O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) lançou nesta segunda-feira o Programa da Nova Indústria do Audiovisual Brasileiro, iniciativa que prevê linhas de crédito específicas e um plano de exportação para o setor. A medida é vista pelo governo federal como estratégica para o desenvolvimento econômico do país.
A inclusão da cadeia produtiva do audiovisual marca sua entrada no guarda-chuva da Nova Indústria Brasil (NIB). Lançado em janeiro de 2024, o NIB emprega instrumentos tradicionais de políticas públicas, como subsídios, empréstimos com juros reduzidos e incentivos tributários, para estimular setores da economia.
O ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa, enfatizou a relevância econômica do setor. Para cada R$ 10 milhões produzidos no audiovisual, há um impacto de R$ 12 milhões no Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
O audiovisual, explicou o ministro, responde por 0,6% do PIB. Isso supera a contribuição de indústrias tradicionais como a têxtil e emprega mais do que o setor automotivo.
Estamos falando de uma atividade econômica que ainda não tinha uma política ordenada”, disse Rosa em evento no Rio de Janeiro.
A política será detalhada oficialmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no próximo sábado, dia 30, no Rio de Janeiro.
Crédito e Fôlego Para a Produção Nacional
O MDIC prioriza o acesso facilitado a crédito como um dos pilares do programa. A meta é buscar investimentos junto a agentes financeiros de peso no mercado, como BNDES, Finep, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
Essas novas linhas de financiamento visam dar fôlego para a produção, distribuição e modernização das empresas do setor. Produtoras independentes, estúdios de animação e distribuidoras esperam um ambiente mais estável para planejar projetos de médio e longo prazo.
A dificuldade de acesso a capital foi, nos últimos anos, um dos maiores entraves para a expansão do audiovisual brasileiro. Com a nova estrutura, espera-se que o financiamento se torne mais previsível e acessível.
Isso permite não só a realização de mais projetos, mas também o aprimoramento tecnológico e a qualificação de mão de obra. Diretores, roteiristas, técnicos e atores terão mais oportunidades, gerando um efeito multiplicador na economia.
Exportação: O Modelo Global Inspira o Brasil
O plano de exportação espelha modelos internacionais de sucesso. Tanto o ministério quanto representantes do setor citam Índia, China e Coreia do Sul como exemplos a seguir na projeção de suas culturas e produtos através do audiovisual.
Walkiria Barbosa, presidente da Federação da Indústria e Comércio do Audiovisual (Fica), reforçou essa visão. “A Coreia do Sul, há 20 anos, era desconhecida; hoje, seu audiovisual dita tendências e impulsiona o consumo de seus produtos em todo o mundo. Podemos replicar esse sucesso”, afirmou Barbosa.
A ideia é transformar o conteúdo brasileiro em um produto de exportação forte, gerando receita e ampliando o soft power do país. A diversidade de talentos e narrativas brasileiras, um diferencial competitivo, pode ganhar maior visibilidade em plataformas de streaming e circuitos de cinema internacionais.
Olavo Noleto, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), destacou a necessidade de engajamento de toda a cadeia produtiva.
Ele sublinha o potencial do audiovisual para gerar riqueza, inovação e empregos, além de projetar a imagem do Brasil no exterior. “Vamos fazer com que o audiovisual seja uma indústria brasileira de ponta no mundo”, declarou Noleto.
A aposta do governo é que, ao investir na capacidade de exportação, o Brasil poderá não só competir, mas também se consolidar como um polo produtor de conteúdo relevante globalmente, atraindo investimentos e talentos.
Contexto
O setor audiovisual brasileiro possui um histórico de altos e baixos, com períodos de forte incentivo estatal e outros de desinvestimento. Nos anos 90, a Lei do Audiovisual e, posteriormente, a criação da Agência Nacional do Cinema (Ancine) em 2001, foram marcos para o desenvolvimento da indústria. Recentemente, a ascensão das plataformas de streaming e a crescente demanda global por conteúdo diversificado redefiniram o cenário, tornando a competitividade e a capacidade de exportação ainda mais estratégicas para a sobrevivência e crescimento do setor. O novo programa surge em um momento de redefinição das políticas industriais do país, buscando alinhar o potencial cultural do Brasil com suas metas de desenvolvimento econômico.