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Folha Jundiaiense

Anvisa retira do mercado lotes de antibióticos por risco à saúde

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou nesta quinta-feira, 18 de julho, o recolhimento de lotes de três medicamentos e de todas as preparações de uma farmácia de manipulação. As ações, publicadas no Diário Oficial da União, atingem antibióticos injetáveis, soro fisiológico e produtos manipulados. A agência aponta desvios de qualidade ou irregularidade na comercialização, com impacto direto na segurança dos pacientes e na rotina hospitalar.

Os produtos não podem ser vendidos, distribuídos ou utilizados.

Antibióticos Injetáveis Sob Alerta

Entre os alvos da Anvisa, dois antibióticos de uso injetável figuram com problemas graves. O Polycid, da União Química Farmacêutica Nacional, teve o lote 2519879 recolhido. A própria fabricante comunicou à agência a presença de fragmentos de vidro dentro dos frascos do medicamento.

O Polycid é um antibiótico usado para tratar infecções bacterianas severas. Fragmentos de vidro em uma solução injetável representam risco de embolia, reações inflamatórias no local da aplicação e até lesões internas, complicando quadros clínicos já delicados.

Outra resolução afeta o lote 24101854 do antibiótico fosfato de clindamicina 150 mg/ml solução injetável, fabricado pela Hypofarma – Instituto de Hypodermia e Farmácia Ltda. Neste caso, a Anvisa confirmou desvio de qualidade: a solução apresentava cor amarelada, com corpos estranhos e precipitados visíveis dentro dos frascos lacrados.

A alteração na cor e a presença de partículas em uma medicação estéril podem indicar contaminação microbiana, degradação do princípio ativo ou falha no processo de fabricação. Isso compromete a eficácia do tratamento e, mais grave, introduz riscos de infecção sistêmica para o paciente.

Hospitais e clínicas precisam agora verificar seus estoques com urgência. A suspensão desses lotes pode gerar dificuldades pontuais no acesso a tratamentos importantes, embora o mercado farmacêutico geralmente possua alternativas para os princípios ativos.

Soro Fisiológico com Desvio

A Anvisa também determinou o recolhimento do lote 2513588 do soro fisiológico cloreto de sódio Equiplex – 9mg/ml, com validade até 30/6/2027. O produto, fabricado pela Equiplex Indústria Farmacêutica Ltda, apresentou desvio de qualidade. A agência não detalhou a natureza exata da falha, mas para um produto de uso tão difundido e crítico como o soro fisiológico, qualquer alteração é grave.

Soro fisiológico é base para diluição de medicamentos, hidratação intravenosa e limpeza de ferimentos. Desvios como contaminação, concentração incorreta de sódio ou presença de partículas podem causar desde reações adversas leves até complicações graves, dependendo da via e do volume de administração.

A suspensão deste lote alerta farmácias, hospitais e consumidores que adquirem o produto para uso doméstico, especialmente em procedimentos que exigem assepsia rigorosa.

Farmácia de Manipulação Vendia Ilegalmente

A ação da Anvisa abrangeu todas as preparações magistrais produzidas pela Farmácia S J do Jabour Ltda. A agência comprovou a exposição e comercialização de produtos manipulados padronizados e não individualizados. Pior, estes itens eram vendidos sem a devida prescrição de um profissional de saúde qualificado.

A farmácia promovia e vendia os medicamentos através de seu site e redes sociais, inclusive usando nomes comerciais nos rótulos. Essa prática desvirtua completamente o conceito de manipulação.

Medicamentos manipulados devem ser preparados especificamente para um paciente, com dosagem e componentes definidos por prescrição médica, atendendo a necessidades específicas que os produtos industrializados nem sempre cobrem. A venda de produtos padronizados sem receita e com divulgação em massa anula a supervisão farmacêutica e médica, expondo o consumidor a riscos consideráveis de dosagem inadequada, interação medicamentosa perigosa ou falta de eficácia.

O rigor da Anvisa neste ponto serve como um alerta ao crescente mercado de produtos comercializados via internet, que nem sempre segue as exigências sanitárias brasileiras.

A Agência Brasil contatou as empresas para obter um posicionamento sobre os recolhimentos. Até o momento, aguarda retorno da União Química Farmacêutica Nacional e da Hypofarma – Instituto de Hypodermia e Farmácia Ltda. A reportagem não conseguiu contato com a Equiplex Indústria Farmacêutica Ltda e com a Farmácia S J do Jabour Ltda.

Contexto

O controle de qualidade de medicamentos no Brasil é uma atribuição central da Anvisa, que atua desde a aprovação do registro até a vigilância pós-comercialização. Recolhimentos de lotes são medidas protetivas essenciais para garantir a segurança dos pacientes, indicando falhas nos processos de fabricação, armazenagem ou irregularidades na distribuição e venda. A vigilância constante é uma salvaguarda contra riscos à saúde pública, reafirmando o compromisso de assegurar que apenas produtos seguros e eficazes cheguem ao consumidor. O mercado de manipulação, por sua vez, enfrenta desafios contínuos com a ascensão do comércio digital, exigindo da agência um olhar atento para a garantia das boas práticas e da legalidade na oferta desses produtos.

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