Banco Central garante que a situação do Banco Master não afeta a estabilidade do sistema financeiro brasileiro

Banco Central afirma que a liquidação do Banco Master não traz riscos ao sistema financeiro.
Liquidação do Banco Master não representa risco sistêmico
A liquidação extrajudicial do Banco Master, anunciada nesta quarta-feira pelo Banco Central do Brasil, não traz riscos de natureza sistêmica ao sistema financeiro nacional. O órgão regulador enfatizou o pequeno porte da instituição como um fator decisivo para essa avaliação, afirmando que o grupo Master representa apenas 0,57% do ativo total do sistema. Essa informação foi divulgada após uma reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef).
A decisão de liquidação foi motivada por graves violações às normas e problemas de liquidez, culminando na prisão do dono do banco, Daniel Vorcaro, pela polícia federal, em uma operação que visa investigar crimes contra o sistema financeiro. O Banco Central, em sua nota, destacou que as entidades supervisionadas devem continuar com políticas de gestão prudente de capital e liquidez, dada a atual conjuntura econômica.
Cenário econômico e crédito
O Banco Central também abordou a desaceleração do crescimento do crédito, que está alinhada com a moderação da atividade econômica. Apesar das condições financeiras restritivas, o ritmo de crescimento do crédito permanece elevado em termos históricos. No entanto, a autarquia alertou que a taxa básica de juros elevada, combinada com o nível de inadimplência e o endividamento das famílias e empresas, exige cautela na concessão de crédito.
Na reunião do Comef, o BC optou por manter em 0% o valor do Adicional Contracíclico de Capital Principal (ACCP), mesmo após indicar a possibilidade de um aumento anterior. O ACCP é uma ferramenta destinada a mitigar riscos em períodos de crescimento acelerado do crédito e é acumulada em tempos de expansão econômica, podendo ser utilizada em fases de retração.
Medidas futuras e impacto no sistema financeiro
O Banco Central tem explorado a implementação de um valor positivo para o ACCP, aplicável em períodos sem acúmulo significativo de riscos financeiros. Essa estratégia visa ampliar o espaço de atuação prudencial dos bancos, permitindo que absorvam perdas em situações de reversão abrupta do ciclo de crédito.
Os aportes realizados entre outubro de 2023 e dezembro de 2024 totalizam R$ 1,867 bilhão, sendo que uma parte significativa foi investida pelo Rioprevidência, do Estado do Rio de Janeiro. Essas ações são vistas como essenciais para garantir a estabilidade do sistema financeiro brasileiro.
A atual taxa Selic permanece em 15% ao ano, um nível que visa desacelerar a atividade econômica e levar a inflação à meta de 3%. O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC registrou que o mercado de crédito continua a apresentar uma desaceleração visível, refletindo as medidas restritivas em vigor.
Diante desse cenário, o Banco Central reafirma sua determinação em manter a estabilidade do sistema financeiro, destacando que a liquidação do Banco Master não compromete essa integridade.