Ex-assessor de Bolsonaro busca arrecadar fundos após ser réu em processo no STF

Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro, inicia vaquinha para cobrir honorários de advogados nos EUA.
Filipe Martins e sua campanha de arrecadação nos EUA
O ex-assessor de Relações Internacionais do ex-presidente Jair Bolsonaro, Filipe Martins, lançou uma campanha virtual de arrecadação para custear advogados nos Estados Unidos. A iniciativa foi anunciada no último domingo (9), em uma publicação no X (antigo Twitter) pelo advogado Jeffrey Chiquini. A campanha visa arrecadar fundos para ajudar Martins, que enfrenta sérios problemas legais em decorrência de sua participação no processo que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado.
Contexto legal e prisão de Martins
Filipe Martins é réu no STF no núcleo 2 do processo por tentativa de golpe, e a Procuradoria-Geral da República (PGR) já pediu sua condenação. Martins está preso preventivamente desde fevereiro de 2024, após passar seis meses detido no Paraná. Ele foi liberado para cumprir prisão domiciliar devido ao risco de fuga, uma vez que constava na lista de passageiros de uma comitiva que deixou o Brasil em dezembro de 2022.
Vaquinha para custear honorários
A arrecadação foi criada por amigos e apoiadores de Martins e destina-se a custear os honorários de advogados criminalistas nos EUA. Chiquini ressaltou que todos os recursos arrecadados serão exclusivamente para Martins, e pediu que as pessoas ajudem a divulgar a campanha. Ele enfatizou que o objetivo é levar todos os responsáveis pela fraude no sistema migratório americano à Justiça.
Reações e desdobramentos
A vaquinha foi anunciada após recentes decisões do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinou o afastamento da Defesa de Martins por perda de prazo processual, mas recuou na decisão dias depois. Essa mudança gerou reações nas redes sociais, especialmente entre perfis da ultra-direita, que acusaram o STF de cercear a defesa de Martins.
Apesar da pressão popular e das manifestações em redes sociais, a PGR apresentou documentos que implicam Martins diretamente na tentativa de golpe, incluindo provas de uma reunião em dezembro de 2022, onde Jair Bolsonaro teria apresentado um decreto com medidas excepcionais aos comandantes das Forças Armadas.
Próximos passos no caso
Filipe Martins será julgado em dezembro, nos dias 9, 10, 16 e 17, junto com outros integrantes do chamado “núcleo 2” da trama golpista. O grupo é composto por ex-assessores e aliados diretos de Bolsonaro, supostamente responsáveis por ações de articulação e apoio logístico ao plano de golpe. O desdobramento desse caso é esperado para causar impactos significativos na política brasileira.