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Folha Jundiaiense

Copa no Brasil: Pioneiras do futebol aquecem debate a um ano, no Sem Censura

O programa Sem Censura, da TV Brasil, reuniu nesta sexta-feira (26) um time de pioneiras do futebol feminino brasileiro, marcando a contagem regressiva de um ano para a Copa do Mundo Feminina de 2027, que acontece no Brasil. A edição especial, apresentada por Cissa Guimarães, homenageou atletas que construíram a base da modalidade no país, abrindo caminho para as gerações atuais de craques.

A bancada histórica recebeu nomes como Marisa Pires, a Caju, que foi a primeira capitã da Seleção Brasileira Feminina. Seu depoimento trouxe à tona os desafios de uma época onde o esporte feminino recebia pouca atenção, revelando o esforço necessário para legitimar a presença da mulher nos gramados.

Marilza Martins da Silva, conhecida como Pelezinha, outra convidada, entrou para os anais do futebol por marcar o primeiro gol oficial da Amarelinha, em 1988. Ela narrou as dificuldades e a paixão que a impulsionavam, mesmo diante de um cenário pouco profissionalizado e muitas vezes hostil.

A ex-atleta Márcia Matos, a Russa, também esteve presente. Ela disputou o Mundialito e conquistou o bicampeonato sul-americano em 1991 e 1995, em um período de transição para o reconhecimento da categoria. Essas conquistas, à época, representavam vitórias simbólicas contra um sistema que resistia à valorização da mulher no esporte.

A jornalista Marília Arrigoni, do programa Stadium, atuou como debatedora, aprofundando as conversas sobre o legado dessas mulheres. O encontro resgatou histórias de superação, revelando a persistência delas na luta por espaço e reconhecimento.

Essas pioneiras pavimentaram o terreno para as jogadoras que hoje brilham, como Marta e a atual Seleção Brasileira. A experiência compartilhada ilumina a distância percorrida e o que ainda se impõe como desafio para a modalidade.

O Gesto da EBC e a Copa de 2027 no Brasil

Antonia Pellegrino, diretora-presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), gestora da TV Brasil, enfatizou a importância da iniciativa. Segundo ela, a homenagem prepara o público para a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será a “Copa das mulheres”.

Pellegrino declarou que “levar essas trajetórias ao ar é a essência da comunicação pública: reconhecer, valorizar e inspirar novas gerações”. A fala alinha o evento do Sem Censura à missão da emissora de promover o esporte e suas personalidades históricas.

A realização da Copa do Mundo Feminina no Brasil em 2027 representa um ponto de virada. O país, com sua rica cultura futebolística, terá a chance de amplificar a visibilidade da modalidade, que por muito tempo enfrentou preconceito e falta de investimento.

O evento catalisa a atenção global, gerando interesse por novas atletas e aumentando a base de fãs em nível nacional. Isso se traduz em maior consumo de produtos ligados ao esporte e um fomento direto ao desenvolvimento das ligas locais.

A expectativa é de um impacto econômico significativo. A Copa deve movimentar turismo, infraestrutura e o comércio. Mais do que isso, pode fortalecer o apelo comercial do futebol feminino, atraindo mais patrocinadores e investimentos para os clubes e federações nacionais, impulsionando a profissionalização da categoria em todas as suas frentes.

TV Brasil: A Plataforma do Futebol Feminino

A TV Brasil consolida seu papel como difusora do futebol feminino no país. A emissora pública transmite, há três anos, os principais campeonatos nacionais, como as Séries A1, A2 (fases decisivas) e A3, além das finais das categorias de base. Essa cobertura regular dá visibilidade a atletas, clubes e competições que antes careciam de espaço na mídia.

Os resultados refletem a aposta. Em 2025, a audiência dos jogos registrou um crescimento de 25%. Isso indica um público ávido por acompanhar o esporte, desmentindo a antiga percepção de que o futebol feminino não gerava interesse. O aumento de telespectadores solidifica a modalidade na grade de programação.

Neste ano, os números seguem fortes. Nas cinco primeiras rodadas, o alcance das partidas superou a marca de 1 milhão de pessoas, conforme dados do Ibope. Esses índices impactam positivamente a média de audiência diária da TV Brasil em mercados-chave como São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal, além do consolidado nacional.

A abrangência se estende pela Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP), que inclui 165 emissoras de televisão e 168 de rádio. Essa capilaridade permite que o futebol feminino chegue a espectadores de todas as regiões do Brasil, do litoral ao interior, democratizando o acesso ao esporte e fomentando novas torcidas.

Trajetória e Interatividade do Sem Censura

O Sem Censura, no ar desde 1985, é um pilar da programação da TV Brasil. Lançado na antiga TVE/RJ, o programa se notabilizou sob o comando de figuras como Lúcia Leme e Leda Nagle. Desde 2024, Cissa Guimarães retomou o formato de roda de conversa.

O programa se tornou um espaço para debates sobre temas variados da sociedade. A atração, premiada com o APCA de melhor programa de televisão em 2024 e reconhecida duas vezes consecutivas pelo Prêmio Melhores do Ano NaTelinha (2024 e 2025) como Melhor Programa de Entrevistas, mantém forte interação com o público.

Telespectadores participam via hashtag #semcensura nas redes sociais e pelo WhatsApp (21) 99903-5329, tendo suas perguntas lidas e comentadas ao vivo. Essa interatividade conecta a atração diretamente com seu público, gerando engajamento.

O programa vai ao ar de segunda a sexta, às 16h, com reprise às 23h30. Disponível também no aplicativo TV Brasil Play, YouTube e em formato de podcast no Spotify, o Sem Censura amplia seu alcance, adaptando-se aos hábitos de consumo digital da audiência e garantindo sua relevância.

Contexto

O futebol feminino no Brasil enfrentou décadas de proibição e descaso. Regulamentos governamentais chegaram a impedir a prática do esporte por mulheres, sob o argumento de “incompatibilidade com a natureza feminina”. Somente com o fim dessas restrições, nos anos 1980, e a persistência de atletas como as homenageadas no Sem Censura, a modalidade começou a ganhar tração. A visibilidade crescente, impulsionada pela mídia pública e por grandes eventos como a futura Copa do Mundo Feminina de 2027 no país, representa uma guinada histórica. Sinaliza não apenas o reconhecimento do talento e da dedicação das jogadoras, mas também o amadurecimento do mercado esportivo brasileiro para incluir e valorizar a presença feminina, redefinindo o legado do futebol nacional para as próximas gerações.

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