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Folha Jundiaiense

Fatores globais e locais agitam Ibovespa, Dólar e Juros nesta quinta

Mercados Oscilam em Manhã de Impacto Geopolítico e Decisões de Juros Globais; Ibovespa Futuro Cai Aos 170,7 Mil Pontos

O mercado financeiro brasileiro opera sob volatilidade intensa nesta quinta-feira (18), reagindo a um complexo cenário de notícias domésticas e internacionais. O Ibovespa futuro registra queda, alcançando os 170,7 mil pontos, enquanto o dólar comercial avança para R$ 5,13. Os juros futuros exibem movimentos mistos, refletindo a incerteza gerada por uma série de eventos recentes. Entre os catalisadores, destacam-se o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom), que sinaliza o fim próximo do ciclo de cortes da taxa Selic, e o acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, que impacta o preço do petróleo e a dinâmica geopolítica global.

As primeiras horas do pregão mostram o mini-índice com vencimento em agosto de 2026 (WINQ26) abrindo o dia com uma desvalorização de 0,43%, cotado a 170.735 pontos. Simultaneamente, o minidólar com vencimento em julho (WDON26) registra alta de 0,69%, negociado a 5.157,00. Essa movimentação contrária reflete a complexidade do cenário, onde o apetite por risco diminui na bolsa e a busca por proteção na moeda americana aumenta.

O Ibovespa futuro exibe uma abertura errática. Inicialmente em alta de 0,31%, aos 172.000 pontos, rapidamente virou para queda de 0,16%, atingindo 171.115 pontos, e depois ampliou as perdas para 0,43%, chegando aos 170.750 pontos. O dólar comercial, por sua vez, abriu em alta de 0,50%, com cotação de R$ 5,133 na compra e R$ 5,135 na venda, enquanto o dólar futuro subiu 0,74%, para 5.160,00 pontos. O Bitcoin Futuro (BITFUT) também registrou uma leve alta de 0,15%, a 330.140,00.

Cenário Geopolítico Global: Acordo EUA-Irã e Tensões em Aumento

Um dos principais fatores globais que influenciam os mercados é o acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. O pacto, assinado pelo presidente Donald Trump e seu homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian, visa encerrar a guerra que tem afetado gravemente o abastecimento global de energia. O memorando de entendimento, que entrou em vigor dois dias antes do previsto, prevê a reabertura imediata do estratégico Estreito de Ormuz e o levantamento de sanções impostas aos portos iranianos, um alívio crucial para o fluxo de petróleo.

A resposta dos mercados de petróleo foi imediata. Os preços do WTI e do Brent recuam cerca de 1%, com o barril de WTI a US$ 75,46 (-1,73%) e o Brent a US$ 78,62 (-1,17%). A Agência Internacional de Energia (AIE) já alertava para um excesso de oferta no próximo ano, cenário que se agrava com a perspectiva de mais petróleo iraniano no mercado. Contudo, a declaração de Trump de que "pode retomar ataques" adiciona uma camada de incerteza, mitigando parte do otimismo inicial e mantendo os investidores em alerta máximo. A reabertura de Ormuz é vital, pois por ele passa cerca de um quinto do petróleo mundial.

Apesar do acordo, a região do Oriente Médio continua instável. No Líbano, ataques aéreos israelenses persistem, deslocando mais de um milhão de pessoas e levantando questionamentos sobre a extensão do compromisso de Trump em forçar seus aliados a interromper ofensivas. Paralelamente, a guerra entre Rússia e Ucrânia também gera preocupação. O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy declara que "Moscou vai pegar fogo" se os ataques russos continuarem, em retaliação a um ataque que danificou um mosteiro histórico em Kiev. Dezenas de drones atacaram Moscou e uma refinaria de petróleo pela segunda vez nesta semana, evidenciando a escalada do conflito e seus potenciais reflexos no mercado de energia e na segurança global.

Política Monetária Brasileira: Selic em Destaque e Declarações da Fazenda

No cenário doméstico, a política monetária permanece como um dos principais vetores dos mercados. O Banco Central (BC) brasileiro, por meio do Comitê de Política Monetária (Copom), decidiu cortar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14,25% ao ano. O comunicado do Copom, entretanto, trouxe sinais claros de que o ciclo de cortes pode estar se aproximando do fim, ao mencionar a avaliação de trajetórias de juros "alternativas" para atingir a meta de inflação em um horizonte mais distante.

Mesmo com a redução, o Brasil mantém a liderança no ranking mundial de juros reais, com uma taxa de 9,67% em junho. O juro real é a taxa de juros básica descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses, e esse patamar elevado impacta diretamente o custo do crédito para empresas e consumidores, podendo frear o crescimento econômico. O Copom reconhece o impacto dos juros altos na economia e a incerteza frente à inflação, considerando o cenário doméstico e global para suas decisões.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforça que a estratégia de política econômica do governo tem se mostrado bem-sucedida, com uma "trajetória fiscal contratada" e expectativa de superávit para o próximo ano, o que deve auxiliar a política monetária. Durigan também abordou a questão da "taxa das blusinhas", confirmando que a taxação sobre importações de pequeno valor ficará zerada no âmbito federal até o fim do governo Lula, uma medida que impacta diretamente o comércio eletrônico e os consumidores brasileiros.

