da extensa programação da Prefeitura de Jundiaí, dedicada a datas emblemáticas como o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, ambos de grande relevância para a cultura afro-brasileira.
Vozes Visuais: A Força da Mulher Negra em Destaque
A mostra, intitulada “NaPeleDaNegra: Cercas Vivas”, é fruto do trabalho do Coletivo PretaEu e estará aberta ao público até o dia 7 de agosto de 2026. Moradores e visitantes têm a oportunidade de mergulhar nesse universo visual de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.
O Fundo Social de Solidariedade de Jundiaí, localizado na Av. Manoela Lacerda de Vergueiro, s/n – Portão 3, no Parque da Uva, abre suas portas para uma profunda reflexão. As fotografias propõem uma imersão na ancestralidade e no protagonismo das mulheres negras, valorizando suas identidades singulares.
Por meio de cada imagem, a exposição convida a um olhar atento para as trajetórias de vida, as lutas e as conquistas. A diretora do Fundo Social, Cássia Carpi, expressou o orgulho da instituição em acolher uma iniciativa tão significativa.
“O Fundo Social tem orgulho de abrir suas portas para uma mostra que inspira, acolhe e fortalece a valorização da diversidade e da cultura afro-brasileira”, afirmou Cássia Carpi, sublinhando a importância da exposição para a comunidade.
A curadoria e a seleção das obras buscam ressaltar o papel fundamental dessas mulheres na construção social e cultural do país, muitas vezes marginalizado pela narrativa oficial.
Impacto na região
Para os moradores de Jundiaí e cidades vizinhas, a chegada de “NaPeleDaNegra: Cercas Vivas” representa mais do que um evento cultural; é um convite direto à reflexão sobre a diversidade local. A exposição atua como um catalisador para debates importantes sobre representatividade e inclusão.
Ao sediar uma mostra tão engajada, Jundiaí reforça seu compromisso com a valorização das múltiplas identidades que compõem sua população. A iniciativa fomenta um senso de pertencimento e orgulho, especialmente entre as comunidades afro-brasileiras.
Isso significa que o público da região tem a chance de se conectar com histórias e perspectivas que, de outra forma, talvez não encontrassem tanto espaço. A arte, neste contexto, torna-se uma ponte para o diálogo e a construção de uma sociedade mais justa e consciente.
Cercas Vivas: Natureza, Ancestralidade e o Olhar Poético
O conceito central da exposição estabelece um diálogo profundo e simbólico entre a mulher negra e a natureza. As fotografias utilizam o verde, em suas diversas tonalidades, como um poderoso símbolo de vida, cura, proteção e, sobretudo, ancestralidade.
Esses elementos visuais foram cuidadosamente explorados nas obras produzidas por Evandro Feliciano, em parceria com o Coletivo PretaEu. A linguagem artística escolhida é sensível e poética, buscando transcender o óbvio e tocar a alma do observador.
Cada imagem é uma narrativa, capturando a força intrínseca, a identidade inabalável e a resistência histórica das mulheres negras. O projeto ressalta como esses atributos se manifestam no cotidiano e na postura diante da vida.
A colaboração entre o fotógrafo e o coletivo resulta em uma série que não apenas documenta, mas também celebra, elevando a experiência estética a um patamar de conscientização social e valorização cultural.
Coletivo PretaEu: Vozes por Trás das Lentes
O Coletivo PretaEu, com sua atuação no cenário cultural, tem sido um motor vital para a promoção da arte e da representatividade negra. A curadoria e a visão do coletivo são fundamentais para a potência e a ressonância da exposição.
Ao unir forças com talentos como o de Evandro Feliciano, o grupo solidifica sua missão de dar visibilidade a narrativas que precisam ser contadas. O impacto dessas parcerias reverberam na percepção pública sobre a cultura afro-brasileira.
Legado e Luta: Por Que Esta História Importa Agora
A história do Brasil é marcada por um legado complexo onde a contribuição das mulheres negras, muitas vezes, foi sistematicamente apagada ou subestimada. A invisibilidade de suas lutas e conquistas é uma ferida histórica que a sociedade contemporânea busca curar.
A instauração de datas como o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, assim como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, reflete um movimento crescente de reconhecimento e valorização. São marcos de uma jornada longa e árdua por justiça social.
Atualmente, a arte desempenha um papel crucial nessa reparação histórica. Exposições como “NaPeleDaNegra: Cercas Vivas” não são apenas mostras estéticas, mas plataformas poderosas para educar, inspirar e provocar mudanças significativas na maneira como percebemos o outro.
Por isso, este assunto importa agora: ao olharmos para essas imagens, somos convidados a confrontar preconceitos, celebrar a diversidade e construir um futuro onde todas as vozes sejam ouvidas e respeitadas. É um passo essencial para uma sociedade mais equitativa.
A força contida em cada fotografia serve como um lembrete vívido da resiliência e da contribuição inestimável das mulheres negras, incentivando a uma profunda reflexão sobre a riqueza cultural e a importância da representatividade em todos os campos da vida.