Nova normativa estabelece limites de gastos e controle financeiro a partir de 2026

CBF lança Fair Play Financeiro, impondo teto de gastos e regras rígidas a clubes.
CBF lança Fair Play Financeiro visando sustentabilidade financeira dos clubes
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apresentou nesta quarta-feira (26), em são paulo, o novo Sistema de Sustentabilidade Financeira do Futebol Brasileiro, conhecido como Fair Play Financeiro. Este conjunto de normas, que entrará em vigor a partir de 1º de janeiro de 2026, busca reorganizar as finanças dos clubes das Séries A e B. O sistema tem como base modelos internacionais e estabelece metas rígidas para controle de dívidas, limites de gastos e maior transparência contábil.
Estrutura e fiscalização do sistema
A fiscalização do Fair Play Financeiro ficará a cargo da recém-criada ANRESF, uma agência independente dedicada à regulação do setor. O programa é fundamentado em quatro pilares centrais que visam garantir que as finanças dos clubes sejam geridas de maneira responsável e sustentável. O primeiro pilar é o controle de dívidas em atraso, que será monitorado trimestralmente. Todos os clubes devem registrar suas transações e contratos em um sistema centralizado da CBF, incluindo salários, direitos de imagem e transferências.
Exigências financeiras e limites de gastos
Os clubes precisarão apresentar superávits ou compensar déficits com aportes diretos ao patrimônio líquido. Haverá limites progressivos para resultados negativos, estabelecendo R$ 30 milhões (ou 2,5% das receitas) para a Série A e R$ 10 milhões (ou 2,5% das receitas) para a Série B. Importante ressaltar que gastos com categorias de base, infraestrutura e futebol feminino não serão contabilizados nessas restrições.
Regras de gastos com elenco e endividamento
A partir de 2028, o novo sistema criará um teto de custos para o elenco profissional, permitindo que as equipes da Série A destinem até 80% das receitas — incluindo transferências líquidas e aportes — para salários e direitos de imagem. Esse percentual diminuirá para 70% em 2029. Além disso, metas graduais de endividamento estão estabelecidas, determinando que até 2030 a dívida de curto prazo não poderá exceder 45% das receitas relevantes.
Normas para insolvência e multipropriedade
O pacote de medidas inclui normas específicas para clubes em insolvência, que deverão manter a folha salarial estável e limitar contratações ao valor arrecadado com vendas de atletas. Também existem restrições à multipropriedade, impedindo que um investidor exerça influência significativa sobre dois clubes que disputem a mesma competição.
Punições e consequências
As punições para o não cumprimento das normas incluem advertências, multas, retenção de receitas, transfer ban, perda de pontos, rebaixamento e até cassação da licença de competição. Dirigentes também poderão ser suspensos ou banidos em casos graves, visando assegurar a integridade financeira do futebol brasileiro.
O Fair Play Financeiro representa uma mudança significativa na abordagem da CBF em relação à gestão financeira dos clubes, buscando trazer mais responsabilidade e transparência ao futebol brasileiro.