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Folha Jundiaiense

Cacique Raoni sofre hemorragia digestiva; estado de saúde é estável

O cacique Raoni Metuktire, um dos mais importantes líderes indígenas do Brasil e figura internacional na defesa ambiental, apresentou hemorragia digestiva alta na última terça-feira (29) no Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em São Paulo. O sangramento, localizado no estômago e duodeno e confirmado por endoscopia, foi prontamente estabilizado. O estado de saúde do líder Kayapó, internado em grave condição no Mato Grosso e transferido para a capital paulista em 19 de junho, é considerado estável, mas segue com distensão abdominal e requer uso de oxigênio para conforto respiratório.

O último boletim médico, divulgado nesta quarta-feira (30), confirmou a estabilização do quadro de Raoni. Apesar da melhora, o paciente mantém distensão abdominal e faz uso de cateter de oxigênio, uma medida para seu conforto respiratório.

Não apresenta febre.

A internação do cacique, que tem mais de 90 anos, começou em 15 de junho no Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, em Sinop, Mato Grosso. Ele chegou em estado grave.

Após quatro dias de tratamento e estabilização em Sinop, Raoni foi transferido para São Paulo. Chegou à capital paulista em 19 de junho, com um quadro de obstrução intestinal alta e pneumonia aspirativa, condições que demandaram atenção especializada imediata.

No dia seguinte à sua chegada a São Paulo, em 20 de junho, o líder indígena foi submetido a uma cirurgia intestinal. Desde então, segue em recuperação na unidade de saúde da Unifesp, que possui expertise no atendimento à saúde indígena.

A Voz da Floresta: Trajetória de Raoni

Nascido no Mato Grosso, na bacia do Rio Xingu, o cacique Raoni Metuktire se tornou uma figura global na defesa dos povos indígenas e do meio ambiente. Líder do povo Kayapó, sua imagem com o cocar de penas amarelas e o prato labial é reconhecida internacionalmente, símbolo da luta pela demarcação de terras e contra o desmatamento.

Desde os anos 1980, Raoni viaja o mundo. Ele se encontrou com chefes de estado, artistas e personalidades, como o cantor Sting e o ex-presidente francês Jacques Chirac, levando a mensagem da preservação da Amazônia. Sua atuação transcende as fronteiras do Brasil, exercendo influência direta em debates sobre clima e direitos humanos.

Sua saúde, por isso, é mais do que uma preocupação familiar, mobilizando comunidades indígenas, ambientalistas e organizações não governamentais. A fragilidade de Raoni acende um alerta sobre o futuro da liderança na luta pela floresta, especialmente em um cenário de crescentes pressões sobre os territórios indígenas.

A recente hemorragia digestiva eleva o grau de preocupação. É um indicativo de uma saúde já debilitada por outros problemas, como a pneumonia e a obstrução intestinal. Profissionais de saúde monitoram o quadro com rigor, devido à idade avançada e à complexidade do histórico médico.

A internação de Raoni coincide com um período de intensa pressão sobre a Amazônia e os povos originários. O contexto político e econômico atual, com o avanço de projetos de infraestrutura e a expansão do agronegócio, impõe desafios cada vez maiores às demarcações e à fiscalização ambiental. A voz do cacique, mesmo do hospital, ressoa nesse debate.

Desafios da Saúde Indígena

A atenção à saúde de Raoni no Hospital São Paulo, da Unifesp, destaca a necessidade de um atendimento especializado e culturalmente sensível para as populações indígenas no Brasil. Acesso a médicos, hospitais equipados e medicamentos ainda é um gargalo em muitas aldeias e comunidades.

Problemas como desnutrição, doenças respiratórias e infecciosas, além da dificuldade de transporte para centros urbanos, são rotina. A assistência de saúde para povos originários é um direito constitucional, mas sua efetividade encontra barreiras estruturais e geográficas.

O tratamento de Raoni em uma unidade de referência como a Unifesp reflete a gravidade do seu caso, mas também expõe um contraste. Muitos indígenas não têm a mesma chance de acesso a recursos tão sofisticados, dependendo de redes de saúde precárias ou distantes. A internação do cacique, portanto, joga luz sobre as desigualdades persistentes no sistema de saúde brasileiro.

Contexto

A saúde de Raoni Metuktire é acompanhada de perto por ser uma figura central na luta pelos direitos indígenas e pela preservação ambiental há décadas. Sua influência política e simbólica transcende o Brasil. Desde a década de 1980, ele lidera campanhas internacionais de conscientização, tornando-se um porta-voz global contra o desmatamento e pela demarcação de terras indígenas, pautas que continuam no centro do debate sobre desenvolvimento e sustentabilidade.

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