Turistas estrangeiros injetaram R$ 20,2 bilhões na economia brasileira nos primeiros quatro meses do ano. O volume representa um salto de 9,2% sobre o registrado no mesmo período do ano anterior, conforme dados divulgados nesta quarta-feira (27) pelo Banco Central.
A cifra sublinha a recuperação e o aquecimento do setor de turismo internacional no Brasil.
Somente em abril, a entrada de recursos de visitantes de outros países alcançou R$ 4,19 bilhões. O número supera em 1,2% o resultado de abril do ano anterior, que somou R$ 4,14 bilhões.
Os bilhões movimentam hotéis, restaurantes, transporte e comércio em diversas regiões do país. Criam empregos diretos e indiretos, de guias turísticos a fornecedores locais, injetando liquidez em pequenos e médios negócios por todo o território nacional.
O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, atribui o resultado à atuação focada na atração de estrangeiros. “Nossa atuação na busca por turistas de outros países tem sido intensa”, afirmou Feliciano. Ele destacou o papel transformador do turismo para a realidade de milhões de brasileiros.
A percepção é que o setor vai além dos números macroeconômicos, impactando diretamente a base da pirâmide produtiva. Especialmente em destinos menos desenvolvidos ou com vocação natural para o ecoturismo e a cultura.
Novas Rotas Aéreas Buscam o Mercado Chinês
Em um movimento estratégico para ampliar ainda mais o fluxo de turistas estrangeiros, o governo brasileiro iniciou negociações com a China Eastern.
A companhia é uma das três maiores aéreas estatais da China.
O objetivo é estabelecer novas rotas diretas entre os dois países, conectando Brasil e o gigante asiático.
O ministro Feliciano se reuniu com representantes da empresa em Xangai na última segunda-feira (25). A agenda reforça o interesse mútuo na expansão da conectividade.
A pauta incluiu propostas de cooperação que visam aumentar a presença do Brasil nas plataformas da companhia aérea. Uma das ideias é a exibição de filmes nacionais nos voos da China Eastern, promovendo a cultura brasileira a bordo.
Abrir portas para o mercado chinês é uma prioridade. A China figura entre os maiores emissores de turistas do mundo, com um potencial de consumo elevado e crescente apetite por destinos de longa distância.
Voos diretos encurtam distâncias e eliminam escalas, tornando o Brasil mais acessível para milhões de potenciais visitantes chineses. Muitos buscam experiências diversificadas, de praias a florestas, passando por grandes cidades e destinos históricos.
A ação diplomática e comercial para estabelecer essas rotas busca solidificar a imagem do Brasil como destino seguro e desejável, diversificando a origem dos visitantes para além dos mercados tradicionais da América do Sul e Europa.
A exibição de conteúdo audiovisual brasileiro nas aeronaves da China Eastern é um aceno cultural, uma tentativa de aproximar os públicos e despertar o interesse antes mesmo da chegada ao país.
A estratégia vai ao encontro de um esforço maior para desburocratizar a entrada de turistas de certas nacionalidades, como os próprios chineses, por meio de facilidades na emissão de vistos e outras políticas de incentivo.
Impacto Setorial
O crescimento da receita de turismo estrangeiro tem reflexos diretos em setores-chave da economia brasileira. A hotelaria, que sofreu com as restrições da pandemia, respira com taxas de ocupação em alta, principalmente em grandes centros urbanos e destinos litorâneos renomados. O setor de alimentação e bebidas acompanha a demanda, com restaurantes e bares se beneficiando do aumento do fluxo de consumidores.
No setor de transportes, o movimento nos aeroportos cresceu, e empresas de aplicativos, táxis e ônibus rodoviários que servem rotas turísticas também sentem o impacto positivo. A cadeia de valor do turismo é extensa, incluindo artesanato, agências de viagens e empresas de eventos, todas impulsionadas por este cenário de expansão. A negociação com a China Eastern, se bem-sucedida, promete um novo patamar para essa injeção de capital, dado o volume e o poder de compra do turista chinês. Representa também uma aposta na diversificação das fontes de receita e na promoção da imagem do país no mercado asiático.
Contexto
O turismo internacional se consolidou nas últimas décadas como um motor econômico global, e para o Brasil, representa uma fonte vital de divisas e uma alavanca para o desenvolvimento regional. Após um período de retração imposto pela pandemia de COVID-19, o setor experimenta uma forte recuperação mundial. No Brasil, essa retomada é impulsionada por políticas governamentais de promoção e pela valorização da moeda estrangeira frente ao real, que torna o país mais atrativo. Historicamente, o setor busca superar gargalos de infraestrutura e conectividade aérea, e a aproximação com mercados estratégicos como o chinês demonstra uma estratégia focada em captar novos fluxos de alta renda para sustentar o crescimento a longo prazo e consolidar o Brasil como um player relevante no cenário do turismo global.