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Valora revoluciona crédito com IA, aproveitando dez anos de dados.

A Valora Investimentos, gestora com R$ 36 bilhões sob gestão e duas décadas de atuação, revoluciona a análise de risco de crédito com o uso intensivo de Inteligência Artificial (IA). A tecnologia permite examinar uma década de dados históricos para Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), identificando desvios de inadimplência e fornecendo um contexto aprofundado para o acompanhamento das operações. Este avanço representa um salto qualitativo na capacidade da gestora de monitorar investimentos de longo prazo, mitigando riscos e otimizando a tomada de decisão em um mercado complexo.

A aplicação da IA no crédito transcende a análise superficial de indicadores recentes. A Valora alimenta seus algoritmos com um vasto banco de dados proprietário, que abrange mais de 50 índices e monitora mais de 150 FIDCs. Este volume massivo de informações possibilita uma visão sem precedentes sobre o comportamento dos ativos. “Alimentamos a inteligência artificial com nosso banco de dados proprietário, que acompanha mais de 50 índices de mais de 150 FIDCs. Em vez de olhar um cenário de 18 a 24 meses, a IA nos permite olhar uma planilha em 10 anos”, explica Daniel Pegorini, CEO e fundador da gestora.

Valora Investimentos e a Construção de um Data Lake Estratégico para o Mercado

Para sustentar essa capacidade analítica avançada, a Valora investiu na construção de um data lake robusto. Este repositório centralizado armazena todo o histórico da gestora, transformando anos de experiência em “matéria-prima” valiosa para aprimorar o acompanhamento de carteiras. A disponibilidade de dados acumulados, que remonta aos primeiros investimentos em FIDCs da casa em 2008 e 2009, é crucial para a IA identificar padrões e anomalias com precisão. Naquela época, o mercado de FIDCs ainda era incipiente, com poucos produtos disponíveis, e a gestora acompanhou sua diversificação e amadurecimento.

A decisão de consolidar essa riqueza de informações em um data lake reflete uma visão estratégica de longo prazo. Com R$ 36 bilhões sob gestão, a Valora entende que a análise preditiva é essencial para a sustentabilidade de seus investimentos, especialmente aqueles que podem permanecer nas carteiras por vários anos. A capacidade de processar e correlacionar dados históricos de diversos fundos e índices permite à gestora uma avaliação de risco mais sofisticada e proativa, superando as limitações das abordagens tradicionais.

Valora se Destaca em Premiações do Mercado Financeiro e Compartilha Inovações em IA

O foco da Valora em inovação e performance é reconhecido no mercado. Daniel Pegorini detalhou o uso da tecnologia em entrevista a Clara Sodré, analista de fundos da XP, no programa “Espresso Outliers InfoMoney”. Esta série de encontros com gestoras premiadas faz parte do aquecimento para o Prêmio Outliers de 2027, uma das mais importantes condecorações do setor financeiro brasileiro. A participação da Valora reforça sua posição de liderança e seu compromisso com a transparência sobre suas estratégias tecnológicas.

A gestora já colheu frutos de sua excelência no mercado. Na edição de 2026 da Premiação Outliers InfoMoney, a Valora esteve entre os grandes destaques. A empresa conquistou o 1º lugar em FI-Agro, reconhecendo sua performance e expertise no segmento de fundos de investimento ligados ao agronegócio. Além disso, alcançou a 2ª colocação em FII Papel, consolidando sua força também no mercado de Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) lastreados em recebíveis. A terceira edição da premiação está marcada para 28 de janeiro de 2027, no prestigiado Teatro B32, localizado na Faria Lima, em São Paulo (SP), reunindo os principais nomes do mercado financeiro.

A Inadimplência Sob o Olhar Atento da Inteligência Artificial

A inadimplência figura como um dos indicadores mais críticos monitorados pela Valora. A IA atua como um agente vigilante, examinando o histórico de cada fundo para identificar movimentos que se desviam do padrão estabelecido ao longo do tempo. Quando um comportamento atípico é detectado, a ferramenta alerta a equipe de gestão. Essa abordagem garante que a avaliação do dado mais recente não ocorra isoladamente, mas sim com a profunda referência do comportamento histórico daquele veículo de investimento.

