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Folha Jundiaiense

Desafios da esquerda: segurança é prioridade para eleitores de Lula

Estudo aponta que segurança pública é a maior preocupação entre eleitores do presidente

Desafios da esquerda: segurança é prioridade para eleitores de Lula
Lula durante evento no Rio de Janeiro. Foto: Agência Brasil

Pesquisa revela que segurança pública é o principal desafio enfrentado pela esquerda no Brasil.

Eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022 apontam a segurança pública como o principal desafio da esquerda no Brasil. Essa conclusão é parte de uma pesquisa qualitativa realizada pelo Núcleo Ypykuéra e pelo Observatório Político e Eleitoral (Opel), ligado à UFRJ e UFRRJ. Os entrevistados também expressam demandas por ações relacionadas ao meio ambiente e destacam políticas voltadas à educação e ao microempreendedorismo como positivas.

Os pesquisadores reuniram eleitores em grupos focais em nove capitais: Belém, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e são paulo. O relatório resultante, intitulado “Retratos do Progressismo no Brasil”, analisa o discurso dos participantes, que incluem tanto eleitores que votaram em Lula nos dois turnos quanto aqueles que apoiaram o atual presidente apenas no segundo turno, muitas vezes motivados pela rejeição a Jair Bolsonaro (PL).

O cientista político Josué Medeiros, coordenador do Opel, ressalta que a pesquisa qualitativa permite uma exploração mais aprofundada dos temas, já que os participantes podem compartilhar suas percepções e experiências. Entre os principais achados do estudo, destaca-se que a segurança pública é considerada o maior desafio do governo Lula e dos partidos de esquerda. Especialmente em capitais como Fortaleza e Salvador, sob gestão do PT, há uma crítica acentuada às políticas de segurança do campo progressista.

Uma eleitora de 26 anos de Brasília, que optou por Lula no segundo turno, observa que “segurança não é uma pauta da esquerda” e critica a falta de uma abordagem nesse sentido. Outro entrevistado, um homem de 46 anos de Belo Horizonte, complementa que tanto a esquerda quanto a direita falham em compreender a urgência da segurança pública, destacando que a esquerda não oferece soluções efetivas.

Por outro lado, o estudo também revela que os eleitores reconhecem avanços em políticas de empreendedorismo, como a criação do Microempreendedor Individual (MEI) e cursos profissionalizantes. Contudo, há críticas em relação à falta de inovação nas políticas e a um discurso considerado ultrapassado sobre o mercado de trabalho atual. Uma mulher indígena de 31 anos, por exemplo, argumenta que, apesar da disponibilidade de projetos gratuitos, a realidade do trabalho diário dificulta o acesso a essas oportunidades.

Os pesquisadores notam ainda uma visão ampliada de prosperidade entre os eleitores, que veem a esquerda como capaz de promover crescimento em dignidade humana, não apenas em termos financeiros. Nas questões políticas, o estudo revela uma percepção antissistema, com o Congresso sendo apontado como um obstáculo ao governo de Lula. Os eleitores expressam um desejo por renovação nas lideranças do campo progressista, buscando práticas mais consistentes com as promessas feitas durante as campanhas.

Esses resultados destacam a complexidade dos desafios enfrentados pela esquerda no Brasil, sublinhando a necessidade de uma abordagem mais integrada e atualizada para atender às demandas da população, especialmente em relação à segurança e ao mercado de trabalho.

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