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Folha Jundiaiense

Estrela do atletismo sobe ao pódio no ciclismo dos Parasul-Americanos.

O Brasil largou com força nos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar, Colômbia, nesta quinta-feira (2), ao conquistar sete medalhas no ciclismo paralímpico. A delegação brasileira dominou as provas de contrarrelógio, somando quatro ouros e três pratas, um início promissor para a competição que se estende até 15 de julho.

A performance inicial solidifica a expectativa sobre o desempenho brasileiro no evento, o primeiro de grande porte no ciclo que leva aos Jogos de Los Angeles, em 2028. A emissora pública colombiana, Señal Colombia, transmite as disputas ao vivo pelo YouTube.

Domínio Brasileiro no Contrarrelógio Paralímpico

Entre os destaques da primeira jornada, a paratleta Jerusa Geber, conhecida por seu legado no atletismo, garantiu a medalha de prata na classe B, destinada a competidores com deficiência visual. Ela completou o percurso em 27min55s23, guiada pela pilota Marcella Toldi.

Aos 44 anos, a acreana, tetracampeã mundial nos 100 metros rasos e recordista na distância, onde foi a primeira atleta cega a correr abaixo dos 12 segundos, migrou para o ciclismo no fim de 2024. Geber já ostenta dois ouros da Paralimpíada de Paris, conquistados há dois anos, nos 100 e 200 metros.

“Estou muito feliz com este resultado. O ciclismo é uma paixão para mim. Estou gostando muito e pretendo ficar nele por bastante tempo. Até onde der, quero seguir no esporte dando trabalho para minhas adversárias”, declarou Jerusa à comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).

O ouro na mesma classe B ficou com outra brasileira, Viviane Soares, da Fluminense, que cruzou a linha de chegada em 26min46s41, com a pilota Lara Marinho. A argentina Maria Jose Quiroga completou o pódio.

Viviane, de 30 anos, também possui histórico no atletismo, com uma medalha de bronze nos 100 metros da classe T12 no Mundial de 2019. Ela chegou a planejar o encerramento da carreira em 2025, mas encontrou um novo caminho no ciclismo.

“Muitas pessoas me ajudaram e me apoiaram nos momentos mais difíceis, quando pensei em parar. Foi uma prova maravilhosa. Eu sabia que tinha chances de pódio, mas não sabia qual medalha seria. Entrei para dar tudo de mim e mais um pouco para conseguir este ouro. Foi duro, cansei bastante, mas deu tudo certo no final”, celebrou Viviane, também à assessoria de imprensa do CPB.

Outros Pódios e Consistência Brasileira

A força brasileira nas pistas de Valledupar não se limitou às provas femininas. O paulista Lauro Chaman conquistou o ouro na disputa masculina da classe C5 (deficiências físico-motoras leves), registrando 34min30s81. Ele superou os colombianos Diego Dueñas e Juan Gómez.

Na versão feminina da C5, a mineira Fabiana Ventura levou a prata, com 32min08s15, atrás da colombiana Paula Ossa.

A classe C2, para atletas com comprometimento físico-motor moderado, também viu o Brasil no topo. O mineiro Roberto Neto assegurou o ouro entre os homens, marcando 26min00s68, deixando para trás o colombiano Esneider Muñoz e o chileno Manuel Opazo.

Entre as mulheres da C2, Sabrina Custódia, de São Paulo, ficou com a prata ao completar a prova em 15min40s07, atrás da colombiana Daniela Munévar.

Ainda na modalidade, o mineiro Eduardo Pimenta venceu na classe H3, que utiliza handbikes (bicicletas impulsionadas com as mãos), com o tempo de 28min41s49. O pódio foi completado pelo argentino Oscar Biga (prata) e o chileno Sebastian Morales (bronze).

A Delegação e os Jogos Parasul-Americanos

O Brasil participa dos Jogos Parasul-Americanos com uma das maiores delegações, somando 237 representantes distribuídos em 13 modalidades. O grupo inclui ainda quatro atletas-guia para o atletismo e quatro pilotos para o ciclismo, além de goleiros no futebol de cegos e calheiros na bocha.

A cerimônia oficial de abertura ocorre neste domingo (5), embora as disputas já tenham começado. Os porta-bandeiras brasileiros serão a halterofilista paulista Mariana D’Andrea, bicampeã paralímpica, e o mesatenista goiano Iranildo Espíndola.

Esta edição, a segunda dos Jogos Parasul-Americanos, reúne uma parte significativa da elite do esporte paralímpico nacional. A delegação conta com 50 medalhistas em Mundiais e 48 atletas que já subiram ao pódio em Paralimpíadas, o que evidencia a força e a experiência do time.

A primeira edição dos Jogos aconteceu em Santiago, Chile, em 2014, quando o Brasil ficou em segundo lugar no quadro geral de medalhas, atrás da Argentina. Os jogos de 2018, que seriam em Buenos Aires, foram cancelados por questões financeiras.

Contexto

Os Jogos Parasul-Americanos representam um palco estratégico para o desenvolvimento do esporte paralímpico na América do Sul. Para o Brasil, a competição funciona como uma avaliação de desempenho para atletas de alto rendimento e uma oportunidade de lapidar novos talentos, visando o ciclo dos Jogos Paralímpicos de Los Angeles em 2028. A experiência em eventos multidesportivos regionais é vital para a adaptação de competidores, especialmente aqueles em transição de modalidade, como Jerusa Geber e Viviane Soares, ou jovens promessas, antes dos desafios globais.

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