Além da análise detalhada de séries históricas, os agentes de IA no crédito integram dados de compliance sobre as empresas investidas. Isso significa que a tecnologia não apenas avalia o desempenho financeiro, mas também verifica a conformidade regulatória e a saúde corporativa dos tomadores de recursos. Essa visão holística apoia diversas frentes do acompanhamento, desde a performance dos fundos até a qualificação das entidades que recebem os investimentos. A relevância dessa dupla checagem é fundamental para a segurança dos ativos e para a mitigação de riscos operacionais e reputacionais.

Na renda fixa, a Valora emprega uma lógica similar para o monitoramento de debêntures. A IA examina o comportamento de um título específico nos últimos 180 dias. Se houver movimentos que ultrapassam os parâmetros definidos pelos gestores, a tecnologia gera um alerta imediato. Estes avisos são então levados à reunião semanal de gestão, onde a equipe analisa os casos e toma as providões necessárias. Este processo automatizado acelera a detecção de problemas e permite uma resposta mais ágil e informada.

Estratégia de Longo Prazo: O Papel da Valora em Investimentos de Crédito Estruturado

A Valora Investimentos compreende que a relação com um investimento de crédito estruturado é uma maratona, não um sprint. A conclusão da estruturação de um produto é apenas o ponto de partida. A gestora se compromete a um acompanhamento contínuo da operação por vários anos, monitorando pagamentos, condições contratuais e a validade das premissas que fundamentaram a decisão de investir. Esse modelo de “buy and hold“, focado na manutenção dos ativos em carteira, exige uma vigilância constante e um profundo conhecimento do ciclo de vida dos investimentos.

“Em ativos estruturados, você corre uma maratona para chegar na linha de largada: depois de estruturar o produto, você vai viver dentro dele por 4 ou 5 anos. Nossa dinâmica de negócio não é de trade, é de buy and hold”, reitera Daniel Pegorini. Essa filosofia contrasta com estratégias de negociação de curto prazo e sublinha a necessidade de ferramentas sofisticadas, como a Inteligência Artificial, para gerenciar os riscos inerentes a compromissos de tão longa duração. A confiança nos dados históricos e nas projeções da IA torna-se um pilar fundamental para a sustentabilidade desses veículos.

A Versatilidade dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs)

Os FIDCs provaram ser veículos de investimento extremamente versáteis, atravessando e impulsionando diferentes setores da economia brasileira. Daniel Pegorini destaca a expansão desses fundos para segmentos diversos, como operações com cartões de crédito, crédito à pessoa física, empréstimos consignados e, de forma crescente, o agronegócio. A Valora utiliza a flexibilidade dos FIDCs para financiar fluxos de recebíveis que, tradicionalmente, dependeriam mais do sistema bancário.

A escolha do instrumento financeiro, seja um FIDC ou outro ativo estruturado, é determinada pelas características específicas de cada operação e pela área de negócio que a origina. Essa personalização permite que a Valora crie soluções financeiras alinhadas às necessidades de cada setor, promovendo maior liquidez e eficiência para o mercado de capitais. A contínua adaptação e diversificação dos FIDCs contribuem para o dinamismo do mercado financeiro e a inclusão de novos perfis de investidores e tomadores de crédito.

Inovação Descentralizada: Equipes de IA Impulsionam Áreas de Negócio da Valora

A Valora Investimentos adotou uma estratégia diferenciada para o desenvolvimento de suas ferramentas de Inteligência Artificial: a descentralização dos profissionais de dados. A gestora distribuiu suas equipes de cientistas de dados e programadores entre suas cinco principais áreas de negócio: renda fixa, renda fixa estruturada, imobiliário, agro e infraestrutura. Cada uma dessas unidades conta com duas ou três pessoas dedicadas à ciência de dados e à programação, totalizando um investimento significativo em capital humano e tecnológico.

Este modelo espelha a estrutura operacional preexistente da Valora, que já mantinha equipes operacionais próprias em cada área. Embora possa gerar custos iniciais mais elevados em comparação com uma operação centralizada, a gestora avalia que os benefícios superam as desvantagens. A proximidade entre os desenvolvedores de IA e os gestores de portfólio permite que cada negócio estabeleça suas prioridades de forma autônoma, garantindo que as ferramentas de inteligência artificial sejam desenvolvidas e otimizadas em total alinhamento com as necessidades de quem acompanha os investimentos diariamente. Isso acelera a inovação e a relevância das soluções desenvolvidas.

