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Impasses do governo Lula sobre prédio ocupado em SP

Um edifício federal na Avenida Nove de Julho, em São Paulo, está ocupado pela Frente de Luta por Moradia desde janeiro de 2026. O impasse persiste porque órgãos como INSS e Ministério da Saúde divergem sobre as responsabilidades legais para pedir a reintegração de posse na Justiça.

Quem é o verdadeiro dono do prédio ocupado?

A situação é um pouco confusa devido à burocracia. O imóvel pertence oficialmente ao INSS, mas a sua gestão foi passada para a Secretaria do Patrimônio da União (SPU). Além disso, o prédio estava cedido para o Ministério da Saúde usar. Esse empurra-empurra de funções entre os órgãos federais é apontado como a razão principal para que nenhuma medida judicial de expulsão dos ocupantes tenha sido tomada até agora.

Como ocorreu a invasão e qual o histórico do local?

O movimento Frente de Luta por Moradia (FLM) ocupou o local na noite de 25 de janeiro de 2026. Houve confronto com a polícia e danos materiais na época, mas o grupo retornou dias depois e continua lá. Esse mesmo prédio já tinha sido alvo de uma ação policial em 2023 pelo mesmo motivo. Atualmente, o grupo realiza reuniões semanais no edifício e usa faixas para convidar pessoas que precisam sair do aluguel a se unirem à causa.

Por que o INSS e o Ministério da Saúde ainda não agiram?

O INSS afirma que notificou o Ministério da Saúde ainda em agosto de 2025 para obter informações sobre a invasão e os bens guardados no local, mas diz que nunca recebeu resposta. Já o Ministério da Saúde alega que as negociações são feitas pela Secretaria do Patrimônio da União e que mantém diálogo com os sem-teto. No momento, o caso está sob análise da Procuradoria Federal, mas sem um prazo definido para uma ação prática.

Existem documentos ou bens importantes dentro do edifício?

Sim. O Ministério da Saúde confirmou que o prédio guarda documentos administrativos dispostos em estantes no térreo, visíveis até da calçada. Curiosamente, existe um acordo informal: integrantes do movimento permitem que funcionários do governo entrem e saiam para acessar esses arquivos quando necessário. Além disso, foram avistadas bicicletas elétricas de luxo guardadas dentro do prédio, o que levanta questionamentos sobre o perfil dos ocupantes.

Como a Prefeitura de São Paulo está lidando com a situação?

A atuação municipal é dividida. A Secretaria de Assistência Social diz que faz abordagens frequentes na região, mas que os moradores raramente aceitam ser levados para abrigos oficiais. Por outro lado, a Secretaria da Saúde realiza visitas quinzenais ao prédio para atender as cerca de 22 famílias cadastradas, incluindo consultas médicas e orientações de prevenção, apesar de o local ser uma ocupação irregular em solo federal.

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