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Violência explode: relatório revela 12 mulheres/dia sofrendo no Brasil

Guarda Municipal de Jundiaí

Violência Contra a Mulher Aumenta 9% em 2025: Um Feminicídio a Cada 24 Horas

Um estudo alarmante revela que, a cada 24 horas, 12 mulheres são vítimas de violência em nove estados brasileiros monitorados pela Rede de Observatórios da Segurança. Os estados abrangidos pela análise são Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo. Os dados, divulgados nesta sexta-feira (6), escancaram uma realidade brutal e crescente no país.

A pesquisa, baseada no monitoramento diário de notícias sobre violência e segurança ao longo de 2025, expõe um cenário de crescente vulnerabilidade para as mulheres nesses estados.

Aumento Expressivo da Violência Sexual Contra Meninas e Adolescentes

No total, 4.558 mulheres foram vítimas de algum tipo de violência nos estados monitorados pela pesquisa em 2025. Este número representa um aumento de 9% em relação a 2024, indicando uma escalada preocupante da violência de gênero no Brasil. A análise detalhada dos dados revela um aumento ainda mais alarmante em um tipo específico de violência.

O levantamento também aponta um crescimento expressivo da violência sexual. Foram registrados 961 casos de estupro ou violência sexual em 2025, o que representa um aumento de 56,6% em relação aos 602 casos contabilizados no ano anterior. A informação mais chocante é que 56,5% das vítimas eram meninas de 0 a 17 anos. Estes dados refletem uma crise de proteção à infância e adolescência, com consequências devastadoras para o futuro das vítimas.

Relação Entre Vítimas e Agressores: A Violência Doméstica em Números

Um dos pontos mais críticos do relatório é a constatação da relação entre vítimas e agressores. 78,5% dos casos de violência foram cometidos por companheiros ou ex-companheiros das vítimas. O relatório destaca que a maior parte dos casos de violência contra a mulher acontece “dentro de relações afetivas”, desconstruindo a ideia de que a violência é perpetrada apenas por estranhos.

Essa estatística demonstra a urgência de políticas públicas que visem a desconstrução da cultura do machismo e a promoção de relações mais igualitárias e respeitosas. A violência doméstica, portanto, emerge como um problema central a ser combatido.

Feminicídios e Transfeminicídios: A Face Letal da Violência de Gênero

A pesquisa também contabilizou os casos de feminicídio e transfeminicídio, as formas mais extremas de violência contra a mulher. O estudo registrou 546 casos de feminicídio e sete de transfeminicídio. No total, 1.004 mortes foram contabilizadas quando considerados homicídios, feminicídios e transfeminicídios. Esses números alarmantes revelam a face mais brutal da violência de gênero e a urgência de medidas para proteger a vida das mulheres.

A alta incidência de feminicídios e transfeminicídios demonstra a necessidade de ações mais efetivas para proteger mulheres em situação de risco, incluindo o fortalecimento da rede de proteção e o aumento da punição para os agressores.

É crucial a implementação de políticas públicas que visem a prevenção da violência, o acolhimento e proteção das vítimas e a punição dos agressores. A sociedade como um todo precisa se engajar no combate à violência de gênero, denunciando os casos e apoiando as vítimas.

A Falta de Informações Raciais e o Impacto nas Políticas Públicas

A publicação também alerta para a falta de informações raciais nos registros de violência na mídia. Em 86,7% dos casos, não havia identificação de raça ou cor das vítimas. Segundo os pesquisadores, essa lacuna dificulta a elaboração de políticas públicas direcionadas e eficazes, pois impede a identificação das vulnerabilidades específicas de diferentes grupos de mulheres.

A ausência de dados sobre raça e cor das vítimas impede a criação de políticas públicas que atendam às necessidades específicas de cada grupo. É fundamental que os registros de violência incluam informações raciais para que as políticas públicas sejam mais eficazes.

