O Brasil sofreu um duro revés nesta quinta-feira (2) no Torneio de Wimbledon, um dos quatro Grand Slams do tênis mundial. A chave masculina de duplas viu a eliminação de seus últimos representantes em quadra no All England Club, em Londres. Apenas uma parceria com brasileiro segue viva na competição: a do carioca Fernando Romboli, que avançou na véspera.
Dois duplistas foram superados na rodada de estreia. Ambos tiveram seus percursos encerrados em confrontos distintos.
A primeira parceria a cair foi a 100% brasileira, com Rafael Matos (35º do ranking ATP de duplas) e Orlando Luz (49º). Eles enfrentaram os franceses Théo Arribagé (23º) e Albano Olivetti (21º), cedendo em sets diretos: 6/3 e 6/2. O jogo durou pouco mais de uma hora.
Na sequência, o gaúcho Marcelo Demoliner (65º), que jogou ao lado do indiano Sriram Balaji (59º), também se despediu. A dupla abriu vantagem, mas sofreu a virada para o belga Sander Gillé (77º) e o holandês Sem Verbeek (73º). Os europeus venceram por 2 sets a 1, com parciais de 3/6, 7/6 (7-2) e 6/4, em duas horas de partida.
Derrotas e a única esperança brasileira em Wimbledon
A quarta-feira (1º) já havia sinalizado a dificuldade dos brasileiros. O mineiro Marcelo Melo (44º), campeão de Wimbledon em 2017, e seu parceiro argentino Andrés Molteni (45º), não resistiram. Eles caíram para o croata Nikola Mektic (20º) e o norte-americano Austin Krajicek (55º) por 2 sets a 1 (6/1, 4/6 e 6/2).
“Conseguimos entrar em jogo depois, mudar o momento. Mas, no terceiro set, quebraram bem no começo e acabou atrapalhando um pouco a maneira como vínhamos jogando. Acho que essa quebra definiu o final”, avaliou Melo, via assessoria de imprensa. Sua análise pontua a quebra de serviço como momento decisivo.
Entre as eliminações, surgiu um alento. Fernando Romboli (83º), ao lado do australiano John-Patrick Smith (60º), garantiu o Brasil na segunda rodada das duplas masculinas.
A vitória veio em uma batalha. Eles superaram os poloneses Karol Drzewiecki (94º) e Kamil Majchrzak (893º em duplas, 45º em simples) por 2 sets a 1, com parciais apertadas: 5/7, 7/6 (11-9) e 7/6 (10-8). O confronto durou duas horas e 33 minutos.
Romboli e Smith aguardam os vencedores do jogo entre as duplas formadas pelos espanhóis Pablo Carreno Busta e Jaume Munar e pelos sul-americanos Guido Andreozzi (Argentina) e Manuel Guinard (França). O jogo estava previsto para a tarde desta quinta.
Ele carrega a última bandeira masculina em Wimbledon, um peso e uma oportunidade.
Os próximos desafios: Stefani e Fonseca em quadra
A sexta-feira (3) reserva a estreia de outro nome de peso do tênis brasileiro: Luisa Stefani. A paulista, número sete do ranking de duplas da WTA, formará parceria com a canadense Gabriela Dabrowski (3ª). Elas enfrentam a polonesa Alicja Rosolska (1822ª) e a chilena Alexa Guarachi (844ª). O jogo, ainda sem horário definido, é aguardado com expectativa.
A expectativa também envolve João Fonseca. O carioca, 27º no ranking de simples da ATP, terá um confronto decisivo. Ele enfrenta o russo Roman Safiullin (132º) às 7h (horário de Brasília) desta sexta-feira, pela terceira rodada do torneio masculino individual.
Uma vitória de Fonseca garante sua vaga nas oitavas de final. Isso isolaria a campanha de 2026 como a melhor de sua carreira em Wimbledon, um feito significativo para o jovem talento.
A eliminação precoce da maioria dos duplistas masculinos levanta questões sobre o momento do tênis brasileiro em uma das superfícies mais exigentes do circuito. A grama exige adaptação e um jogo diferente, habilidades que poucos dominam. A esperança agora se volta para Romboli nas duplas, e para Stefani e Fonseca, que buscam fazer história em suas respectivas chaves.
Contexto
O Torneio de Wimbledon é o mais antigo e prestigiado evento de tênis do mundo, conhecido por suas tradições rigorosas, como o código de vestimenta branco e o jogo na grama. Para o tênis brasileiro, as duplas sempre representaram um caminho de sucesso histórico, com nomes como Maria Esther Bueno, Gustavo Kuerten, e mais recentemente, Marcelo Melo e Bruno Soares, conquistando títulos e alcançando posições de destaque. A performance em Grand Slams é um termômetro da saúde do esporte no país, indicando tanto o potencial de novos talentos quanto a capacidade dos veteranos de manter o alto nível. As dificuldades em se consolidar nas chaves de simples e a oscilação nas duplas refletem desafios na transição de gerações e no investimento em infraestrutura e formação de atletas de alto rendimento. A busca por resultados consistentes em Wimbledon simboliza a aspiração de firmar o Brasil entre as potências do tênis mundial.