A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) detalhou na quarta-feira, 1º de novembro, a implementação da TV 3.0, conhecida como DTV+, que promete transformar o acesso a canais e serviços públicos digitais no país. Em apresentação para jornalistas e influenciadores, a empresa destacou a Plataforma Comum da DTV+, operada pela EBC, como um hub central para o cidadão acessar informações e serviços do governo diretamente pela televisão, começando por Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro.
Antonia Pellegrino, presidente da EBC, ressaltou o engajamento da empresa no projeto desde 2023. Ela descreveu a nova interface da TV: ao ligar o aparelho, o usuário encontrará uma tela com diversos aplicativos, onde o primeiro ícone será o da Plataforma Comum.
Este hub unificará canais federais e serviços digitais do governo.
Pellegrino explicou que o sistema permitirá acessar o SUS Digital, o gov.br e o Tela Brasil, marcando uma “revolução no acesso, na inclusão e na democratização dos serviços”. Ela frisou a popularidade da televisão como um eletrodoméstico presente em quase todos os lares, potencializando o alcance da iniciativa governamental e aproximando o cidadão do Estado de uma forma inédita.
O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, participou do evento, ao lado de Bráulio Ribeiro (diretor de Operações da EBC), João Brant (secretário de Políticas Digitais da Secom) e Wilson Wellisch (secretário de Radiodifusão). Para o ministro, a chegada da TV 3.0 posiciona o Brasil na vanguarda da América Latina no desenvolvimento e aplicação de tecnologias de comunicação.
“O Brasil lidera a implementação e poderá ser o grande protagonista na divulgação e disseminação dessa nova tecnologia no continente”, declarou o ministro.
Ele afirmou que a Plataforma Comum, sob gestão da EBC, servirá de modelo internacional. A TV 3.0, além de melhorar a qualidade de imagem e som, promete interatividade com programas ao vivo, acesso a conteúdo sob demanda e maior proximidade do cidadão com os serviços públicos, criando uma experiência de consumo mais personalizada e funcional.
João Brant, da Secom, detalhou o potencial da plataforma para atingir a população de forma eficiente. Ele reconheceu a disponibilidade de muitos serviços via celular, mas apontou uma diferença fundamental na abordagem da TV 3.0: no smartphone, a busca por serviços é geralmente ativa, exigindo que o cidadão saiba o que procura.
Na TV 3.0, a lógica se inverte.
O conteúdo e os serviços serão oferecidos diretamente na tela, sem necessidade de busca proativa. “Imagina um estudante para o Enem. Muitas vezes, ele nem sabe que o governo tem cursos gratuitos de preparação. Na Plataforma Comum, uma curadoria vai mostrar conteúdos relevantes diretamente na tela quando a prova se aproximar”, exemplificou Brant. Ele acrescentou que a plataforma terá uma “lógica editorial” para exibir materiais conforme temas importantes da semana ou do mês, agindo como um curador de informação governamental.
Brant justificou a escolha da EBC como operadora da Plataforma Comum. Ele afirmou ser um “caminho natural”, decidido por um comitê com representantes dos Três Poderes. A EBC já possui a experiência e a infraestrutura em comunicação pública, além da confiança dos atores envolvidos, disse.
Wilson Wellisch, secretário de Radiodifusão, destacou a inclusão gerada pela nova TV aberta brasileira. Ele apontou avanços como a possibilidade de áudio descrição separada: alguém pode ouvir o recurso via fone de ouvido enquanto o restante da família acompanha o áudio original do programa no mesmo aparelho, sem que a experiência de um interfira na do outro. “Atualmente, isso não é possível. Se você optar pela audiodescrição, todos da família vão ter que acompanhar dessa maneira”, comparou Wellisch, ilustrando um ganho significativo em acessibilidade.
Interatividade e Serviços Públicos: A DTV+ na Prática
Bráulio Ribeiro, diretor de Operações, Engenharia e Tecnologia da EBC, demonstrou o funcionamento prático da TV 3.0. Ele apresentou um set-up box, o aparelho que se conecta à televisão e à antena, e navegou pela interface da DTV+, mostrando como a experiência do usuário será diferente do modelo atual.
“A gente liga a TV e não cai mais na programação linear diretamente”, explicou Ribeiro. “Primeiro, nos é apresentada essa tela que lembra a de um streaming. Aqui, você escolhe o app do canal que quer e ele te leva para a programação ao vivo do momento. Mas, além do ao vivo, a pessoa poderá consumir conteúdo por demanda, acessar enquetes e serviços”.
A demonstração ocorreu pelo aplicativo da TV Brasil, já ativo em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Ribeiro acessou o menu de conteúdos sob demanda e a aba de participação. Ele citou a possibilidade de votar na pauta de um programa como o Sem Censura ou sugerir temas para o jornalismo da TV Brasil, tudo pelo controle remoto, transformando o espectador em participante ativo.
Dois serviços governamentais já disponíveis na DTV+ foram exibidos: um que localiza a Farmácia Popular mais próxima do usuário e outro com um catálogo de cursos de formação profissional oferecidos pelo governo. Esses exemplos ilustram como a plataforma integra diretamente o cidadão à prestação de serviços essenciais e oportunidades de qualificação, sem a necessidade de migrar para outros dispositivos.
Antonia Pellegrino reforçou que a TV 3.0 redefine o papel institucional da EBC. Criada há 18 anos com a missão de oferecer comunicação pública de qualidade, livre de interesses comerciais e desinformação, a empresa agora assume uma nova dimensão: ser uma infraestrutura de serviços digitais, um pilar para a conectividade cívica.
“É um desafio e uma honra enorme tocar esse projeto”, declarou Pellegrino. A EBC aprovou uma política de inovação e busca recursos para modernizar sua operação, garantindo que possa entregar o melhor dessa nova era. A transição para a TV 3.0 marca não apenas um avanço tecnológico, mas uma ressignificação da comunicação pública no Brasil, com foco em serviço direto ao cidadão.
Contexto
A transição da televisão analógica para a digital no Brasil, iniciada formalmente em 2007, representou um salto em qualidade de imagem e som, além de permitir o surgimento da multiprogramação. A TV 3.0, ou DTV+, surge agora como a próxima evolução desse processo, integrando a radiodifusão com a internet e a interatividade. Este novo padrão busca aproveitar a ubiquidade do aparelho de televisão nos lares brasileiros para ir além do entretenimento, transformando-o em um portal para serviços públicos e informação personalizada. A iniciativa visa diminuir o fosso digital, oferecendo acesso simplificado a ferramentas governamentais e conteúdos educativos, especialmente para parcelas da população com menor familiaridade ou acesso limitado a dispositivos como smartphones e computadores para essas finalidades. A expectativa é que a medida democratize o acesso à informação e aos serviços, potencializando a inclusão social e digital.