Disparidades Regionais: Amazonas, Pará e Rio de Janeiro em Destaque

A análise regional dos dados revela disparidades importantes entre os estados monitorados. No Amazonas, por exemplo, 78,4% das vítimas de violência sexual eram crianças e adolescentes, evidenciando a necessidade de ações específicas para proteger esse grupo vulnerável. O Amazonas enfrenta um desafio particular na proteção de crianças e adolescentes contra a violência sexual.

O estado do Pará registrou um aumento de 76% nos casos de violência, o maior crescimento entre os estados monitorados. Esse aumento expressivo demonstra a necessidade de investimentos urgentes em políticas de prevenção e combate à violência no estado. No Pará, o aumento alarmante da violência exige medidas imediatas.

No Rio de Janeiro, chama a atenção o fato de que 39,1% das ocorrências foram registradas na capital. Essa concentração da violência na capital fluminense exige a implementação de políticas específicas para enfrentar o problema. O Rio de Janeiro enfrenta o desafio de concentrar a violência em sua capital.

Recomendações: Prevenção e Educação como Ferramentas Essenciais

O relatório da Rede de Observatórios da Segurança conclui que é necessário ampliar as políticas de prevenção, indo além de respostas policiais e judiciais. Segundo os pesquisadores, as medidas atuais costumam atuar apenas depois que a violência já ocorreu, sendo fundamental a adoção de medidas preventivas para evitar que a violência aconteça.

Entre as recomendações, estão investimentos em educação sobre equidade de gênero nas escolas, além de ações para desconstruir padrões culturais que naturalizam a violência contra mulheres. A avaliação do estudo é que, sem enfrentar essas estruturas, o ciclo de violência tende a se perpetuar.

A educação e a desconstrução de padrões culturais são ferramentas essenciais para combater a violência de gênero. É fundamental investir em educação sobre equidade de gênero nas escolas e em campanhas de conscientização para desconstruir padrões culturais que naturalizam a violência contra as mulheres.

“Evocar a vida, em vez da morte, em um documento estatístico que compõe um perturbador inventário das violações, cumpre o papel paradoxal e necessário de romper as ‘máscaras silenciadoras’ e de amplificar vozes de denúncia e resistência que transbordam os números”, comenta Flávia Melo, autora do principal texto desta edição. A fala da autora ressalta a importância de dar voz às vítimas e de denunciar a violência para romper o ciclo de silêncio e impunidade.

Canais de Denúncia e Busca por Ajuda

É possível pedir ajuda e denunciar casos de violência doméstica e contra a mulher na Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, um serviço gratuito que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. O Ligue 180 é um canal fundamental para que as mulheres em situação de violência possam buscar ajuda e denunciar seus agressores.

O serviço está disponível também no WhatsApp: (61) 9610-0180 e pelo e-mail central180@mulheres.gov.br. A ampliação dos canais de atendimento, incluindo o WhatsApp e o e-mail, facilita o acesso das mulheres em situação de violência aos serviços de ajuda e denúncia.

Denúncias de violência contra a mulher também podem ser apresentadas em delegacias especializadas de atendimento à mulher (Deam) ou em delegacias comuns e nas Casas da Mulher Brasileira. As Deams e as Casas da Mulher Brasileira são espaços especializados no atendimento às mulheres em situação de violência, oferecendo apoio jurídico, psicológico e social.

Ainda é possível pedir ajuda por meio dos números Disque 100, que recebe casos de violações de direitos humanos, e 190, de ocorrências policiais. O Disque 100 e o 190 são canais importantes para denunciar casos de violações de direitos humanos e para solicitar o atendimento policial em casos de emergência.

Contexto

A violência contra a mulher é um problema estrutural no Brasil, enraizado em desigualdades de gênero e em uma cultura machista. As altas taxas de feminicídio, violência doméstica e violência sexual revelam a urgência de políticas públicas efetivas para proteger as mulheres e punir os agressores, bem como a necessidade de uma mudança cultural que promova a igualdade de gênero e o respeito aos direitos das mulheres.

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