Irã Acelera Construção na Montanha Pickaxe: Sinais de Instalação Nuclear Subterrânea Intensificam Tensão Global
Imagens de satélite recentes, analisadas pelo prestigiado Center for Strategic and International Studies (CSIS), revelam um forte aumento na atividade de construção na fortificação iraniana da Montanha Pickaxe. As descobertas corroboram suspeitas de que o local vem sendo preparado nos últimos anos para abrigar uma futura instalação de enriquecimento de urânio ou servir como um refúgio nuclear seguro para o país. Esta escalada na construção eleva o alerta internacional e acende um farol sobre as complexas dinâmicas geopolíticas da região.
As novas informações estratégicas ganham contornos de urgência ao justificar declarações anteriores do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na semana passada, Trump afirmou a jornalistas que os Estados Unidos poderiam atacar a Montanha Pickaxe muito em breve, em uma clara indicação de que o cenário de confronto permanece latente e as ações iranianas são monitoradas de perto pelas grandes potências.
Montanha Pickaxe: Um Complexo Subterrâneo no Coração do Programa Nuclear Iraniano
A Montanha Pickaxe, conhecida em farsi como Kuh-e Kolang Gaz La, uma tradução que evoca o termo “picareta”, está estrategicamente situada na cordilheira Zagros, na província iraniana de Isfahan. O complexo emerge a quase 1,5 quilômetro ao sul do já conhecido e sensível complexo de enriquecimento de Natanz, um dos pilares do programa nuclear iraniano.
A instalação consiste em um vasto sistema de túneis subterrâneos, escavados a uma profundidade impressionante de cerca de 100 metros abaixo da superfície. A construção do local começou em 2020, poucos meses após uma explosão, atribuída a Israel, devastar uma fábrica de montagem avançada de centrífugas acima do solo em Natanz. A escolha da montanha não foi aleatória: sua composição de granito duro e denso oferece uma proteção natural substancial contra ataques externos, tornando-a ideal para salvaguardar atividades sensíveis.
A usina destruída em 2020, que operava em Natanz, tinha capacidade para montar aproximadamente 6.000 centrífugas avançadas por ano. A realocação e reconstrução subterrânea de capacidades similares na Montanha Pickaxe sublinham a persistência do Irã em avançar seu programa nuclear, mesmo sob intensa pressão e sabotagem. A profundidade e a resistência geológica do novo local representam um desafio sem precedentes para qualquer tentativa de neutralização militar.
O Enigma do Subsolo: O Que o Irã Esconde na Montanha Pickaxe?
A pergunta sobre o que o Irã realmente mantém no interior da Montanha Pickaxe permanece sem resposta. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão responsável pela fiscalização nuclear global, jamais obteve acesso ao local, intensificando as preocupações da comunidade internacional sobre a transparência do programa iraniano.
A área é cercada por um perímetro de segurança duplo, com uma cerca e um muro que incorporam uma rota de patrulha, unindo-se ao perímetro já existente de Natanz. Imagens de satélite detalham a existência de duas entradas de túnel proeminentes, uma no lado leste e outra no lado oeste da montanha.
Oficialmente, o Irã alega que a instalação se destina à produção e montagem de centrífugas avançadas. Contudo, análises independentes indicam que o espaço sob a montanha é vasto o suficiente para abrigar não apenas uma fábrica de montagem, mas também uma planta de enriquecimento funcional, capaz de produzir urânio de grau militar, e até mesmo uma fundição de urânio metálico, material crucial para o desenvolvimento de componentes de armas nucleares. A inteligência israelense, por sua vez, afirma que os 440 quilos de urânio enriquecido do Irã, a 60%, já podem ter sido transferidos para esta instalação, um volume considerado perigosamente próximo do necessário para a fabricação de armas atômicas.
A AIEA, por sua vez, monitora de perto o enriquecimento iraniano. O nível de 60% está muito acima dos 3,67% permitidos pelo acordo nuclear de 2015, conhecido como Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), e se aproxima perigosamente dos 90% necessários para o desenvolvimento de armas. A ausência de fiscalização internacional no local de Pickaxe torna a situação ainda mais volátil, com o risco de um avanço irrestrito do programa nuclear iraniano.
A Instalação está Ativa? Evidências de uma Construção Acelerada
A análise minuciosa do CSIS indica que o Irã não apenas manteve, mas intensificou as atividades de construção na Montanha Pickaxe após a “Operação Midnight Hammer”, registrada em junho de 2025. Este período, entre junho e setembro de 2025, foi marcado pela conclusão da cerca perimetral de segurança, o reforço e a ampliação de diversas entradas de túneis com portas de portal, e uma aceleração notável no ritmo das escavações subterrâneas.
O acompanhamento por satélite, iniciado em 2020, revela uma clara “assinatura de atividade trifásica” em cinco pontos cruciais do complexo, bem como nas vias de acesso que os conectam. A comparação de imagens ao longo do tempo demonstra inequivocamente que novas e significativas atividades construtivas estão em curso.
As entradas dos portais sul e leste apresentam um reforço substancial em julho de 2026, quando comparadas com as observações de setembro de 2025. O CSIS também aponta para evidências de remoção de detritos de escavação em todo o local, um indicativo típico de um canteiro de obras em transição da fase de corte para a fase de construção interna. Esta mudança sugere fortemente que as operações se deslocaram para a edificação da própria instalação subterrânea, sinalizando um avanço na concretização de suas capacidades.