Sinergia entre Tecnologia e Expertise Setorial

Paralelamente à descentralização do desenvolvimento, a Valora mantém uma supervisão centralizada de compliance, risco e ESG (Environmental, Social, and Governance) sobre o uso da tecnologia. Essa governança garante a adequação das ferramentas, a proteção de dados pessoais e o alinhamento com as melhores práticas de mercado. O trabalho dessas equipes abrange desde a coleta de informações em diversas fontes até a criação de painéis de controle e relatórios sofisticados, que informam as decisões de investimento e de gestão de risco.

Daniel Pegorini argumenta que os gastos com essas equipes de IA devem ser comparados ao custo de obter as mesmas informações por meios tradicionais. A gestora não apenas incentiva a experimentação e a inovação tecnológica, mas também considera que a IA permite operar com uma equipe menor do que seria necessário sem a tecnologia, otimizando recursos. É importante ressaltar que, segundo o executivo, a adoção da Inteligência Artificial não resultou em demissões, mas sim em uma requalificação e otimização das funções existentes.

Os ganhos de eficiência são tangíveis: a produção das lâminas dos fundos, por exemplo, foi reduzida de dois dias para apenas 15 minutos com o auxílio da tecnologia. Em outra aplicação prática e criativa, Pegorini utilizou a ferramenta Claude para sugerir o nome “Safeguard” para um fundo em preparação, demonstrando a versatilidade da IA em diferentes aspectos da operação da gestora.

Agronegócio e Infraestrutura: O Próximo Horizonte de Expansão para a Valora

Olhando para as oportunidades futuras, Daniel Pegorini destaca o agronegócio e a infraestrutura como áreas de grande potencial de crescimento para a Valora, mesmo que ainda não representem as maiores fatias do portfólio da gestora. Ele vislumbra um cenário onde o mercado de capitais pode ampliar significativamente o financiamento de atividades que, historicamente, dependiam mais de bancos oficiais. A chave para isso está na estruturação de instrumentos financeiros adequados a prazos longos, que são característicos desses setores.

No agronegócio, a Valora iniciou sua atuação financiando distribuidores e cooperativas, e progressivamente expandiu para incluir produtores rurais. As estruturas de garantia são diversificadas, incluindo garantias reais, como terras, mas também recebíveis e fluxos de pagamento. Essa combinação permite conciliar a segurança do patrimônio em garantia com a flexibilidade necessária para realizar as operações ao longo do tempo. “A gente gosta de trabalhar com garantias reais, sim, mas a gente não gosta de ser fazendeiro”, ilustra Pegorini, reforçando o foco em financiamento e não na gestão direta de ativos operacionais.

Além dos FIDCs, a gestora utiliza outros veículos importantes nesses segmentos, como os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e os Fiagros (Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio). A escolha das garantias e do veículo mais apropriado é parte fundamental do processo de estruturação, que é seguido por um acompanhamento rigoroso. É nesse estágio que os dados de desempenho, coletados ao longo dos anos, voltam a alimentar a análise contínua da gestora, com a Inteligência Artificial desempenhando um papel crucial. “A gente tem muito trabalho de acompanhamento, e nisso as inteligências artificiais ajudam muito”, conclui Pegorini.

Contexto

A rápida evolução da Inteligência Artificial está remodelando o setor financeiro global, com gestoras de ativos como a Valora Investimentos liderando a integração dessas tecnologias para aprimorar a análise de risco e a eficiência operacional. A capacidade de processar vastos volumes de dados históricos em tempo real permite uma compreensão mais profunda dos mercados de crédito e a identificação precoce de tendências de inadimplência, impactando diretamente a segurança dos investimentos e a otimização dos retornos para os cotistas. No Brasil, essa inovação é particularmente relevante para setores como agronegócio e infraestrutura, que buscam fontes alternativas de financiamento e se beneficiam de uma gestão de risco mais sofisticada para atrair capital do mercado.

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