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Folha Jundiaiense

Desmatamento da Mata Atlântica em SP cai 29%, aponta Inpe.

O desmatamento da Mata Atlântica no estado de São Paulo registrou uma queda de 29% no último ciclo de monitoramento, conforme dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O levantamento, que integra o Atlas da Mata Atlântica, aponta uma redução da área devastada de 39 hectares para 35 hectares entre os períodos recentes analisados, consolidando São Paulo como o estado do Sudeste com a menor perda florestal.

A Fundação SOS Mata Atlântica, parceira do Inpe na elaboração do Atlas, destaca a importância da diminuição. Embora os números absolutos sejam pequenos frente à dimensão do bioma, a tendência de queda reforça os esforços de fiscalização e as políticas ambientais no estado.

O monitoramento do Atlas da Mata Atlântica é uma iniciativa histórica. Desde 1989, ele acompanha a saúde do bioma em 17 estados brasileiros, cobrindo uma vasta área de 130,9 milhões de hectares. O trabalho fornece dados essenciais para o planejamento e a implementação de ações de conservação.

A marca de 35 hectares é a menor registrada em São Paulo desde 2018-2019, quando a supressão da vegetação local somou 43 hectares. Os números refletem um padrão mais consistente de controle, em contraste com a instabilidade de outros períodos.

São Paulo se destaca no panorama regional. A análise do Inpe posiciona o estado com o menor índice de desmatamento entre os vizinhos do Sudeste. Minas Gerais lidera negativamente, com impressionantes 3.092 hectares desmatados no mesmo período.

O Rio de Janeiro e o Espírito Santo também apresentam perdas mais significativas. Foram 82 hectares de devastação no território fluminense e 56 hectares no capixaba. A comparação sublinha a relativa eficácia das estratégias paulistas de proteção.

Estratégias Paulistas Freiam Perda Florestal

O estado de São Paulo hoje preserva cerca de 2,34 milhões de hectares de Mata Atlântica. Este montante equivale a 13,7% do bioma inserido na Lei da Mata Atlântica (Lei nº 11.428/2006), que protege integralmente a vegetação nativa.

É um indicador da fragmentação histórica do bioma, mas também do sucesso em manter os remanescentes. Vale considerar que 69% do território paulista está abrangido pelas diretrizes dessa legislação.

Os esforços de recuperação também ganham relevância. Desde 2023, São Paulo contabiliza mais de 41 mil hectares de áreas compromissadas com a restauração ambiental. Tais iniciativas são a espinha dorsal de um plano ambicioso de reconstrução florestal.

As ações englobam a formação de corredores ecológicos. Esses elos verdes conectam fragmentos de floresta, permitindo o fluxo genético e a migração de espécies, essenciais para a saúde do ecossistema.

Há também projetos voltados à segurança hídrica. A recuperação de matas ciliares e nascentes garante a qualidade e o volume de água, um recurso estratégico para o abastecimento de grandes centros urbanos e para a agricultura.

A adaptação às mudanças climáticas figura como outro pilar. Florestas recuperadas ajudam a regular o clima local, minimizam o impacto de eventos extremos e promovem a resiliência do território frente às alterações do ambiente global.

A queda no desmatamento de São Paulo, embora modesta em números absolutos, representa um avanço importante. Sinaliza que a vigilância constante e a aplicação da legislação podem, de fato, reverter cenários de degradação.

A pressão sobre os remanescentes de Mata Atlântica, no entanto, persiste. A expansão urbana desordenada e a especulação imobiliária continuam sendo desafios. A fiscalização rigorosa permanece fundamental para manter a curva de desmatamento em declínio.

Este resultado encoraja a continuidade das políticas públicas focadas na conservação. A meta de desmatamento zero, ainda distante, depende da persistência e da integração de esforços de todos os setores da sociedade.

Contexto

A Mata Atlântica é um dos biomas mais ricos e ameaçados do planeta. Originalmente, cobria cerca de 15% do território brasileiro, estendendo-se por toda a costa leste e sudeste, além de trechos no sul e nordeste. Desde a colonização, sofreu intensa devastação. Hoje, restam menos de 12% de sua cobertura original em estágio avançado de regeneração. Apesar da fragmentação, o bioma abriga uma biodiversidade excepcional, com milhares de espécies endêmicas de flora e fauna. É, ainda, crucial para o abastecimento de água de mais de 70% da população brasileira, regulando o clima e provendo serviços ecossistêmicos essenciais para a vida e a economia do país.

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