O ministro Durigan comentou ainda que não defende uma mudança na metodologia do cálculo da inflação, mas vê com bons olhos uma modernização. Ele expressou confiança em Jacques Wagner, alvo de uma nova fase da Operação Compliance Zero no "Caso Master", e afirmou que o nascedouro do escândalo remonta a 2019, quando Daniel Vorcaro foi autorizado a formar o banco. Em relação ao programa "Desenrola", o ministro admitiu que a esperada queda nas taxas de juros após a primeira fase do programa não se concretizou.

Mercados Internacionais: Fed, China e Europa Dividem Atenções

O cenário internacional segue com múltiplos focos de atenção. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) manteve a taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75% na véspera, mas o comunicado e o "gráfico de pontos" (dot plot) indicaram uma postura mais hawkish. Quase metade das autoridades do banco central americano sinalizou que uma nova elevação de juros pode ocorrer ainda em 2026, com cortes esperados apenas para 2027. A projeção do CME/FedWatch para a manutenção dos juros em julho está em 63%, refletindo a cautela do mercado.

A economista-chefe da New Century Advisors, Claudia Sahm, destacou à CNBC que "o vento mudou muito em termos do quadro de inflação", enquanto Jeffrey Gundlach, CEO da DoubleLine Capital, observou que o presidente do Fed, Warsh, demonstra um forte compromisso com a "estabilidade de preços", sugerindo uma política monetária menos flexível do que muitos esperavam. Os principais índices de Nova York fecharam a sessão anterior com quedas amplas: Dow Jones (-0,97%), S&P 500 (-1,21%) e Nasdaq (-1,35%).

Na Europa, as bolsas operam sem direção definida, aguardando as decisões de juros do Banco da Inglaterra (BoE) e do Banco Nacional Suíço (SNB). O BoE manteve sua taxa básica de juros inalterada em 3,75% ao ano. O instituto alemão Ifo revisou para baixo sua previsão de crescimento econômico para 2027, de 1,2% para 0,8%, citando os preços elevados da energia e o conflito no Oriente Médio como fatores de desaceleração. A Suíça, por sua vez, viu sua câmara baixa rejeitar um acordo comercial com o Mercosul, em meio a objeções de parlamentares conservadores (agricultores) e de esquerda (práticas trabalhistas e meio ambiente).

Na Ásia, os mercados fecharam de forma mista. As ações do setor de tecnologia registraram alta na China continental, impulsionadas pelo compromisso da Comissão Reguladora de Valores Mobiliárias de apoiar a inovação, especialmente em inteligência artificial (IA). O presidente da comissão, Wu Qing, afirmou que "uma nova onda de revolução tecnológica, liderada pela inteligência artificial, está sendo integrada à produção e à vida cotidiana em um ritmo sem precedentes".

Movimentações Corporativas e Comodities: Destaques do Dia

Em termos de movimentações corporativas, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a aquisição do controle da Brava Energia (BRAV3) pela Ecopetrol, um dia após a oferta pública de aquisição (OPA) ter sido temporariamente suspensa. Outro ponto relevante é a situação da Oi (OIBR3;OIBR4), que não recebeu propostas por sua unidade de negócios B2B em leilão judicial. A Justiça determinou que a companhia e os demais envolvidos se manifestem até 22 de junho sobre os próximos passos da alienação, um desenvolvimento crítico para a recuperação judicial da operadora.

No setor de tecnologia global, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que a Apple fará uma parceria com a Intel para projetar e fabricar chips nos Estados Unidos. Essa colaboração estratégica visa diversificar a base de fabricação da Apple, reduzindo sua dependência da TSMC e fortalecendo a produção doméstica de semicondutores. As ações da Intel reagiram positivamente, subindo cerca de 6,5% nas negociações pré-mercado.

No mercado de comodities, além do recuo do petróleo, o minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, na China, fechou em baixa de 1,13%, cotado a 747,00 iuanes (US$ 110,54). A queda é atribuída à fraca demanda chinesa, juntamente com a redução dos preços da energia e das taxas de frete, que eliminam o suporte de custo para o ingrediente siderúrgico.

Contexto

Os mercados financeiros operam em um cenário de convergência de forças macroeconômicas e geopolíticas. A cautela dos bancos centrais globais, evidenciada pela sinalização de juros altos nos EUA e pelo fim do ciclo de cortes no Brasil, aliada às tensões no Oriente Médio e na Europa, cria um ambiente de elevada incerteza para investidores e decisores. A reabertura do Estreito de Ormuz oferece um alívio temporário nos preços do petróleo, mas a volatilidade persiste diante das declarações de lideranças e dos conflitos em curso, moldando as expectativas para a economia global e brasileira.

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