O Que Está em Jogo: Proliferação Nuclear e Estabilidade Regional
A existência e a aceleração da construção na Montanha Pickaxe colocam em xeque a segurança internacional e as normas de não proliferação nuclear. As implicações são vastas e afetam diretamente a estabilidade regional e global.
Em um cenário onde o Irã adquire a capacidade de produzir urânio de grau militar em uma instalação tão fortificada e inacessível, a dinâmica de poder no Oriente Médio muda drasticamente. Israel, que se vê diretamente ameaçado, pode intensificar suas ações defensivas ou ofensivas. Outros países da região, como a Arábia Saudita, podem sentir-se compelidos a iniciar seus próprios programas nucleares, desencadeando uma corrida armamentista sem precedentes.
Para os Estados Unidos e as potências ocidentais, a situação representa um desafio diplomático e militar. A credibilidade dos acordos de não proliferação e a eficácia das sanções são postas à prova. Uma escalada militar, com um ataque preventivo à Montanha Pickaxe, poderia desencadear um conflito de proporções catastróficas, com impactos imprevisíveis nos mercados de energia, na economia global e na vida de milhões de pessoas.
Desafios Militares: É Possível Atacar a Montanha Pickaxe?
Especialistas em estratégia militar consideram a Montanha Pickaxe um alvo extremamente difícil. A instalação, construída a mais de 100 metros de profundidade em uma formação de granito, supera em muito a capacidade de penetração das bombas anti-bunker mais potentes do arsenal dos Estados Unidos. A GBU-57, por exemplo, a maior bomba deste tipo, consegue penetrar apenas 18 metros de concreto ou 61 metros de terra, muito aquém do necessário para atingir o núcleo da instalação.
Imagens de satélite revelam que as entradas dos portais do túnel em Pickaxe são projetadas em forma de curva em “U”. Esta engenharia defensiva visa impedir que mísseis voem diretamente pelo corredor do túnel e, mais importante, reduzir as ondas de choque geradas por explosões, canalizando a energia para longe das instalações subterrâneas sensíveis.
Contudo, uma análise do Instituto de Ciência e Segurança Internacional destaca que, mesmo uma instalação tão enterrada, possui vulnerabilidades operacionais. Um complexo em funcionamento demanda energia, ventilação, aquecimento e resfriamento contínuos, além de entregas de suprimentos e o trânsito de pessoal. Estes elementos, embora essenciais para a operação, representam pontos fracos potenciais em um eventual ataque.
A história recente do programa nuclear iraniano oferece precedentes. Outros locais subterrâneos, como Amad, Fordow e Shahid Boroujerdi, que também possuíam dutos de ventilação, foram alvo de ataques aéreos em junho de 2025 e março de 2026. Isso sugere que um ataque contra a Montanha Pickaxe provavelmente se concentraria em atingir os dutos de ventilação e as bocas abertas dos túneis, em vez de tentar a destruição direta da estrutura subterrânea.
O Pentágono pode, portanto, concluir que um ataque mais eficaz à Montanha Pickaxe envolveria mirar e destruir as entradas dos túneis com mísseis de cruzeiro, impedindo o acesso e a ventilação, em vez de buscar danos estruturais à instalação principal. Outra opção estratégica seria a realização de ataques ou sabotagens por forças terrestres, uma tática que se mostrou bem-sucedida em Natanz em 2020, quando explosivos foram supostamente introduzidos no edifício durante sua construção, demonstrando a complexidade e as múltiplas dimensões das opções militares.
A Resposta Iraniana: Negação e Ameaças de Retaliação
O governo iraniano mantém uma postura de negação veemente em relação às acusações sobre a Montanha Pickaxe. Em julho, o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, afirmou categoricamente que “nenhuma atividade nuclear está ocorrendo” na montanha. Ele classificou as ameaças dos EUA como “um pretexto fabricado para agressão, destruição e sabotagem“, buscando deslegitimar as preocupações internacionais.
No entanto, a narrativa interna iraniana nem sempre é coesa. Mehdi Mohammadi, conselheiro do presidente do parlamento, em uma declaração que contrasta com a negação oficial, chegou a chamar a Montanha Pickaxe de “a instalação nuclear mais fortificada do mundo”. Ele alertou que um ataque ao local “transformaria a região em um inferno”, uma ameaça que sublinha a gravidade das potenciais retaliações iranianas.
Complementando a postura de advertência, o comando militar conjunto do Irã emitiu um alerta claro: qualquer ataque a locais nucleares ou sensíveis do país “ampliaria a guerra”, sugerindo uma resposta militar robusta e uma escalada perigosa do conflito em uma região já instável.
Contexto
A tensão em torno da Montanha Pickaxe se insere em um contexto de décadas de desconfiança e embates sobre o programa nuclear iraniano. Após a retirada dos EUA do JCPOA em 2018, o Irã gradualmente começou a violar os limites do acordo, aumentando o enriquecimento de urânio e a instalação de centrífugas avançadas. A construção subterrânea e secreta de Pickaxe representa um novo capítulo na busca iraniana por capacidades nucleares, intensificando a crise diplomática e elevando o risco de um conflito armado no Oriente Médio.



