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Turistas italianos pagavam para participar de safáris humanos na Bósnia

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Investigação revela que cidadãos italianos atiravam em crianças durante a Guerra da Bósnia

Turistas italianos pagavam para participar de safáris humanos na Bósnia
O Tribunal de Milão, onde o caso está sendo investigado. Foto: Wikimedia Commons

Turistas italianos pagavam para atirar em crianças durante a Guerra da Bósnia, de 1992 a 1995.

Turistas italianos e a cruel prática de ‘safáris humanos’

Na Guerra da Bósnia, entre 1992 e 1995, uma prática horrenda emergiu: turistas italianos pagavam para participar de safáris humanos, onde tinham a oportunidade de atirar em crianças. Essa prática monstruosa está sendo investigada pelo Ministério Público de Milão, após denúncias levantadas pelo repórter Ezio Gavazzeni em uma entrevista ao jornal La Repubblica.

Valores exorbitantes para uma experiência macabra

Os valores cobrados para participar dessas excursões variavam entre € 80 mil (cerca de R$ 493 mil) e € 100 mil (R$ 616 mil) por pessoa. Esses turistas, em sua maioria, eram políticos ou simpatizantes da extrema-direita, ansiosos por experiências de adrenalina sádica e dispostos a pagar fortunas para isso. Os recursos financeiros eram então repassados a intermediários das milícias sérvias, responsáveis por organizar essas atrocidades.

O funcionamento do esquema

Os turistas chegavam a Belgrado, na Sérvia, e de lá eram transportados por helicópteros ou por terra até as colinas da capital da Bósnia e Herzegovina. Uma vez lá, recebiam armas e eram posicionados para atirar em civis desarmados, incluindo crianças. O horror dessa prática é acompanhado pelo silêncio de muitos que, por anos, testemunharam ou participaram de tais atos.

Quem são os suspeitos?

A maioria dos envolvidos na prática do safári humano são homens entre 40 e 50 anos, com um histórico de paixão por armas. Entre os turistas de guerra, estavam empresários, médicos e até mesmo mercenários. A investigação busca identificar todos os implicados, incluindo aqueles que possuíam antecedentes ou conexões com ações de extrema-direita na Itália.

Testemunhas e depoimentos

O Ministério Público de Milão está ouvindo diversas testemunhas, incluindo um ex-funcionário da agência de inteligência da Bósnia, que já havia alertado a Itália sobre a situação em 1994. Outros depoimentos relevantes incluem relatos de um bombeiro que esteve presente durante o julgamento do ex-presidente da Sérvia, Slobodan Milosevic, que se referiu a esses turistas armados como ‘atiradores’ com vestimentas que destoavam do contexto da guerra.

O impacto das investigações

As investigações sobre os safáris humanos estão apenas começando, mas já revelam a crueldade e a desumanização que marcaram a Guerra da Bósnia. O caso traz à tona questões éticas sobre turismo de guerra e a responsabilidade de cidadãos que buscam experiências extremas em cenários de conflito. À medida que novos detalhes surgem, a sociedade italiana e o mundo precisam refletir sobre as consequências de tais atos horrendos.

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