Pesquisar
Folha Jundiaiense

Dólar salta 1% hoje com impacto das decisões de juros no Brasil e EUA

O dólar comercial registra forte alta em relação ao real nesta quinta-feira, 18 de julho, impulsionado por um cenário internacional e doméstico de incertezas. A decisão do Federal Reserve (Fed) na véspera reforça as apostas de um aperto monetário nos Estados Unidos, enquanto o mercado brasileiro digere o corte da taxa Selic para 14,25% e o tom considerado mais flexível do Comitê de Política Monetária (Copom), que deixou em aberto os próximos passos da política de juros no Brasil.

Essa combinação de fatores exerce pressão significativa sobre a moeda brasileira. A percepção de juros mais altos nos EUA, aliada à possibilidade de novos cortes no Brasil, diminui o atrativo do diferencial de juros doméstico para o investimento estrangeiro, o que impacta diretamente o fluxo de capitais e, consequentemente, a cotação da moeda americana no mercado nacional.

Cotação Detalhada: Dólar Vê Disparada

Às 11h58 desta quinta-feira, o dólar à vista operava com expressiva valorização de 1,03%, atingindo R$ 5,160 para venda. O movimento de alta também se replicava no mercado futuro, com o dólar futuro para julho – contrato mais líquido na B3 – registrando avanço de 1,04%, cotado a R$ 5,175. Esses patamares refletem a apreensão dos investidores diante das recentes decisões de política monetária.

Os dados detalhados para o dólar comercial, no mesmo momento, indicam uma paridade entre a compra e a venda, consolidando o valor de R$ 5,160. Essa é a referência principal para as transações de comércio exterior e para o mercado financeiro como um todo.

  • Compra: R$ 5,160
  • Venda: R$ 5,160

A volatilidade observada na cotação do dólar tem sido uma constante, exigindo atenção redobrada dos agentes do mercado. Pequenas variações nas expectativas de juros ou no cenário geopolítico global podem gerar impactos significativos no câmbio, influenciando custos e investimentos.

Impacto das Decisões do Federal Reserve nos Juros Globais

O banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed), manteve suas taxas de juros estáveis na faixa de 3,50% a 3,75% em sua última reunião. No entanto, o tom da comunicação foi decisivo. Quase metade dos formuladores de políticas do Fed agora prevê um aumento nos juros ainda neste ano, uma sinalização clara de que a instituição está atenta às pressões inflacionárias.

Essa expectativa de elevação das taxas de juros nos EUA ganha força com a chegada do novo presidente, Kevin Warsh, que iniciou seu mandato com uma ampla revisão da política monetária. A preocupação crescente com a inflação nos Estados Unidos é o motor por trás dessa postura mais “hawkish” (mais agressiva no combate à inflação) do Fed, buscando conter o avanço dos preços antes que se consolidem.

O mercado futuro de Fed Funds, que negocia contratos de juros nos EUA, já precifica integralmente um aumento da taxa até outubro, conforme dados da LSEG. Esse cenário foi reforçado por um forte indicador de vendas no varejo, divulgado recentemente, que aponta para uma economia robusta, dando mais espaço para o Fed agir de forma mais agressiva para controlar a inflação sem comprometer o crescimento.

Consequências da Política do Fed para o Brasil

A perspectiva de juros mais elevados nos EUA representa um desafio direto para economias emergentes como a brasileira. Juros mais atraentes em uma economia globalmente sólida como a americana tendem a desviar o capital de investidores que buscam rentabilidade e segurança para fora de países de maior risco percebido. Isso resulta em menor fluxo de dólares para o Brasil, encarecendo a moeda americana.

Para o cidadão, um dólar mais alto se traduz em maior custo de produtos importados, desde componentes eletrônicos até insumos para a indústria e alimentos. Viagens ao exterior ficam mais caras, e o preço do combustível, cotado internacionalmente em dólar, pode sofrer elevação, impactando toda a cadeia de produção e logística no país.

Decisão do Copom e o Cenário Doméstico da Selic

No Brasil, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, divulgada na noite da última quarta-feira, 17 de julho, também contribui para a pressão sobre o dólar. O colegiado optou por um corte de 25 pontos-base na taxa básica de juros, a Selic, que passou de 14,50% para 14,25% ao ano.

Além do corte, o que chamou a atenção do mercado foi a postura considerada “dovish” (mais flexível em relação ao combate à inflação) do Copom. O comitê estendeu o horizonte relevante para a inflação convergir à meta de 3% ao ano do quarto trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028. Na prática, o Banco Central sinaliza que pode levar mais tempo para atingir a meta de inflação.

Essa extensão do horizonte da meta de inflação deixa a porta aberta para um possível novo corte da Selic já na próxima reunião de agosto. Tal sinalização é interpretada pelo mercado como uma maior propensão do Copom a correr riscos inflacionários em prol de um estímulo à atividade econômica, ou, no mínimo, um relaxamento na urgência do controle de preços.

A equipe da Genial Investimentos, em análise publicada após a decisão do Copom, avaliou: “O grande destaque ficou por conta justamente da rolagem do horizonte relevante em um trimestre à frente, sinalizando que o comitê… opta por buscar uma justificativa que sustente um corte de juros, mostrando uma postura mais propensa a riscos inflacionários.

Cenário Global e o Papel do Banco da Inglaterra

No contexto internacional, o Banco da Inglaterra (BoE) também manteve suas taxas de juros inalteradas em 3,75% nesta quinta-feira. A decisão reflete a cautela da instituição enquanto avalia as implicações de uma trégua provisória na guerra entre Estados Unidos e Irã para o cenário global de inflação. Essa ponderação demonstra como eventos geopolíticos podem influenciar diretamente as decisões de política monetária.

Estados Unidos e Irã divulgaram na quarta-feira o texto de seu acordo, que estende por mais 60 dias um cessar-fogo anunciado em abril. O objetivo é permitir que as duas partes negociem uma trégua duradoura. O pacto prevê, ainda, a retomada integral do tráfego marítimo, sem a cobrança de qualquer taxa, no estratégico Estreito de Ormuz.

A normalização do tráfego no Estreito de Ormuz é um fator crucial para os mercados globais, pois essa passagem é uma das principais rotas de transporte de petróleo no mundo. A redução das tensões e a garantia de um fluxo ininterrupto de petróleo podem aliviar as pressões sobre os preços da commodity, contribuindo para uma menor inflação global. A decisão do BoE de manter os juros é um reflexo dessa expectativa, esperando a consolidação de um cenário mais estável.

Leia mais

Destaques

plugins premium WordPress