A Alemanha atropelou Curaçao por 7 a 1 neste domingo (14), no NRG Stadium, em Houston, pela abertura do Grupo E da Copa do Mundo. O placar, marcante para o futebol mundial, ressoa uma memória amarga no Brasil e impôs ao estreante caribenho a dura realidade de enfrentar uma potência tetracampeã.
O resultado consolida a Alemanha na liderança do grupo, que ainda conta com Costa do Marfim e Equador. O torneio é sediado por Estados Unidos, México e Canadá.
Goleada marca disparidade no ranking FIFA
A partida colocou frente a frente uma das maiores discrepâncias de posição no ranking da Federação Internacional de Futebol (FIFA) nesta Copa. A seleção alemã, décima colocada globalmente, enfrentou o time caribenho, que figura na 82ª posição. Uma diferença de 72 postos. Apenas os confrontos entre Bélgica e Nova Zelândia (76) e Brasil e Haiti (77) apresentam lacunas maiores neste Mundial.
Essa distância técnica se traduziu rapidamente em campo. A superioridade alemã foi evidente desde os primeiros minutos, com posse de bola e pressão constante na área de Curaçao.
Além de ser a estreia de Curaçao em Copas, o jogo também registrou dois extremos nos bancos de reservas. O holandês Dick Advocaat, técnico de Curaçao, com 78 anos, se tornou o comandante mais velho a trabalhar em um Mundial. Do lado germânico, Julian Nagelsmann, de 38, ostenta o título de técnico mais jovem desta edição, simbolizando a renovação no futebol de alto nível.
Curaçao faz gol histórico e assusta a Alemanha
A pressão alemã se converteu em vantagem logo aos cinco minutos. Após rápida tabela com Florian Wirtz, o meia Nmecha finalizou cruzado, sem chance para o goleiro Eloy Room.
Contrariando as expectativas de um time desmotivado, Curaçao surpreendeu. A equipe caribenha equilibrou as ações, contendo o ímpeto alemão e buscando contra-ataques velozes.
Aos 20 minutos, veio a recompensa e um momento histórico. Em uma jogada pela esquerda, o volante Livano Comenencia aproveitou a sobra de uma finalização bloqueada de Juergen Locadia. Chutou de primeira, a bola desviou no lateral Joshua Kimmich e encobriu Manuel Neuer. O primeiro gol de Curaçao na história das Copas do Mundo.
A igualdade momentânea durou pouco. Uma pausa para hidratação cinco minutos após o gol de Curaçao permitiu à Alemanha reorganizar-se. Aos 37 minutos, Nathaniel Brown cobrou escanteio pela direita, e o zagueiro Nico Schlotterbeck subiu para cabecear, recolocando os europeus em vantagem.
Nos acréscimos do primeiro tempo, Nmecha sofreu pênalti do zagueiro Riechedly Bazoer. Kai Havertz converteu, levando a Alemanha para o intervalo com 3 a 1 no placar.
Show de gols no segundo tempo
A volta do intervalo manteve a mesma tônica de discrepância técnica. No primeiro minuto da etapa final, Kimmich lançou Jamal Musiala nas costas da defesa. O meia chutou rasteiro e cruzado, marcando o quarto gol alemão.
Aos 22 minutos, Comenencia interceptou um passe de Wirtz na entrada da área. A bola, porém, sobrou para Deniz Undav, que havia acabado de substituir Musiala. O atacante ajeitou para Brown bater de primeira e ampliar para 5 a 1.
Dez minutos depois, após uma envolvente troca de passes, Havertz cruzou pela esquerda. Kimmich dominou e rolou para Undav mandar para as redes, marcando o sexto.
Ainda houve tempo para mais um gol, aos 42 minutos. Havertz recebeu lançamento de Undav, superou dois marcadores de Curaçao na velocidade e tocou na saída de Room, fechando o placar em 7 a 1 para a Alemanha.
As seleções retornam a campo no próximo sábado (20). A Alemanha enfrenta a Costa do Marfim, às 17h (horário de Brasília), no Toronto Field, Canadá. Curaçao permanece nos Estados Unidos e joga contra o Equador, às 21h, no Arrowhead Stadium, em Kansas City.
Contexto
O resultado de 7 a 1 para a Alemanha, além de remeter a um placar emblemático de edições anteriores da Copa do Mundo, sublinha a dinâmica entre seleções de diferentes níveis no torneio. A presença de estreantes como Curaçao, ao lado de potências consagradas, é um reflexo da expansão do futebol e do alcance da FIFA, que busca globalizar a participação no evento máximo do esporte. Para nações menores, a mera classificação já representa um triunfo, enquanto a experiência de enfrentar gigantes como a Alemanha oferece aprendizados inestimáveis para o desenvolvimento futuro de seus programas esportivos. O contraste entre técnicos experientes e novatos também espelha a evolução e a perenidade do jogo.